Você sabia que uma simples alergia pode levar à morte?

Especialista alerta sobre a anafilaxia, uma reação alérgica, de hipersensibilidade imediata e severa, que afeta todo o corpo e que pode levar à morte

Redação

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), até o fim do século, metade da população sofrerá algum tipo de alergia. Cerca de 30% da população mundial possuem, por exemplo, algum tipo de intolerância ao pó, mofo, pólen de plantas, entre outras diversas causas. A rinite alérgica é uma das mais altas do mundo com 25% de prevalência e, seguindo pela asma alérgica, atingindo cerca de 20% da população infantil e adolescente do país.

Mas o que pode parecer uma simples alergia, no entanto, é capaz de levar a pessoa à morte. Conhecida como anafilaxia, esta é uma reação alérgica, de hipersensibilidade imediata e severa, que afeta todo o corpo e que pode levar à morte do indivíduo. “A manifestação mais grave ocorre quando se provoca inchaço e obstrução das vias aéreas superiores, neste caso a pessoa precisa de tratamento de emergência”, afirma a médica especialista em alergia e imunologia Maria Claudia Schul, cooperada da Unimed Blumenau.

Medicamentos, látex, alimentos e venenos de insetos são os principais causadores de anafilaxia. Os alimentos mais comumente envolvidos em casos de anafilaxia no Brasil são crustáceos (camarão), oleaginosas (amendoim), clara de ovo e leite de vaca. Entre os insetos, pode-se destacar vespas, abelhas e formigas. “A causa mais comum de reação anafilática são os medicamentos em todas as faixas de idade, principalmente analgésicos e anti-inflamatórios”, ressalta.

Por isso, alertar as pessoas sobre a importância do tratamento e prevenção é o principal objetivo do dia 8 de julhoDia Mundial da Alergia. Toda reação exagerada da defesa do organismo contra agentes que, a princípio, não deveriam fazer mal ao organismo é chamada de alergi. Um exemplo são os os ácaros (organismos visíveis apenas microscopicamente) presentes na poeira. Os tipos mais frequentes de alergia são as respiratórias, rinite alérgica e asma alérgica. Alergias de contato, de alimentos e urticárias também são comuns e precisam de atenção.

Atenção para a anafilaxia

As manifestações das alergias são diversas. No caso das rinites alérgicas ou da asma brônquica, o afetado é o sistema respiratório, enquanto nos casos mais graves, como na anafilaxia, afeta todo o organismo e pode conduzir à morte. Abaixo, verifique quando se deve suspeitar de uma alergia:

– Se aparecerem lesões na pele, como placas vermelhas, inchaços que provoquem comichão ou ardor;

– Vermelhões ou lesões que provocam comichão ou ardor;

– Inchaço ou tumefacção da pele, especialmente se afetar lábios ou pálpebras;

– Rinites, conjuntivites ou irritação na boca ou na garganta;

– Tosse contínua ou persistente, respiração sibilante, sensação de sufoco ou insuficiência respiratória;

– Queda abrupta da pressão arterial.

“Ao sentir esses sintomas, informe alguém mais próximo e solicite atendimento médico de urgência!”, conclui Dra. Maria Claudia.

PRINCIPAIS SINTOMAS

A alergia ocorre quando o organismo responde de uma maneira exagerada aos estímulos comuns do ambiente – elementos do ar, alimentos e medicamentos. Os principais tipos de alergia são as respiratórias – que costumam aumentar no inverno, como rinite e asma, que causam espirros, coriza, coceira nos olhos, falta de ar, chiado no peito, tosse e dores de cabeça; dermatites atópicas, com vermelhidão, coceira e descamações na pele, e alergias alimentares, que geralmente se manifestam com inchaço ou coceira nos lábios, cólicas, diarreia, vômitos e rouquidão.

Além do crescente índice de poluição, com a chegada do inverno as manifestações alérgicas tornam-se mais comuns e por isso, o Dia Mundial daAlergia tem como objetivo alertar a população quanto aos riscos provenientes da doença e os cuidados que os alérgicos precisam tomar, principalmente nesta época do ano, quando vêm à tona as alergias sazonais.

