6 motivos para você consultar já um ginecologista

A ginecologista e obstetra Karina Tafner explica as principais dúvidas das mulheres (Foto: Divulgação)

Além de ser o mês de conscientização sobre o câncer de mama, no dia 30 é comemorado o Dia Nacional do Ginecologista e Obstetra. Comemorada em pleno Outubro Rosa, a data foi criada em 1959 e marca a fundação da Febrasgo – Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia.  A Ginecologia é uma das poucas especialidades médicas em que a paciente não precisa estar doente para agendar uma consulta, pois os exames ginecológicos devem ser realizados rotineiramente, com objetivo de preservar a saúde da mulher. 

Esses profissionais são dedicados a cuidar da saúde do órgão reprodutor da mulher e das doenças a eles relacionadas. “Essa área da medicina cuida da saúde feminina, começando desde a adolescência até a chegada da terceira idade, e tem o objetivo de tratar de assuntos relacionados ao útero, ovários e vagina, incluindo exames preventivos, como o Papanicolau e a mamografia”, comenta Renato de Oliveira, ginecologista e obstetra da Criogênesis .

Apesar da importância do profissional, uma pesquisa do Datafolha de 2019 apontou que 4 milhões de brasileiras nunca foram ao ginecologista, o equivalente a 5% população. Outras 6,5 milhões, cerca de 8%, não costumam ir ao médico.

A situação pode ter se agravado durante a pandemia do novo coronavírus. Entre abril e maio, hospitais e instituições de saúde registraram queda de até 75% nos exames de mamografia, segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). O dado serve de alerta para as mulheres sobre o câncer de mama e a importância da prevenção. 

Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), 7 em cada 10 cirurgias de câncer de mama deixaram de ser feitas nos primeiros meses de pandemia. Este tipo de câncer representa 29% dos casos da doença registrados em mulheres. Segundo o Inca (Instituto Nacional de Câncer), para este ano são estimados mais de 66 mil novos casos em todo o país. 

Renato de Oliveira afirma que visitas periódicas são fundamentais para a prevenção de diversas doenças que, quando descobertas previamente, podem ser tratadas e curadas completamente.

O recomendado é que a visita ocorra após o primeiro ciclo menstrual e que a partir daí se mantenha uma regularidade, principalmente se a mulher tiver uma vida sexual ativa. Até mesmo após ter entrado na menopausa, é fundamental que continuem se consultando, seja para fazer um check-up ou para realizar reposição hormonal”, destaca o médico.

As visitas ao médico auxiliam na prevenção de diversas doenças, entre elas mioma; câncer de mama e de útero; DSTs; síndrome de ovários policísticos; candidíase; cólica; corrimentos; endometriose e tromboembolismo venoso.

As avaliações ginecológicas devem ser realizadas, no mínimo, uma vez ao ano, a partir da primeira menstruação da menina. Esse número pode aumentar conforme a necessidade da paciente, alterações nos exames de rotina ou em pacientes com fatores de risco para certas patologias ginecológicas”, afirma Karina Tafner, ginecologista e obstetra, especialista em Endocrinologia Ginecológica e Reprodução Humana pela Santa Casa, e em Reprodução Assistida pela Febrasgo.

Falta de informação e de recursos dificulta tratamento

De acordo com a Dra. Karina, independentemente da pandemia, o grande número de mulheres que não realiza consultas e exames de rotina se deve, basicamente, à falta de informação sobre a necessidade da avaliação ginecológica regular e sobre o impacto disso na saúde da mulher. 

Segundo ela, há desinformação sobre a função de exames laboratoriais e de imagem que são cruciais, como o Papanicolau (exame de citologia cervical realizado como prevenção ao câncer de colo do útero) e a mamografia (exame de rastreio por imagem, que tem como finalidade estudar o tecido mamário, podendo detectar um nódulo, mesmo que este ainda não seja palpável).  

O difícil acesso ao atendimento médico público, o número escasso de serviços que prestam atenção ginecológica e a falta de equipamentos necessários também levam a uma menor taxa de mulheres que conseguem agendar uma consulta ginecológica e realizar os exames de rotina necessários, levando à desistência da procura”, lamenta a ginecologista e obstetra.

Além disso, Karina afirma que muitas mulheres só procuram o especialista quando identificam problemas incômodos, como presença de leucorreia (corrimento vaginal), alterações menstruais e dores pélvicas. 

As principais dúvidas das mulheres

Confira algumas das principais dúvidas das mulheres, respondidas pela Dra. Karina Tafner: 

  1. Quando agendar a primeira consulta

Após a primeira relação sexual, a mulher deve realizar a coleta de Papanicolau, no mínimo, uma vez ao ano, pois é o único exame capaz de prevenir o câncer de colo do útero e suas lesões precursoras. 

2. Com que frequência se deve ir ao ginecologista?

O exame clínico ginecológico, incluindo a inspeção vulvar, avaliação especular, exame de toque vaginal e palpação mamária, deve ser realizado, no mínimo, a cada um ano, pois podem diagnosticar diversas patologias ginecológicas, não devendo ser substituídos, e sim complementados, por exames adicionais. 

