Viagem de férias: pacientes de câncer e grávidas também podem?

Ouvimos dois especialistas a respeito. Ambos garantem que é possível: basta seguirem algumas dicas que podem ajudar a deixar a viagem agradável. Confira!

Redação

Durante essa época de festas é comum reunir a família para fazer aquela viagem durante o Natal e Ano Novo ou no mês de janeiro, durante as férias escolares e de muitos trabalhadores com carteira assinada. Mas não são poucos os pacientes em tratamento de câncer que se queixam de ter que abrir mão dos momentos de lazer, como viagens, por receio dos efeitos colaterais das medicações. O deslocamento entre um ponto e outro nem sempre é rápido, e para as gestantes isso pode gerar um tremendo desconforto.

Ouvimos dois especialistas a respeito. Ambos garantem que, tomando os devidos cuidados, tanto pacientes de câncer quanto mulheres grávidas podem viajar. Basta seguirem algumas dicas que podem ajudar a deixar a viagem agradável. Confira!

GRÁVIDAS

De acordo com Renato Sá, coordenador de Assistência Obstétrica da Perinatal,  é possível conciliar o tratamento com o período de férias.as gestantes. A principal recomendação é em relação ao tempo que a gestante passa sentada.

“No caso de uma viagem de carro, por exemplo, as grávidas devem parar em alguns pontos e caminhar um pouco. De avião, devem levantar algumas vezes e fazer exercícios com a perna. O objetivo é evitar a trombose”, muito importante ainda é se manter bem hidratada, e verificar com o seu médico se é útil o uso de meias compressivas.

Passeios longos, para o exterior, com direito a programação de compras de Natal merecem atenção. Segundo Dr. Renato, é importante que a gestante viaje com plano de assistência médica e verifique se o seguro contratado cobre atendimento completo. Mas existem casos que o avião não é o melhor transporte para as gravidinhas.

“Após o oitavo mês as companhias aéreas, geralmente, restringem  o embarque por conta do risco do trabalho de parto”, explica o especialista. Nos períodos que antecedem o oitavo mês, a recomendação é que as gestantes não se desloquem em aviões não pressurizados, como é o caso dos modelos menores. “Nos casos das pacientes que têm problemas circulatórios, como trombofilia, devem viajar apenas com orientação médica”, aconselha Dr. Renato.

 Outro ponto importante é a alimentação. De acordo com o ginecologista e obstetra da Perinatal, a gestante deve beber bastante água e evitar alimentos como refrigerante, massas e pães, pois as viagens de avião aumentam a produção de gases e, por consequência, aumentam o desconforto. “Durante as viagens de fim de ano, a melhor opção é comer uma quantidade menor de comida, por várias vezes. Dessa forma, ela evita o enjoo”, completa.

Mas é sempre recomendável que antes da viagem seja feita uma consulta com o pré-natalista, para verificar se, de fato, está tudo ok para a viagem de férias. Vale a pena ainda perguntar sobre medicações para náuseas e cólicas, comuns na gestação, que possam ser usadas. Não se esqueça de levar suas vitaminas ou outra medicação que esteja fazendo uso regular, nem sempre é fácil comprar medicações equivalentes, principalmente em viagens ao exterior.

PACIENTES COM CÂNCER

Para o oncologista Felipe Ades, do Centro Paulista de Oncologia (CPO), unidade São Paulo do Grupo Oncoclínicas, é preciso se planejar antes de embarcar. “Tenha um hospital de referência no destino para possíveis emergências, em particular para viagens internacionais. Contrate um seguro viagem e leve também um relatório do seu médico com o caso clínico detalhado”, orienta.

Para quem já está com o passeio marcado, o primeiro passo é consultar o médico para receber as orientações e cuidados mais indicados para o seu caso. Vale também levar em consideração o estágio do tratamento, há fases em que o paciente pode estar com o sistema imunológico muito fragilizado ou estar fisicamente indisposto.

Para garantir uma viagem sem imprevistos, o ideal é que o indivíduo esteja acompanhado e sempre respeite os limites do próprio corpo, evitando excessos e garantindo o seu bem-estar. Em decorrência do tratamento, muitos pacientes ficam mais propensos à trombose, por isso, é preciso avaliar com cuidado a quantidade de horas de voo.

A alimentação também merece devida atenção. “Muitos pacientes podem estar com o trato gastrointestinal irritado pelo tratamento, por isso é recomendado evitar pratos que não esteja habituado e ter cuidado ao ingerir alimentos crus, principalmente na rua”, complementa Ades.

Alguns medicamentos da quimioterapia podem deixar a pele fragilizada e aumentar a sensibilidade das células, quando exposta ao sol, podem gerar manchas ou até mesmo queimaduras. Para aqueles que pretendem ir à praia, devem optar por um filtro solar com um alto fator, reaplicado de hora em hora, chapéu e ter atenção ao período de exposição solar prolongada.

Vale ressaltar que protetor solar é apenas um componente de segurança e não permite um tempo ilimitado debaixo do sol, em especial entre 10h e 16h, quando os raios são mais fortes. Pacientes que estão realizando radioterapia, devido à pele já apresentar radiação decorrente do tratamento, não é recomendado se expor ao sol.

“É bom evitar grandes aglomerações, como shows de música e estádios de esporte. Mas em geral, se o paciente adotar todas as recomendações, é possível sim desfrutar uma viagem tranquila durante o tratamento oncológico”, finaliza o oncologista.

Fonte: Grupo Oncoclínicas e Perinatal

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