Priscila Osorio, alergologista da Clínica Felippe Mattoso, considera muito importante esse alerta, uma vez que as alergias acometem muitas pessoas. “O sistema imunológico responde de forma exagerada a uma substância após exposição à mesma. As alergias ocorrem em indivíduos previamente sensibilizados e com predisposição genética, na maioria das vezes”, informa.

FATORES DE RISCO E DIAGNÓSTICO

As alergias não estão diretamente relacionadas à imunidade baixa, entretanto, em algumas situações, podem ser importantes comorbidades. “Uma pessoa que apresente, por exemplo, asma, se estiver debilitada com a imunidade baixa, pode apresentar infecções respiratórias que complicam ainda mais o quadro de asma”. O exemplo citado acima pode ser aplicado à rinite alérgica e sinusites infecciosas.

De acordo com a médica, os principais fatores desencadeantes das alergias respiratórias e das dermatites atópicas são os ácaros, fungos, epitélios de animais (cães e gatos) e baratas. Já entre as alergias alimentares estão o leite de vaca, ovo, amendoim, frutos do mar, soja e nozes.

“Em todas as alergias, é importante afastar o fator causal, fazer um bom controle do ambiente e, caso necessário, tratamento medicamentoso acompanhado por um especialista e imunoterapia (vacina)”, explica Dra. Priscila. Segundo a especialista, quem tem rinite tem maior risco de desenvolver sinusite, otite, asma, distúrbios do sono e comprometimento da qualidade de vida.

“O exame clínico e uma boa conversa com o médico alergista são fundamentais para descobrir se o paciente é alérgico e de que tipo de alergia sofre, pois o profissional analisará episódios e reações que se repetem e provocam os sintomas”, recomenda.

A médica também destaca que cada tipo de alergia tem um teste alérgico específico e, por isso, é preciso passar por uma avaliação clínica prévia para obter a indicação correta. “Todos os exames devem ser feitos por profissionais especializados e em ambiente adequado. Quando indicados, são importantes para diagnosticar o antígeno exato e orientar o tratamento. Em caso de dúvidas, é importante sempre procurar um especialista para avaliação e confirmação do diagnóstico, para que se possa fazer um tratamento adequado, evitar riscos maiores e também restrições desnecessárias”, conclui.

Prevenções e tratamentos

Algumas atitudes e cuidados podem contribuir para que o indivíduo não desenvolva alergias, ou, pelo menos, não tenha crises alérgicas recorrentes. O tratamento das alergias em geral são realizados com remédios como anti-histamínicos e corticoides, prescritos por médicos, para tratamento de crises agudas, bem como prevenção de novas crises.

“Quando as crises são frequentes, existem casos que o indivíduo precisa recorrer à imunoterapia, tratamento com vacinas e medicamentos orais, que ajudam a evitar ou prolongar o espaço de tempo entre uma crise e outra. Em casos extremos, o paciente poderá precisar ainda fazer uso de adrenalina” afirma a Dra Maria Claudia.

De acordo com a especialista, os cuidados são essenciais, principalmente no local onde o indivíduo trabalha ou mora. “É preciso ser rígido com a limpeza dos ambientes. Trocar os lençóis pelo menos uma vez na semana, usar capas anti-ácaros nos colchões e travesseiros, lavar cortinas e tapetes pelo menos a cada dois meses e, usar o aspirador de pó são alguns métodos eficazes. Realizar um controle ambiental adequado é uma das principais formas de evitar crises alérgicas”.

Uma dica importante para as mães evitarem o desenvolvimento de alergias em bebês é a amamentação. “As mães devem amamentar seus filhos exclusivamente até os seis meses de vida, pois o leite materno passa para o bebê imunoglobulinas, dentre outras proteínas e vitaminas que vão atuar fortalecendo o sistema imune da criança, podendo evitar que elas tenham algum tipo de alergia”, informa Dra. Maria Claudia.

Da Redação, com Assessorias

 

 

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