Conheça algumas doenças comuns no verão e como preveni-las

conjuntivite

A conjuntivite é uma das doenças típicas de verão que podem ser evitadas (Reprodução de Internet)

A estação mais quente do ano começa nesta quinta-feira (21). Durante o verão, algumas doenças são mais frequentes principalmente por serem associadas a fatores como aumento da temperatura, maior umidade e exposição corporal – já que a tendência é usar roupas que não cobrem todo o corpo. Além de ser um período de férias, geralmente com praia, piscina e aglomerado de pessoas, o que pode impulsionar os agentes de infecção. Com a palavra de especialistas, confira quais são e como prevenir algumas doenças comuns neste período.

– Dengue, Zika, Chikungunya

Com a chegada do verão é comum o aumento da infestação de mosquitos. “O Aedes aegypti, por exemplo, coloca os ovos que podem sobreviver mais de 300 dias em superfície seca e se proliferam no verão“, explica médica infectologista Joana D’arc Gonçalves, da Aliança Instituto de Oncologia. Uma das preocupações dos especialistas é que sintomas das doenças são considerados parecidos e pode confundir a população, por isso é preciso o diagnóstico médico correto.

A infectologista explica que as características comuns às três são: febre, dor no corpo e manchinhas vermelhas. Porém, a diferença é que na Zika pode haver uma prevalência maior de conjuntivite e exantema, que são erupções na pele. Enquanto na dengue, se tem uma acentuada dor de cabeça, principalmente na região de trás dos olhos, além da forte dor no corpo. Já na Chikungunya, as dores musculares e articulares são intensas, a ponto de comprometer as atividades cotidianas. “Também já existem evidências de Co-infecção do A. aegypty, ou seja, um mosquito pode transmitir ao mesmo tempo Dengue e Zica. Por isso devemos enfatizar o controle vetorial”, reforça a médica.

Para prevenir, atente-se nas dicas da especialista.

1- Faça o controle vetorial, evite o acúmulo de água parada, limpe e acondicionar adequadamente os resíduos;

2- Use telas protetoras em janelas e portas em locais com muito mosquito e de risco;

3- Use de repelente;

4- Evite uso de perfumes quando for caminhar, pois pode atrair insetos, e prefira roupas claras e que cubra pernas e braços;

– Otite

Chamadas de otite, as inflamações de ouvido mais comuns nesta época de verão e de férias são as externas. O otorrino Jairo Barros, do Instituto Brasiliense de Otorrinolaringologia (IBORL), explica que elas acontecem devido ao contato mais intenso com a água, seja com mar ou piscina. “O principal sintoma é uma forte dor de ouvido após a longa exposição à água. A dor é muito intensa, principalmente nas crianças”, ressalta.

A orientação médica é procurar um otorrino assim que surgir dor ou alteração no ouvido. Durante o tratamento, que é feito com uso de antibiótico tópico e leva de 7 a 10 dias, a região não pode ter contato com água. Para prevenir a otite, o médico tem orientações simples. “Ao sair da piscina ou da praia, na hora do banho vire a cabeça para o lado e deixe cair bastante água corrente dentro do ouvido e depois seque bem com a toalha. Uma das maneiras de secar também é usando o secador de cabelos em temperatura fria e a uns 15 centímetros do ouvido, de 3 a 5 minutos”, orienta.

– Conjuntivite

Um problema que quase todo mundo já conhece e caracteriza-se por uma inflamação que na conjuntiva, membrana que envolve o globo ocular e a parte interna das pálpebras. De acordo com a médica Fabiola Gavioli, oftalmologista do CBV Hospital de Olhos, a conjuntivite é mais comum noverão porque as pessoas têm maior hábito de sair e, principalmente, ficar em aglomerados, o que ajuda a disseminar o vírus ou bactéria.

“As piscinas e praias com água mais quente favorecem a contaminação. O contagio se da pelo ar ou por contato com a lagrima e secreções do doente”, explica Fabíola.

