Volta às aulas: como ensinar os filhos a economizar

Especialista dá dicas de educação financeira não só depois das férias, mas durante o ano inteiro. Disciplina nas escolas ajuda a formar cidadãos mais conscientes

Nesta semana, grande parte das escolas pelo país voltarão das férias e assim volta também a rotina de levar e buscar as crianças na escola, as aulas de idiomas, futebol, balé, dança e até compra de material escolar que estiver faltando. Portanto essa é uma boa oportunidade para sair da rotina e mudar os hábitos. A começar pela saúde financeira, que todos andam precisando nesses tempos de crise. O tema agora é inserido no currículo escolar para preparar nossas crianças e jovens para um futuro com cidadãos mais educados, saudáveis e sustentáveis financeiramente.

“A educação financeira nas escolas é um dos caminhos para mudarmos o modo como lidamos com o nosso dinheiro e também o cenário de endividamento e inadimplência, que segue alarmante em todo o país. É um importante marco para o tema e, principalmente, para o futuro das famílias brasileiras. Um passo fundamental para que se repense os hábitos de consumo, criando uma sociedade mais saudável finaceiramente e realizadora de objetivos”, destaca Reinaldo Domingos, doutor em Educação Financeira.

E, já que estamos falando de praticar a educação financeira, Domingos preparou 6 orientações de como colocar as finanças em dia, após o período de férias, e como economizar nas compras que precisam ser feitas para a volta às aulas. Á frente do canal Dinheiro à Vista e  autor de diversos livros sobre o tema, como o best-seller Terapia Financeira , ele é presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin – www.abefin.org.br) e da DSOP Educação Financeira (www.dsop.com.br)

  1. Faça um diagnóstico financeiro

Ao longo de 30 dias, anote todas as despesas, separando-as por categorias, pois, dessa maneira, é possível ter uma visão ampla e minuciosa, ao mesmo tempo, dos gastos recentes, podendo diminuir ou até cortar os excessos e supérfluos;

  1. Planeje-se

Muitas famílias acabam se encontrando em situações de endividamento após as férias, porque não se planejam corretamente. Portanto, comecem a programar as próximas férias a partir de agora, vejam o que gostariam de fazer comecem a guardar  dinheiro, para lá na frente não ficar pagando parcelas intermináveis e se desequilibrando financeiramente.

  1. Não tenha vergonha de negociar

Muitas pessoas têm dificuldade em pedir desconto ou tentar alguma condição de pagamento melhor, mas a negociação é uma prática natural e que dá bons resultados;

  1. Leve as crianças

Ao contrário do que muitos especialistas dizem, a minha recomendação é que os adultos levem sim junto com eles as crianças para pesquisarem os materiais escolares. Essa é uma ótima oportunidade para ensiná-las a comprar com consciência e colocar em prática os ensinamentos da educação financeira;

  1. O barato pode sair caro

Nem sempre o que é mais barato é a melhor opção para economizar, porque, conforme for, pode quebrar/rasgar/desgastar com muito mais facilidade, fazendo com que se tenha que comprar outro produto em um curto espaço de tempo. Analise bem as opções e compre o melhor custo-benefício.

  1. Recicle e reutilize

Dê uma boa olhada no material utilizado até o momento e veja o que consegue ser reutilizado ou reciclado. Chame as crianças para essa atividade, pode ser divertido, além de sustentável e econômico. Se tiver mais de um filho, o material didático, por exemplo, se bem cuidado, pode passar do mais velho para o mais novo.

Quando é hora de dar mesada?

Dar ou não mesada? A partir de que idade? Como estabelecer o valor? Para Reinald Domingues, ao contrário do que muita gente pensa, a mesada não é um incentivo ao consumismo; na verdade, é uma importante ferramenta para educar financeiramente crianças e jovens. Aproveitando o período de volta às aulas, em que o consumo tende a fazer parte da rotina, é importante esclarecer dúvidas como essas.

A data de adoção de cada tipo de mesada depende do interesse e do entendimento que a criança está demonstrando ter em relação ao uso do dinheiro. Por volta dos sete ou oito anos é um bom momento, pois ela já possui vontades e sabe que para ter um produto ou serviço é necessário “trocá-lo” por dinheiro e possuem entendimento suficiente para começar a aprender a administrar esse recurso.

Esse assunto deve ser tratado de forma leve e lúdica, sem imposições ou ameaças, para não exigirmos mais das crianças do que elas estão assimilando. Cada criança e jovem tem um comportamento particular, portanto é importante lidar com seu filho da forma mais adequada.

O valor depende do que os pais observam ser o consumo rotineiro da criança, observando sempre se os seus hábitos são saudáveis e de que forma ela gasta o dinheiro que recebe. O período de volta às aulas é bastante indicado, já que a criança ou o jovem podem começar esse novo ciclo com novos hábitos, reconhecendo a importância de consumir com consciência e de poupar para os seus sonhos.

