‘A Covid-19 ameaça toda a Humanidade. E toda a Humanidade deve reagir’

ONU lança plano de resposta de U$ 2 bilhões com uma série de medidas de apoio a 100 milhões de pessoas vulneráveis na América Latina, África e Ásia

Redação
Plano prevê instalação de  estações para lavagem demãos em acampamentos e assentamentos (Foto: Pixabay)

A Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, já matou mais de 16 mil pessoas em todo o mundo e há aproximadamente 400 mil casos registrados. O vírus está presente em todo o planeta e agora está alcançando países que já enfrentam crises humanitárias provocadas por conflito, desastres naturais e mudanças climáticas.

Para proteger milhões de pessoas e evitar que o vírus pare de circular no mundo, a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou nesta quarta-feira (25) um plano de resposta humanitária global de 2 bilhões de dólares para lutar contra a doença em 51 países mais vulneráveis na América do Sul, África, Oriente Médio e Ásia.

O plano de resposta prevê o envio de equipamentos para testes e suprimentos médicos, instalação de  estações para lavagem das mãos em acampamentos e assentamentos, campanhas de informação pública e pontes aéreas para levar trabalhadores e insumos na América Latina, África e Ásia. As ações serão implementadas pelas agências da ONU, com Organizações Não Governamentais (ONGs) internacionais e consórcios de ONGs tendo um papel direto na resposta.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que a COVID-19 é uma ameaça para toda a Humanidade e por isso “toda a Humanidade deve reagir”. “As respostas individuais de cada país não serão suficientes. Devemos ajudar os mais vulneráveis, milhões e milhões de pessoas que são menos capazes de se proteger. Esta é uma questão básica de solidariedade humana. Também é crucial para combater o vírus”, alertou Guterres.

Os estados-membros foram alertados de que qualquer desvio de financiamento de operações humanitárias existentes poderia criar um ambiente onde cólera, sarampo e meningite poderiam proliferar e no qual mais crianças ficariam desnutridas e onde extremistas poderiam assumir o controle – um solo fértil para o avanço do coronavírus.

Plano de Resposta Humanitária Global do COVID-19 será coordenado pelo Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) e depende de abordagem global - Foto: Gerd Altmann/Pixabay

Foto: Gerd Altmann/Pixabay

‘Crianças são as vítimas ocultas da pandemia’

Como parte do plano global, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) lançou, nesta quarta-feira, um apelo preliminar de R$ 10 milhões para a resposta imediata à crise do coronavírus no Brasil e para mitigar os impactos dela na vida de crianças e adolescentes, em especial aqueles que estão em populações mais vulneráveis.
Embora crianças e adolescentes não sejam os mais afetados pelo coronavírus diretamente, como em todas as emergências e crises humanitárias, são eles os que mais sofrem de maneira indireta. Os isolamentos sociais e o fechamento das escolas estão afetando a educação, a saúde mental e o acesso a serviços básicos de saúde.
A diretora executiva do Unicef, Henrietta H. Fore, alerta que os riscos de exploração, abuso e violência são maiores do que nunca para meninas e meninos. A pobreza pode aumentar, deixando-os ainda mais expostos. Os riscos de exploração e abuso são maiores do que nunca, tanto para meninos quanto para meninas. “As crianças são as vítimas ocultas da pandemia de Covid-19”, disse.
Ela lembrou que há crianças entre as vítimas da pandemia do novo coronavírus e que o fechamento de escolas está afetando a educação, a saúde mental e o acesso a serviços de saúde básicos. “Para crianças em trânsito ou vivendo em conflito, as consequências serão diferentes de tudo o que já tivermos visto. Não podemos deixá-las de lado”, avisou.
“Estamos diante de um desafio mundial e sem precedente, e é urgente aumentar nossos esforços! Por isso, agradecemos a quem já nos apoia. E fazemos um apelo a todos os brasileiros – pessoas físicas, empresas e parceiros -: ajudem-nos a vencer o coronavírus e proteger os que mais precisam do Unicef agora”, defende ela.

Propostas da Unicef

• Reduzir a propagação do coronavírus por meio da divulgação de medidas de prevenção e de informação correta e confiável à população, incluindo áreas remotas, favelas e comunidades, municípios do interior e migrantes. Combater as “fake news”.

• Trabalhar com governos nos níveis federal, estadual e municipal, empresas e sociedade civil para mitigar o impacto da crise e garantir a continuidade dos serviços, adaptados à nova realidade, garantindo:

• Acesso à saúde para mulheres, crianças e comunidades vulneráveis;

• Acesso à educação, mesmo que online ou via rádio e televisão;

• Acesso aos serviços sociais (em particular os Conselhos Tutelares e Cras) e prevenção da violência contra a criança que pode aumentar nesse contexto;

• Acesso à proteção social e, em particular, ao Bolsa Família;

• Apoio para saúde mental, envolvimento e participação dos adolescentes.

• Fornecer suprimentos médicos e de saúde e higiene para lugares e populações em situação crítica, em parceria com setor privado.