Os sintomas iniciais são ardência nos olhos, lacrimejamento e sensação de areia. Com a evolução os olhos ficam vermelhos e com secreção. Normalmente a conjuntivite é auto limitada, durando em torno de sete dias, porém há casos mais sérios que podem chegar a durar quase 30 dias.

O médico deve ser consultado quando a quantidade de secreção não é a normalmente encontrada nos olhos, quando há embaçamento da visão ou muita sensibilidade.

A prevenção da conjuntivite é simples, deve-se evitar o contato com pessoas contaminadas, lavar bem as mãos durante o dia, não coçar os olhos e não compartilhar óculos e toalhas, e isso também vale para itens pessoais como pinceis de maquiagem.

  • Infecção urinária
  • De acordo com levantamento realizado pela Secretaria da Saúde de São Paulo, a infecção urinária, cuja incidência aumenta no verão em razão de uma série de mudanças de hábito, é responsável por várias internações diárias em hospitais públicos do Estado de São Paulo. No ano de 2014 foram registradas mais de 34 mil internações pela infecção e o período de janeiro a março correspondeu a 28% destes eventos. Assim como ocorre com outras doenças, os sintomas da infecção urinária costumam ser subestimados.
  • A dor e o desconforto abdominal, o ardor ao urinar, a dificuldade ou sensação de urgência urinária, a urina turva e com odor forte, e, em quadros mais sérios, febre alta e sangramentos, elencam os principais sintomas da infecção urinária. A patologia costuma afetar cerca de 80% das mulheres em algum momento da vida, mas não exclui os homens.  Isso acontece em razão da própria anatomia do corpo feminino, que possui a uretra mais curta e próxima à vagina e ao  ânus. Como nessas regiões, há micro-organismos, eles podem contaminar o trato urinário mais facilmente. O fato explica a incidência alta de infecção urinária recorrente no sexo feminino.
  • Caso a pessoa suspeite de algo errado, ela deve procurar ajuda médica para que seja feito o diagnóstico preciso e correto. O tratamento para infecção urinária inclui analgésicos urinários e uso de determinados antibióticos. Para conscientizar os brasileiros sobre a infecção urinária,  a Zodiac Produtos Farmacêuticos acaba de lançar a segunda edição e sua Campanha de Verão. Este ano, sob o mote #SemArdorPorFavor, a campanha conta com a distribuição de material informativo em consultórios médicos e farmácias de todas as regiões do País.
  • Dor de garganta

No verão, as pessoas fazem uso maior de bebidas geladas, sorvetes, abusam do ar-condicionado e outras situações que levam a um aumento da incidência de infecções das vias aéreas superiores: tudo isso produz aumento dos casos de amigdalites agudas bacterianas, que são mais severas. “Se as crises são recorrentes, o indicado é fazer a cirurgia”, afirma o otorrinolaringologista do Hospital CEMA, Cícero Matsuyama.

Caracterizada por sintomas como forte dor de garganta, febre e mal-estar, a amigdalite atinge principalmente os pequenos e pode evoluir para abscessos locais, com secreção purulenta e, em casos mais raros, evoluir para sepse, quadro de choque com necessidade de extração imediata e febre reumática, atingindo as válvulas cardíacas. Para evitar essas complicações, a cirurgia de remoção das amígdalas é indicada, sobretudo para crianças suscetíveis a crises frequentes. “Se não há obstrução noturna, apneia e infecções bacterianas de repetição, a cirurgia é recomendada só após os dois anos de idade, quando o sistema imunológico da faringe já concluiu seu desenvolvimento”, explica o especialista.

Segundo ele, crianças e jovens podem aproveitar o verão e se livrar da dor de garganta. Nas férias, com o calor quando a dieta fria de sorvetes e outros alimentos é mais aceita e bem longe das doenças respiratórias mais comuns no inverno, pais optam por fazer a cirurgia de amígdalas neste período, quando a demanda cresce até 30%. O pós-operatório exige até 10 dias de repouso e uma dieta fria pelo mesmo período; por isso, para não faltar às aulas, muitos pais escolhem as férias de verão para a cirurgia, quando o sorvete e os alimentos frios são mais bem aceitos.