3. Quando realizar a mamografia?

Segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia, tem indicação de ser realizada anualmente, a partir dos 40 anos ou antes, caso haja fator de risco familiar, para diagnóstico precoce do câncer de mama. 

4. Quais outros exames são importantes?

Outros exames devem ser solicitados conforme o ginecologista julgue necessário, como ultrassom transvaginal (identifica imagens dos órgãos internos, como útero, trompas de falópio, ovários, colo do útero e vagina. É possível diagnosticar problemas da região pélvica, como cistos, infecções, gravidez ectópica, câncer ou até confirmar uma possível gravidez), ultrassom das mamas (analisa alterações mamárias, como as que podem ser sentidas, mas não visualizadas na mamografia, ou variações em mulheres com tecido mamário denso.

Também pode ser usado para observar alterações que foram vistas na mamografia. O ultrassom pode distinguir a diferença entre os cistos com líquido e massas sólidas), exames laboratoriais gerais, avaliações hormonais, colposcopia (faz parte do rastreamento do câncer de colo do útero, juntamente com teste de Papanicolau e/ou testes específicos para detecção do HPV – Papiloma Vírus Humano), vulvoscopia (exame da vulva, que consiste em avaliar as estruturas, pele e mucosas do órgão genital externo feminino. Quando aliada a uma biópsia, ela otimiza o diagnóstico das lesões HPV-induzidas, do líquen escleroso e de problemas mais graves, como o câncer na vulva). 

5. O que é densitometria óssea e quando realizar?

É o exame mais eficiente para verificar o teor de cálcio e de outros minerais nos ossos. Segundo o HCor, é um exame indolor e seguro, que possibilita o diagnóstico por imagens, semelhante as do raio-X. É por meio da densitometria óssea que os médicos chegam aos diagnósticos de osteoporose e de osteopenia. 

Essas doenças são mais frequentes em mulheres e consistem na descalcificação dos ossos, que se tornam mais porosos e quebradiços. Os ossos enfraquecidos favorecem fraturas, especialmente nos quadris, o que gera expressivas limitações funcionais, além de favorecer doenças cognitivas e depressão em idosos. A indicação mais comum da densitometria óssea é entre as fases pré-menopausa e pós-menopausa. 

6. O que o ginecologista precisa orientar?

Segundo a Dra. Karina Tafner, o ginecologista tem o dever de orientar as pacientes sobre as doenças ginecológicas mais frequentes, o modo de prevenção dessas doenças e o diagnóstico das mesmas. Ela afirma que caso haja alterações na avaliação de rotina, é necessária uma consulta com um especialista da área, por exemplo, uma alteração grave na mamografia deve ser encaminhada ao mastologista.

As mulheres devem ter esclarecimento sobre a importância da realização e periodicidade da avaliação e dos exames ginecológicos, assim como orientações sobre as doenças ginecológicas mais prevalentes. Isso deve ser realizado pelo ginecologista e por meio de campanhas públicas. Igualmente essencial é o acesso ao atendimento médico adequado. Caso contrário, as mulheres não terão oportunidade de serem atendidas e avaliadas, correndo o risco de não tratar alguma doença logo no início”, alerta a ginecologista Karina Tafner.

O que perguntar durante a consulta?

Abaixo, o ginecologista lista algumas perguntas importantes para fazer ao profissional durante a consulta. Confira:

• A minha secreção vaginal está normal?

Uma vagina saudável produz e libera fluidos. Essa secreção é formada por líquidos da mucosa vaginal e do colo do útero e pelas bactérias naturais, que ajudam a umedecer, limpar e lubrificar a região. Porém, dependendo da coloração, textura ou cheiro, ela pode indicar que algo não vai bem.

“Caso note que a secreção está amarelada ou esverdeada, por exemplo, é fundamental procurar um médico, pois pode ser vaginose, causada por uma bactéria e marcada por um odor bem ruim, ou tricomoníase, uma doença sexualmente transmissível”, pontua.

• Qual é o melhor contraceptivo para mim?

Existem várias opções disponíveis no mercado, sendo assim, a escolha do contraceptivo deve pesar prós e contras. Por isso, é preciso levar em consideração o perfil da mulher, como funciona o método e o contexto.

“Questões como dor pélvica, histórico familiar de trombose ou câncer de mama, vontade de engravidar mais tarde, hábitos e até a rotina precisam ser levadas em conta na hora de definir o melhor método”, explica.

• Como está a minha tireoide?

Apesar de não ser o especialista em glândulas, o ginecologista costuma pedir os exames para detectar desequilíbrios nessa região, devido aos hormônios femininos causarem interferências. Por isso, as mulheres são de cinco a oito vezes mais suscetíveis a distúrbios na tireoide do que os homens.

“Alterações nessa glândula podem causar complicações sérias. O hipotireoidismo, por exemplo, pode provocar de irregularidades no ciclo menstrual a infertilidade”, ressalta o Drº Renato.

Com Assessorias

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