‘A pior parte do trabalho é quando o paciente se vai’, diz assistente social

No Dia do Assistente Social, ViDA & Ação traz relatos de profissionais que atuam na área da saúde com empatia, compaixão e muita persistência

Érica Faleiro, assistente social, diz que a maior tristeza do profissional é quando o paciente se vai (Foto: Divulgação Casa São Luiz)
Neste domingo, 15 de maio, comemora-se no Brasil o Dia do Assistente Social, um profissional importantíssimo para a linha de cuidados em saúde, cujo trabalho é construído à base de empatia, compaixão e muita persistência. Atualmente, a presença destes profissionais é considerada fundamental em diferentes ambientes, como hospitais, clínicas de diálise e casas de repouso para idosos.
Atuando há mais de 15 anos na área, Érica Faleiro, assistente social da Casa São Luiz, a instituição de longa permanência para idosos (ILPI) mais antiga do país, ressalta que, em geral, os idosos se apegam aos assistentes sociais que estão envolvidos nos cuidados do cotidiano. “Neste relacionamento há uma intensa troca sentimental. Nós partilhamos conversas, muitas histórias do passado e, desta forma, conseguimos conhecer mais sobre as famílias. São informações preciosas, inclusive para a dinâmica do nosso trabalho”.

“A pior parte do trabalho é, sem dúvida, quando um idoso se vai. Sempre fica um vazio e mesmo com o passar do tempo, ainda fica na nossa memória as lembranças, pois alguns idosos permanecem tanto tempo junto de nós que os vínculos de afetivos tornam-se muito fortes. Alguns não têm família e o laço é sempre mais intenso. Entretanto, como profissionais, entendemos que este é um processo natural da vida”, destaca.

Para Érica, o trabalho do assistente social junto ao idoso é muito gratificante. “Temos a possiblidade de auxiliá-los quanto aos seus direitos e também partilhar de muitos momentos agradáveis. No dia a dia, buscamos sempre realizar comemorações e tirá-los da monotonia e neste relacionamento também nos divertimos, afinal são momentos de muita alegria”, conta.

‘Meu ouvido é o meu coração’, diz assistente social

A assistente social Luciana Modro, da Fresenius Nove de Julho, diz que o que mais faz é ouvir. (Foto: Divulgação)
assistente social Luciana Modro, que atua na Fresenius Nove de Julho, em São Paulo, explica que gosta muito de conversar, mas que no trabalho, o que mais faz é ouvir.
“Cada história é uma história e nós somos o cartão de visita, somos a ponte para integrá-lo às equipes. Sei que o paciente chega fragilizado e precisa se sentir acolhido. Meu ouvido é o meu coração. Faço uma escuta qualificada para entender as demandas com muito carinho e respeito”.
Ele pode nunca ter ouvido falar em diálise. Ajudamos o paciente a ser protagonista do seu tratamento, com autonomia. Ele precisa entender que a diálise não é o fim, é o começo de uma nova vida. É uma ressignificação. E temos que mobilizar a família, pois todo mundo seguirá na luta desse paciente.

‘Todo paciente é o amor de alguém’, afirma assistente social

Para a assistente social Patricia Nalli, 34 anos, da Fresenius Morumbi, em São Paulo, empatia é a palavra e talvez o segredo. “Uma frase famosa é “o paciente é o amor alguém”, e nessa perspectiva tudo fica muito mais humanizado. Nós escolhemos estar ali. O paciente não tem essa opção. Somos “insistentes sociais”.
‘Nem tudo são flores, mas tudo se torna aprendizado constante quando estamos dispostos e desprendidos de paradigmas. Minha dica aos colegas de profissão é fazer tudo com amor, ética, coração aberto, com qualidade no acolhimento e acompanhamento, mantendo uma relação saudável com o paciente.”
Para a assistente social Patricia Nalli, da Fresenius Morumbi, empatia é a palavra e talvez o segredo: ‘o paciente é o amor alguém” (Foto: Divulgação)

Segundo a assistente, os momentos marcantes na sua trajetória dariam um livro. “Desde o retorno após uma longa internação, até ver o paciente emocionado quando algum familiar se oferece como doador de rim, ou quando um paciente recupera a função renal e passa para o tratamento conservador. Uma vez eu estava na sala de diálise quando o paciente recebeu a ligação dizendo que havia um rim para o seu transplante. Foi uma emoção e uma alegria imensa.

Todos acabam se envolvendo. Uma outra vez teve uma visita inesperada na clínica de um filho que estava vivendo fora do país. Foi tão bonito. Outra história marcante é porque tivemos um paciente que ficou com sequelas de covid, e voltou da internação dependente de cadeiras de rodas e oxigênio contínuo, e aos poucos foi melhorando e hoje está com bengalas, mas com total autonomia. São muitos momentos marcantes”, relata.

