A dança como aliada no combate ao câncer

Conheça a história de duas pessoas que conseguiram vencer a doença incorporando a prática da zumba ao tratamento. Atividade física ajuda a prevenir a doença ou melhorar a qualidade de vida durante e depois do tratamento dos tumores

Redação
Edmur e Mônica conseguiram força para encarar o tratamento após conhecer a zumba (Reprodução do Facebook)

O advogado Edmur Pereira de Nascimento, de 60 anos, foi diagnosticado com câncer de próstata aos 52 anos e teve um prognóstico ruim. “Minha médica disse que a situação era muito grave e cuidar da mente e recuperar a felicidade ajudariam no tratamento”.

Para sua supresa, a médica lhe recomendou um remédio, no mínimo, inusitado: a Zumba, estilo de dança presente em mais de 180 países e é praticado por mais de 15 milhões de pessoas semanalmente em todo mundo.

No início, Edmur não acreditou na sugestão, mas resolveu seguir a recomendação. “Participei de uma aula e adorei. Durante uma hora eu ri, cantei, me diverti e esqueci de tudo o que estava me amargurando. Foi então que comecei a praticar a modalidade e nunca mais parei”, conta o advogado que hoje também é instrutor da dança.

Monika Araujo, 42, também encontrou na atividade a determinação para encarar o segundo tratamento contra o câncer na tireoide. “Foi um baque receber a notícia pela segunda vez. Tive que passar por uma cirurgia de retirada e depois enfrentar a rotina das medicações para substituir a função da glândula. Além da minha família e grande fé, a Zumba® ajudou a aliviar minhas tensões e melhorar meu psicológico”.

Faz sentido. Pesquisas contínuas e inovações na medicina melhoraram significativamente a detecção precoce e o tratamento dos diversos tipos de tumores, dando aos pacientes maiores esperanças de sobrevivência e cura. No entanto, a jornada no combate à doença não é fácil e requer perseverança, além do apoio de familiares e amigos.

Uma parte importante no momento do diagnóstico do câncer é reconhecer as emoções e os sentimentos. De acordo com a Sociedade Americana de Câncer, tratamentos que lidam com esses pilares – também conhecidos como intervenções psicossociais – podem ajudar os pacientes a lidarem com o sofrimento, melhorarem a qualidade vida e o bem-estar em todo o processo curativo.

A psicóloga Lilian Nobre ressalta que o corpo e a mente são interligados. “É importantíssimo que as pessoas com câncertenham uma perspectiva positiva sobre sua condição. Se manter ativo e ter uma vida social saudável, pode trazer benefícios para lidar com a doença, o estresse e a fadiga, que são comuns durante o tratamento”.

Aliada no tratamento

Assim como para a população em geral, é essencial que a prática do exercício físico seja prazerosa para os pacientes. “É importante que estejam em um ambiente em que se sintam apoiados e tenham um convívio social. Por isso, a Zumba® pode ser uma alternativa pois, além dos benefícios físicos no manejo dos sintomas, também é uma aula que promove suporte psicossocial”, explica Regina Chamon, médica hematologista e especialista em medicina Integrativa do Centro Paulista de Oncologia.

Segundo a especialista, a prática de exercício físico para os pacientes é importante em todas as fases do tratamento, desde que sejam liberadas pelo oncologista. Pacientes com metástases ósseas, por exemplo, podem ter restrições. “É essencial que a pessoa tenha o hábito de se exercitar. A atividade física ajuda a reduzir os efeitos colaterais causados pela quimioterapia como fadiga, alterações do sono e perda de massa muscular.

E, após o término do processo (quimioterapia, radioterapia ou cirurgia), a prática tem o importante papel de reduzir o risco de doença óssea, além de prevenir futuros problemas como ganho de peso, elevação do colesterol e redução do risco de doença cardiovascular”, acrescenta. O exercício realizado com frequência promove a regulação de neurotransmissores e permite uma alteração na percepção tanto da intensidade da dor quanto da sensação de incômodo que a dor ocasiona.

mAIS QUALIDADE DE VIDA APÓS a doença

Márcio Almeida, médico oncologista da Aliança Instituto de Oncologia, explica que a atividade física é uma importante aliada, não apenas para prevenir a incidência de diversos cânceres, mas para melhorar a qualidade de vida durante e depois do tratamento dos tumores. “O exercício físico é uma das poucas coisas que podemos afirmar com segurança que diminui a reincidência de câncer“, ressalta.

O especialista complementa que “durante o tratamento, se o paciente for liberado pelo médico, os exercícios podem melhorar a disposição, o apetite, bem estar e aumentar a força muscular, que é comprometida durante a quimioterapia”.

Para o preparador físico da Academia Bodytech de Brasília, Talles Sucesso, não existe um tipo de exercício específico para pacientes em tratamento ou pós-tratamento de câncer. “O ideal é se preocupar com a regularidade das atividades que devem ser aplicadas de forma gradual. Manter os exercícios é fundamental”, afirma o personal.

A prática de exercícios reduz a gordura corporal total, o nível de colesterol ruim e, consequentemente, elimina as substâncias que colaboram para o desenvolvimento do câncer.

Atenção aos sinais

O diagnóstico precoce ainda é a melhor forma de combater o câncer. As campanhas de conscientização como o abril azul e lilás atuam de forma efetiva sobre a população. “O intuito das campanhas é de realmente estimular a sociedade a ir ao médico, a procurar por exames preventivos”, ressalta Márcio Almeida. Segundo ele, é de extrema importância ficar atento a determinadas situações:

– Fazer autoavaliação com frequência;
– Observar aparecimento de lesões na boca;
– Manter uma boa higiene oral;
– Evitar fumar;
– Evitar ingestão de bebidas; O excesso de álcool pode causar câncer de boca, língua, garganta,câncer de fígado e câncer de pâncreas;
– Fazer uso de preservativo durante as relações sexuais;
– Manter uma boa higiene íntima.

Da Redação, com Assessorias

 

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