Engana-se, porém, quem pensa que as amigdalites atingem somente os pequenos: os adultos jovens também são suscetíveis à conhecida “inflamação da garganta” e, não raro, precisam extrai-las quando já estão crescidos. Segundo ele, as amígdalas são pequenas glândulas na região da faringe e sua principal função é atuar como uma barreira de defesa natural contra agentes nocivos, como vírus e bactérias. “Tanto a amígdala palatina, situada no início da faringe, como as amígdalas faríngeas, também conhecidas como adenoides, são alvos constantes destes agentes e, por isso, a amigdalite é a principal complicação de gripes e resfriados, especialmente para crianças até sete anos”, explica.

  • Rotavírus

O que atualmente as pessoas conhecem como “virose”, os especialistas reconhecem como doença, pois pode ser ocasionada por um rotavírus, principal causador de diarreias graves na infância, sobretudo, em crianças menores de 5 anos, respondendo por 40% a 60% das gastroenterites agudas. Mais frequente no verão, os principais sintomas são a presença de vômitos que, geralmente, antecedem as diarreias, febre e dor abdominal, que podem durar de quatro a oito dias. “A doença se caracteriza por fezes normalmente líquidas, abundantes e frequentemente explosivas e pode apresentar sinais gripais como coriza ou tosse”, comenta Alberto Chebabo, infectologista do corpo clínico do laboratório Sérgio Franco.

Segundo ele, o rotavírus é encontrado em alta concentração nas fezes de crianças infectadas e pode ser transmitido via fecal-oral, contato pessoa para pessoa ou por meio da ingestão de água ou alimentos contaminados. O período de incubação é curto e geralmente varia de um a três dias.  Qualquer pessoa está sujeita a contrair o rotavírus, mas as crianças, em especial as menores de 2 anos (quando ainda não se desenvolveram todas as defesas do organismo), e aquelas que frequentam escolas ou berçários, são as mais acometidas. Em adultos a doença é mais rara, mas são registrados surtos em espaços fechados, como ambientes de trabalho, hospitais, escolas e até em navios de cruzeiro.

Alberto Chebabo afirma que um dos principais riscos ocasionados pelos sintomas do rotavírus é a desidratação, caracterizada por boca seca, olhos encovados, prostração ou irritabilidade. “Em um estágio mais grave de desidratação, a pessoa pode até ‘parar’ de urinar por várias horas e ficar sonolenta. Esses sintomas devem servir de alerta, pois quanto mais precoce a intervenção médica com hidratação oral, menor a chance de hospitalização”, acrescenta.

A infecção pelo vírus já pode ser confirmada em até 15 minutos por um exame.  O diagnóstico pode ser feito por meio de um teste rápido, que utiliza a tecnologia Point of Care para rastrear anticorpos contra o vírus nas fezes do paciente, oferecendo o resultado em até 15 minutos.  A tecnologia dos testes rápidos está disponível na unidade do laboratório Sérgio Franco em Ipanema, zona sul do Rio de Janeiro.

O especialista explica que não existe nenhum tratamento específico para o rotavírus. A desidratação deve ser combatida com a ingestão de líquidos, sempre de forma progressiva para não piorar os vômitos, e tratar os sintomas, em especial a febre, por meio da utilização de antipiréticos. “Em caso de desidratação leve ou moderada, a hidratação pode ser feita por meio da oferta de soro oral (caseiro ou farmacêutico), que deve ser ministrado enquanto houver vômitos e diarreia. Já na presença de desidratação mais grave é indicada, a critério do médico assistente, a internação hospitalar para hidratação venosa. Porém, medicações constipantes não estão indicadas na infecção pelo rotavírus”, diz Chebabo.

É importante ressaltar que já existe vacina para o rotavírus, administrada em crianças até 6 meses de idade, em duas ou três doses, de acordo com o tipo de vacina utilizada. A vacina disponível no setor público protege contra o sorotipo mais comum do rotavírus e é realizada em duas doses, enquanto a vacina utilizada pelo setor privado protege contra cinco sorotipos diferentes do rotavírus e é aplicada em três doses.

Da Redação, com assessorias