35 milhões de pessoas não têm acesso a água tratada em casa

Ter água e esgoto em casa tiraria imediatamente 635 mil mulheres da pobreza, a maior parte delas negras e jovens, mostra estudo

Redação
Nesses tempos de coronavírus, a água é considerada fundamental aliado no combate à expansão da Covid-19. Mas nem todo mundo tem acesso a ela para lavar muito bem as mãos com sabão, sabonete ou detergente. No Brasil, quase 35 milhões de pessoas não têm acesso à água tratada em casa, de acordo com dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento. Na prática, a tradução desses números para o cotidiano tem impacto profundo, com consequências muito negativas para toda a sociedade.
No mundo todo, se uma casa não tem acesso à água encanada, há 80% de chances de uma menina ou uma mulher ser responsável pela tarefa de buscá-la em um rio, açude, poço artesiano.  Quando a casa não tem acesso à água, a rotina de meninas e mulheres é mais afetada tanto para a coleta da água em si quanto com os cuidados quando alguém da família adoece.
O impacto no tempo produtivo delas é 10% maior que o dos homens, segundo o estudo ‘O Saneamento e a Vida da Mulher Brasileira’, coordenado pelo Instituto Trata Brasil. A pesquisa aponta que a falta de acesso à água aprofunda as desigualdades sociais. Ter água e esgoto em casa tiraria imediatamente 635 mil mulheres da pobreza, a maior parte delas negras e jovens.
A pesquisa destaca ainda a relação entre acesso à água e ao saneamento básico e o desempenho escolar das meninas. Meninas sem acesso a banheiro tiram notas menores, com 46 pontos a menos que a média na prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), por exemplo. Elas também apresentam mais atraso escolar e menos perspectivas de trabalho, já que a nota do Enem é usada para o ingresso em universidades públicas e privadas.
Entre as cerca de 1,5 milhão de mulheres sem banheiro em casa, a renda média é 73,5% menor que a média das mulheres trabalhadoras que têm banheiro onde vivem. Lidar com o período menstrual sem acesso à água em casa e a banheiros também é muito mais complicado, o que aumenta o afastamento das meninas da escola durante a menstruação e provoca faltas das mulheres no trabalho
Os números nos mostram objetivamente como a questão da água é também uma discussão de gênero. Meninas e mulheres são mais impactadas. Ao buscar água ou ao usar espaços públicos como banheiro, o risco de assédio e violências físicas e sexuais também aumenta”, afirma Cynthia Betti, diretora-executiva da Plan International Brasil.

Projeto Água, Saúde e Vida

Preocupada com o desenvolvimento das meninas e com a influência que o acesso à água tem em suas vidas, a Plan International Brasil desenvolve o projeto Água, Saúde e Vida, que promove a melhoria da qualidade de vida de famílias por meio do fornecimento de água potável para comunidades no Maranhão, em especial na região de Codó. Essas comunidades eram frequentemente afetadas por doenças transmitidas pela água contaminada. A Plan está promovendo uma campanha on-line com o tema “O acesso à água torna a vida das meninas mais saudável e segura” para despertar a atenção das pessoas para o tema.
Outro projeto que segue a temática ambiental é o recém-lançado Ilha do Futuro, que tem o objetivo de contribuir para a transformação social de comunidades semiurbanas em São Luís, no Maranhão. Em parceria com o Greenpeace, as atividades terão como base temas como prevenção de desastres, estímulo e promoção de atitudes sustentáveis, preservação do meio ambiente, mitigação dos riscos e danos ambientais em todas as suas áreas de intervenções.

Baixa ingestão de água causa problemas à saúde

Assim como o planeta Terra, o corpo humano também é composto por cerca de 70% de água. Embora muitas pessoas saibam a importância de ingerir o líquido, poucas fazem de maneira adequada. De acordo com a urologista da DoctoraliaJuliano Alcantara Plastina, a quantidade diária de água é variável. “É necessário avaliar as particularidades de cada pessoa, como idade, peso e atividades físicas, além de considerar condições externas, como o clima e a temperatura do ambiente. Para ajudar, podemos dizer que, em média, o cálculo feito é 35ml de água multiplicado pelo peso corporal”, esclarece.

A ingestão da quantidade adequada é fundamental para o bom funcionamento do organismo. “A água é responsável por diversas funções, como manter o corpo hidratado, transportar nutrientes, oxigênio e sais minerais, atuar como solvente de substâncias, regular a temperatura corporal e eliminar toxinas que são prejudiciais à saúde. Com a falta da ingestão do líquido, o corpo começa a dar sinais de desidratação que vão evoluindo e piorando para sintomas mais graves, podendo até levar à morte”.

Por outro lado, a ingestão em excesso também pode ser maléfica para o organismo. “Tudo que é consumido em grande quantidade se torna prejudicial à saúde de alguma forma. No caso da água, ela pode causar hiponatremia, um desequilíbrio do nível de sódio e de outras substâncias no sangue que gera mal-estar, confusão e até convulsões”, alerta o Dr. Juliano.

A Terra é Azul

Para este Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, a SESI-SP Editora apresenta como leitura indispensável o best-seller A Terra é azul, da oceanógrafa Sylvia A. Earle, eleita pela revista Time a primeira “Heroína do Planeta”. Na obra, a autora reúne um misto de relato pessoal, ensaio científico e resumo histórico sobre a impossibilidade de se continuar ignorando o impacto da extração e da exploração marítimas em nosso planeta. Veja mais aqui.

Com Assessorias
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