O ideal é que metade do valor corresponda ao que criança gaste no mês e explicar que a outra metade vocês irão investir nos sonhos de curto prazo (que será realizado em até um mês), médio prazo (em até seis meses) e longo prazo (até um ano), que ela mesma vai definir.

Além de oferecer noções de responsabilidade, a mesada também pode – e deve – ser associada a questões como sustentabilidade, meio ambiente, consumo consciente e outros temas que auxiliam na boa formação do indivíduo, auxiliando, assim, na formação de uma sociedade mais consciente financeiramente no futuro.

Autor do livro Mesada não é só dinheiro – Conheça os 8 tipos e construa um novo futuro (Editora DSOP), Domingues explica 8 tipos de mesada, diferentes formas de relacionar o dinheiro à realidade familiar de forma proveitosa para todos. São eles:

  • Mesada voluntária
  • Mesada financeira
  • Mesada de terceiros
  • Mesada econômica
  • Mesada empreendedora
  • Mesada ecológica
  • Mesada de troca
  • Mesada social

“No entanto, um ponto que ressalto sempre é que, antes de transmitir esse conhecimento aos filhos, que os pais/responsáveis prestem bastante atenção ao exemplo que andam dando no dia a dia. Os pequenos se espelham nas ações dos adultos e têm a tendência a repetir tanto as coisas boas quanto os erros. Por isso, a educação financeira é algo que tem que ser absorvida por toda a família, não importa a idade”, destaca.

Educação financeira agora é obrigatória nas escolas

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que estabelece referências para os currículos escolares no País para os próximos anos, classificou a educação financeira e a educação para o consumo como habilidades obrigatórias na Educação Infantil e no Ensino Fundamental, se iniciando uma nova era na educação brasileira.

“Assim, podem ser discutidos assuntos como taxas de juros, inflação, aplicações financeiras (rentabilidade e liquidez de um investimento) e impostos. Essa unidade temática favorece um estudo interdisciplinar envolvendo as dimensões culturais, sociais, políticas e psicológicas, além da econômica, sobre as questões do consumo, trabalho e dinheiro”, explica o documento que detalha o BNCC.

O processo para que houvesse avanços foi longo. “Por ser uma ciência ainda pouco difundida na sociedade brasileira, o maior desafio nessa questão é preparar os profissionais da educação para esta nova etapa. “Mesmo com algumas iniciativas que proporcionaram a discussão sobre o tema, como a Estratégia Nacional de Educação Financeira – ENEF, é preciso levar a toda a população o conhecimento desta ciência tão importante e necessária para a qualidade de vida das pessoas”, destaca o especialista.

Alunos empreendem

Escolas de todo o País já estão cumprindo a regra que torna a educação financeira obrigatória na grade curricular, com programas em que, na grande maioria das vezes o tema é tratado como comportamental. As crianças aprendem a poupar e muitas até mesmo se lançam como empreendedoras para conquistar recursos para realizar seus sonhos.

“Todos nós estamos poupando, fizemos a feira do empreendedor para realizar o sonho da nossa classe”, conta Caio Domingues, aluno do 3º ano do Colégio Saint Germain, de São Paulo. E os pais se envolvem na iniciativa, ajudando os filhos a economizar para conquistar o que desejam. Trata-se de hábitos e comportamentos, e não de cálculos matemáticos.

“A educação financeira é necessária para os brasileiros, portanto a iniciativa é muito relevante. Quando o tema é discutido desde a infância, nas escolas, os resultados são obtidos rapidamente e até mesmo as famílias são beneficiadas”, afirma Reinaldo Domingos.

Segundo levantamento, 7 em cada 10 das crianças quem têm aulas pelo Programa DSOP de Educação Financeira nas Escolas reagem bem a um revés financeiro, enquanto entre as que não tem, apenas 1 em cada 10 reage bem. Esse é um dos dados da 1ª Pesquisa de Educação Financeira nas Escolas, realizada em parceria entre o Instituto de Economia da UNICAMP, por seu Núcleo de Economia Industrial e da Tecnologia (NEIT), o Instituto Axxus e a Abefin.

Mudança comportamental

“A disseminação da educação financeira gera empoderamento, já que os brasileiros passam a administrar seus recursos de forma consciente e sustentável. Aprendem a priorizar seus sonhos, frente aos gastos. E essas mudanças não dependem da utilização de planilhas e calculadoras, e sim de novos hábitos e comportamentos, que inclusive as crianças podem aprender”, conta Domingos.

Na BNCC, é indicada a abordagem de conceitos básicos de economia e finanças, como taxas de juros, inflação, aplicações financeiras (rentabilidade e liquidez de um investimento) e impostos, além do uso consiente de recursos naturais, como a energia elétrica, entre outros conceitos. Pelo Programa DSOP de Educação Financeira nas Escolas, tais temas são abordados, porém com abordagem comportamental.

Fonte: Abefin

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