Vida nas grandes cidades faz aumentar diabetes tipo 2

Agitação dos centros urbanos favorece alguns hábitos como o consumo exagerado de fast food e o sedentarismo, que elevam o risco de doenças crônicas

Redação
Facilidades da vida na internet tornam as pessoas mais sedentárias (Imagem de Luisella Planeta Leoni por Pixabay)

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) mostram que aproximadamente 84% da população brasileira vivem em cidades. Os benefícios de viver nos centros urbanos incluem mobilidade, acesso mais fácil à internet e à cultura. Contudo, viver em cidades grandes também tem seu lado negativo. A vida agitada leva a hábitos que contribuem para o aumento da obesidade, um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares e diabetes.

O crescimento na taxa de sobrepeso e obesidade tem se mostrado relevante para a expansão do Diabetes Melittus tipo 2 (DM2). Apenas nos últimos 10 anos o número de pessoas diagnosticadas com a doença subiu cerca de 60% e o Brasil atingiu o marco de 14 milhões de pessoas convivendo com o DM2.

Um dos fatores cruciais para o quadro de diabetes ter se instaurado como epidemia foi a industrialização de alimentos iniciada após a Revolução Industrial. A partir de 1988 foi registrado nas cidades o aumento no consumo de ácidos graxos, açúcares e refrigerantes em detrimento da redução de ingestão de carboidratos complexos, frutas, verduras e legumes.

De acordo com Francisco Kerr Saraiva, presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), a forma de se alimentar da sociedade urbana se tornou rápida e prática, priorizando fast foods ultraprocessados e poucos alimentos in natura. “Ao diminuir o consumo de vitaminas e minerais importantes para o funcionamento saudável do corpo, a pessoa facilita as circunstâncias que podem levar às doenças crônicas como o diabetes tipo 2”, pontua o especialista.

Tão problemático quanto a dieta inadequada, o sedentarismo¹, favorecido pela modernização das cidades, exerce relação direta com o crescimento dos casos de diabetes tipo 2 em adultos, independentemente do índice de massa corporal (IMC) ou histórico familiar. “ A prática regular de exercícios é fundamental no combate do diabetes tipo 2 e de muitas outras doenças”, explica Dr. Saraiva.

Normalmente, os grandes centros urbanos possuem espaços públicos para a prática de atividade física, como parques e praças, que podem incentivar a população a se exercitar regularmente. Outro benefício da vida na cidade é a tecnologia, que facilitou o acesso a diversos produtos e serviços sem a necessidade de locomoção.

Porém, o delivery de comida, medicamento, supermercado e produtos em geral, assim como aplicativos de transporte individual, são facilitadores do sedentarismo. Além de maus hábitos alimentares e sedentarismo, o Dr. Saraiva alerta que existem outros fatores de risco para o desenvolvimento do diabetes tipo 2. “Pacientes obesos, com hipertensão, colesterol alto ou diagnosticados com pré-diabetes precisam de cuidado redobrado com a saúde, pois correm um risco maior de desenvolverem a doença”, comenta o cardiologista.

Uma das maiores preocupações com o diabetes tipo 2 é que ele aumenta de duas a quatro vezes a incidência das doenças cardiovasculares, como o infarto e o AVC (Acidente Vascular Cerebral), matando mais do que o vírus HIV, a tuberculose e o câncer de mama. Além dos riscos para o coração, a doença também pode causar complicações renais, perda de visão e amputação de membros.

Apesar de assintomático, é possível identificar os sinais de DM2, sendo que os mais comuns são os casos onde ocorrem fome e sede excessivas, ganho ou perda de peso, vontade de urinar com maior frequência, fadiga, má cicatrização, manchas escuras na pele, formigamento nos pés e visão embaçada.

Consultar regularmente um médico, seja clínico geral, endocrinologista ou cardiologista, é importante, seja para quem já possui o diabetes ou não. Além disso, a adoção de hábitos saudáveis também contribui para a diminuição dos riscos de desenvolvimento de doenças como o diabetes tipo 2.

Com a agitação do dia-a-dia nos grandes centros é essencial prestarmos atenção em nossos hábitos, e tentarmos fazer pequenas mudanças no dia-a-dia, como subir escada ao invés de elevador e, quando possível, dar preferência às refeições balanceadas e que contêm legumes e verduras, assim como praticar exercícios regularmente”, completa Dr. Saraiva.

O Movimento para Sobreviver – Para conscientizar a população, principalmente das áreas urbanas, sobre o impacto das doenças cardiovasculares em pacientes com diabetes tipo 2 e seus fatores de risco, uma coalizão formada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, ADJ Diabetes Brasil, Associação Nacional de Atenção ao Diabetes, Sociedade Brasileira de Diabetes, Rede Brasil AVC, Boehringer Ingelheim e Eli Lilly do Brasil criou ‘O Movimento para Sobreviver”, que também tem o propósito de proteger o coração e a vida dos brasileiros com diabetes.

Fonte: Socesp

 

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