• Trabalhar com a Operação Acolhida em medidas imediatas de prevenção, saúde, educação no contexto da crise migratória venezuelana, com foco em crianças e adolescentes migrantes, especialmente em Roraima.

• Monitorar de perto o impacto primário e secundário do surto de Covid-19 no Brasil, produzindo dados para apoiar políticas públicas e ações emergenciais.

As doações para o Unicef podem ser feitas por pessoas físicas e empresas, por meio do sit(doeunicef.org.br) ou pelo telefone 0800 605 2020.

‘Deixar os mais pobres à própria sorte seria cruel e insensato’

O subsecretário-geral de Assuntos Humanitários, Mark Lowcock, lembrou que o novo coronavírus já destruiu vidas em alguns dos países mais ricos e agora está atingindo lugares onde as pessoas vivem em áreas de guerra, onde não há fácil acesso a água limpa e sabão e onde não há expectativa de leito hospitalar se ficarem criticamente doentes.

Deixar os países mais pobres e vulneráveis á própria sorte seria cruel e insensato. Se deixarmos o coronavírus se espalhar livremente nestes países, colocaremos milhões em risco, com regiões inteiras mergulhadas no caos e o vírus terá a oportunidade de circular novamente ao redor do planeta”, afirmou.

Lowcock reconheceu que os países lutando contra a pandemia em casa estão corretos em priorizar as pessoas vivendo dentro de suas comunidades mas que falharão em proteger seu povo se não agirem agora para ajudar os países mais pobres a se proteger.

Nossa prioridade é ajudar estes países a se preparar e continuar a ajudar milhões que dependem da assistência humanitária da ONU para sobreviver. Adequadamente financiada, nossa resposta global irá equipar organizações humanitárias com ferramentas para lutar contra o vírus, salvar vidas e ajudar a conter o avanço da Covid-19 em todo o mundo”, afirmou.

‘Não só por solidariedade, mas também para nos proteger’

O diretor-geral da Organização Mundial de Sáude (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que o virus agora está chegando a países com sistemas de saúde frágeis, incluindo alguns que já estão enfrentando crises humanitárias. “Estes países precisam do nosso apoio – não só por solidariedade, mas também para nos proteger e ajudar a acabar com esta pandemia. Ao mesmo tempo, não podemos lutar contra a pandemia às custas de outras emergências de saúde humanitária”, pediu o dirigente.

“O UNICEF já vem trabalhando em diferentes frentes, como a disseminação de informações confiáveis à população e a busca por soluções para que crianças possam aprender em casa. Com o agravamento da crise, estamos ampliando nossos esforços, com foco nas populações mais vulneráveis: crianças e adolescentes pobres, moradores de periferias e favelas das grandes capitais, moradores de municípios menores e mais pobres na Amazônia e no Semiárido, e migrantes “, explica Florence Bauer, representante do UNICEF no Brasil.

Os quatro dirigentes participaram do lançamento virtual do Plano de Resposta Humanitária Global do COVID-19, por meio de conexão em vídeo. Juntos eles pediram que os estados-membros se comprometam a deter o impacto do COVID-19 nos países vulneráveis e contenham o vírus globalmente ao dar o apoio mais forte possível ao Plano, enquanto mantenham o apoio principal aos apelos humanitários existentes para ajudar mais de 100 milhões de pessoas que já dependem da assistência humanitária da ONU apenas para sobreviver.

Recursos já somam U$ 78 milhões

Coordenado pelo Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), o plano reúne necessidades da Organização Mundial de Saúde (OMS), Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Organização Internacional para Migração (OIM), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Fundo das Nações Unidas para População (UNFPA), ONU Habitat, Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e Programa Mundial de Alimentos (WFP).

Para iniciar o Plano de Resposta, Lowcock liberou 60 milhões de dólares adicionais do Fundo de Resposta Emergencial Central da ONU, elevando o apoio em resposta da pandemia para 75 milhões de dólares. Além disso, fundos conjuntos já alocaram mais de três milhões de dólares.

O novo direcionamento de recursos do Fundo – um dos maiores já feitos – irá contribuir para que o Programa Mundial de Alimentos garanta a continuidade das cadeias de abastecimento e transporte para trabalhadores e produtos de assistência, que a Organização Mundial de Saúde contenha o avanço da pandemia; e que outras agências garantam assistência e proteção humanitária para aqueles afetados diretamente pela pandemia, incluindo mulheres e meninas, refugiados e pessoas em deslocamento. O apoio inclui esforços em segurança alimentar, saúde física e mental, água e saneamento, nutrição e proteção.

principais OBJETIVOS

• Entregar equipamento laboratorial essencial para testes do vírus e suprimentos médicos para tratamento das pessoas;
• Instalar estações para lavagem das mãos em acampamentos e assentamentos;
• Lançar campanhas de informação pública sobre como se proteger e proteger aos outros do vírus;
• Estabelecer pontes aéreas e “hubs” na África, Ásia e América Latina para levar trabalhadores humanitários e suprimentos onde for mais necessário.

O Plano de Resposta Humanitária Global do COVID-19 está disponível aqui.

ONU Brasil, com Redação