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Cardiologista dá dicas para identificar os principais sintomas ou sinais do tabagismo, que causou a morte de 150 mil pessoas no Brasil em 2015

Redação
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Você sabia que o tabagismo tira precocemente mais de 7 milhões de vidas ao ano? Sim, o cigarro é o maior responsável pelas mortes evitáveis em todo o mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). De acordo com a entidade, atualmente existem 1,1 bilhão de fumantes.

O tabagismo está na origem de 90% de todos os casos de câncer de pulmão – entre os 10% restantes, 1/3 é dos chamados fumantes passivos – no mundo, sendo responsável por ampliar em cerca de 20 vezes o risco de surgimento da doença. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Brasil soma mais 28 mil novos casos de tumores pulmonares ao ano.

Além disso, o mau hábito aumenta as chances de desenvolver ao menos outros 13 tipos de câncer: de boca, laringe, faringe, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, intestino, rim, bexiga, colo de útero, ovário e alguns tipos de leucemia. Apesar destes dados não serem novidade, o país ainda registra um elevado número de casos de neoplasias malignas entre a população fumante.

O hábito de fumar é prejudicial a saúde, como mostram diversos estudos, e é um grande fator de risco, responsável pelo aumento em 40 vezes da chance de desenvolver câncer de pulmão quando comparado às pessoas que não fumam.

Na fumaça do cigarro existem mais de 5 mil substâncias químicas das quais cerca de 50 são cancerígenas. Os fumantes passivos, ou seja, que não têm o hábito de fumar, porém convivem com pessoas que fumam em ambiente fechado, quando expostos à fumaça do cigarro sofrem o mesmo malefício.

No caso dos fumantes que dizem que não “tragam a fumaça”, apenas a seguram na boca também estão expostos às mesmas substâncias cancerígenas que causam câncer de pulmão, além de correrem o risco de desenvolver câncer da boca ou garganta.

Para reforçar a importância de discutir a relação entre tabaco e saúde do coração, a Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo) aproveita o Dia Nacional de Combate ao Fumo (29 de agosto) para dar algumas dicas sobre como reconhecer a dependência, que em 2015, no Brasil, associou-se à morte de 150 mil pessoas.

“Embora a fabricação e venda de cigarros seja legal e liberada, a decisão entre comprar ou resistir ao vício é do consumidor”, afirma José Francisco Kerr Saraiva, cardiologista e presidente da Socesp, alertando: “Se as pessoas não passarem a se conscientizar, em 2030 o cigarro matará diretamente oito milhões de indivíduos em todo o Planeta”.

Falsa sensação de prazer

A preocupação da entidade é a “falsa sensação de prazer” que o cigarro proporciona, pois isso atrai os consumidores para algo que, na realidade, é muito problemático para a saúde.

A nicotina, por exemplo, é uma droga proveniente da planta do tabaco que, quando inalada, produz efeito psicoativos. Chega ao cérebro em um breve espaço de tempo (entre sete e 19 segundos), fazendo com que o organismo, com o tempo, acostume-se a recebê-la frequentemente”, explica o cardiologista.

No cigarro, existem 5,3 mil substâncias, sendo 4,7 mil delas são nocivas à saúde. Cada vez que a pessoa traga fumaça, o organismo “pede mais”. Isso acontece porque, quando a nicotina chega ao cérebro, são liberadas outras substâncias, como a dopamina, uma das responsáveis pela falsa sensação de prazer.

“Tudo o que não é natural e faz com o que o organismo sinta falta se não usar é falso e se trata de dependência! Por isso, elencamos alguns sinais e sintomas da dependência”, reforça Saraiva.

Como identificar alguns sinais/sintomas da dependência

1. A substância é consumida em grandes quantidades ou por períodos maiores do que a pessoa pretendia.
2. Desejo persistente, ou uma, ou mais tentativas fracassadas de interromper ou controlar o abuso da substância.
3. Muito tempo empenhado nas atividades para obtenção da substância, consumo ou recuperação de seus efeitos.
4. Intoxicação frequente ou sintomas de abstinência quando o individuo é obrigado a realizar tarefas simples ou quando o uso da droga for fisicamente perigoso.
5. Suspensão ou diminuição de atividades sociais, profissionais e/ou lazer pelo uso da substância.
6. Uso persistente da substância, apesar do conhecimento de que representa um problema social, psicológico ou físico persistente ou recorrente, causado ou agravado por seu consumo.
7. Tolerância marcante: necessita de quantidades progressivamente maiores da substância.
8. Sintomas típicos de abstinência.
9. Substância consumida frequentemente, para aliviar ou cortar sintomas de abstinência.

*No caso de você apresentar mais de 3 dos sinais/sintomas descritos acima, pode-se considerar que há a dependência física.

Fonte: Cartilha Em Busca do Coração Saudável da Socesp