Assistente social é vital com envelhecimento

Para Renata Santos, Érica Faleiro e Mariana Senra, assistentes sociais na Casa São Luiz, que funciona há mais de 130 anos no bairro do Caju, Zona Portuária do Rio, a presença destes profissionais em uma ILPI é um diferencial ao escolher um local para que seu familiar seja bem acolhido.

“O Assistente Social é essencial em uma ILPI, visto que o mesmo é capaz de contribuir positivamente para o bem estar do idoso, atendendo desta forma também as famílias, contribuindo assim com o fortalecimento dos vínculos, além de dar o suporte necessário para resolução de demandas”, diz Érica Faleiro.

Mariana Senra, assistente social, diz que ainda existe muito preconceito com as casas que acolhem idosos (Foto: Divulgação Casa São Luiz)

Elas lembram que a realidade social do idoso torna-se cada dia mais urgente no país, já que a população brasileira está envelhecendo. O crescimento da expectativa de vida traz consigo a probabilidade de dependência entre os idosos, abrindo espaço para um debate mais amplo.

No Brasil, nem todos os 60+ ou 70+ têm estrutura para viverem em sociedade de forma segura e saudável, o que leva muitos a se mudarem para instituições de longa permanência para idosos também conhecidas como residenciais. Neste cenário, um profissional se faz extremamente importante: o assistente social.

É ele quem atua em residenciais para idosos e, na prática, mostra que a cultura do abandono não pode ser mais aceita. É o Assistente Social o profissional que também recebe familiares e acolhe os idosos que buscam um espaço seguro para o dia a dia.

“No Brasil, ainda existe muito preconceito por institucionalizar um idoso e isso pode estar relacionado ao histórico dos antigos espaços asilares. Sabemos que por muita das vezes este momento é muito difícil para as famílias, eles se sentem muito culpados em tomar essa decisão, mas existem situações no cotidiano que a mudança se faz necessária”, explica Mariana Senra.

A Casa São Luiz vem construindo uma ponte entre a sua história centenária e as necessidades do mundo contemporâneo. Focada na melhor qualidade de vida do indivíduo 60+, a instituição é a única ILPI do Rio de Janeiro que possui uma gerontóloga em seu quadro de colaboradores.Entre seus residentes, 14% são atendidos por filantropia.

Hoje possui uma infraestrutura de hotel e equipe de enfermagem completa, com coordenadores, supervisores, técnicos e auxiliares de enfermagem, e cuidadores, que trabalham 24 horas por dia, dando suporte integral a todos para maximizar as condições de saúde e bem-estar dos residentes.

Acolhimento em clínicas de diálise é fundamental

Nilce Nascimento, assistente social na Clínica de Doenças Renais (CDR) Taquara (Foto: Divulgação)
Nas clínicas de diálise, esse profissional se destaca por um trabalho que começa desde o acolhimento quando o paciente chega à clínica até os encaminhamentos e orientações sobre os benefícios que os pacientes possam ter direito nas diversas áreas como: previdência, assistência social, transportes e medicamentos gratuitos, isenção de impostos, entre outras.
De acordo com Nilce Nascimento, assistente social na Clínica de Doenças Renais (CDR) Taquara, nos três primeiros meses o atendimento continuado é direcionado para diagnosticar as dificuldades do paciente até que haja entendimento completo sobre todas as orientações, que incluem: acesso à farmácia de medicação de alto custo, a importância da confecção e cuidados com a fístula, a necessidade de adesão ao tratamento, entre outros aspectos.
“É muita informação para absorver. Ao final do trimestre, esperamos que eles se apropriem das informações e orientações, se empoderem, pratiquem autocuidado e possam conviver bem com o tratamento e ainda continuem ou voltem ao mercado de trabalho, quando possível”, diz.
Patricia Nalli, assistente social da Fresenius Morumbi, complementa. “Nosso trabalho se inicia com uma anamnese e avaliação socioeconômica para conhecer melhor o paciente, entender a sua dinâmica familiar e dessa forma ter a certeza do perfil para melhor abordagem. Não existe um padrão”.
Segundo ela, cada paciente apresenta sua particularidade, história de vida, cultura, crenças, fase de negação, entre outras. “Gosto muito de acompanhar a evolução do paciente, e principalmente, na recuperação da sua autonomia. Após o início do tratamento, sempre reforço que hemodiálise é vida. Eu acompanho quem vai fazer transplantes. E é muito bom quando chega o tão sonhado dia”, relata.
Entre as atividades  implementadas que fazem muito sucesso entre os pacientes, estão bingo, rodas de conversa, sorteios de brindes, testes cognitivos, desenhos, caça-palavras. “Há uma infinidade de atividades de lazer que podem trazer mais entrosamento, relaxamento.  São muitas horas numa máquina, e eles precisam de entretenimento e socialização”.
Com Assessorias

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