Agentes comunitários de saúde vão atuar contra fake news

Projeto A Casa treina agentes comunitários e de endemias para ajudar a combater fake news junto às populações

“Macaco com febre amarela transmite a doença para pessoas”; “Vacina tríplice viral causa autismo; a da gripe provoca gripe; as contra sarampo e coqueluche provocam microcefalia”; “Adesivo para pele é capaz de curar diabetes”; “Chá de erva-doce cura a gripe”. Estas são algumas das fake news que já circularam por aí. Para enfrentar essa verdadeira epidemia, instituições se uniram para capacitar os agentes comunitários de saúde e endemias para que atuem também no combate a essas e outras fake news.

São mais de 370 mil agentes de saúde e endemias atuantes nos 5570 municípios brasileiros. Atuantes na conscientização sobre prevenção primária e diagnóstico precoce de doenças, assim como para o controle de doenças infecciosas como Zika, dengue e Covid-19, os agentes comunitários de saúde (ACSs) e agentes de combate às endemias (ACEs) são essenciais para a promoção da saúde, contraponto às fake news que impactam a população e fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Com a proposta de dar visibilidade para o papel destes agentes, assim como oferecer um ambiente para treinamento, aprimoramento profissional e compartilhamento de experiências, o Instituto de Pesquisa e Apoio ao Desenvolvimento Social (IPADS), com apoio da Johnson & Johnson, anuncia o lançamento da A Casa, um espaço de conexão do ACS e ACE. O projeto reúne o Conselho Nacional de Secretarias Municipais (Conasems) e a Confederação Nacional dos Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate às Endemias (Conacs).

Camila Benvenuto, especialista em saúde pública e e diretora executiva do projeto A Casa, destaca que no dia a dia, o ACS visita as famílias em suas casas, ouve e está atento aos relatos, assim como identifica problemas e orienta. É a ponte entre as pessoas e o Programa Saúde da Família.

“O ACE também atua in loco nas casas e outros espaços para identificar e evitar condições favoráveis ao desenvolvimento de focos para a proliferação de doenças potencialmente endêmicas, como dengue, malária, Zika, doença de Chagas, Covid-19, etc.  Os ACSs e ACEs também promovem ações educativas para a população”, explica.

 

De acordo com Thiago Trapé, doutor em saúde coletiva e coordenador do A Casa, os agentes vivem a rotina das casas e da população local. “Eles acompanham o contexto de cada comunidade e o perfil epidemiológico da região em que atua. O trabalho destes profissionais é essencial, por exemplo, para adesão da população à vacinação e conscientização sobre cuidados básicos para prevenção de doenças crônicas e infecciosas”, ressalta.

Os agentes comunitários de saúde e endemias têm o potencial de reverter e ser um transformador das fake news no território nacional. Para isso, A Casa nasce como um ambiente nos quais os agentes tenham acesso a informação objetiva, adequada e baseada em evidência científica e, com isso, sejam capazes de suprimir qualquer dúvida mais geral das pessoas assistidas.

Saúde mental, do idoso e da mulher

A primeira live, nesta segunda (16), às 19 horas, no facebook do Conacs – quando o projeto será lançado oficialmente—, aborda a saúde mental. O tema surgiu após questionário feito por A Casa com 295 agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias das cinco regiões do país. Os temas sobre os quais os agentes gostariam de receber mais informação são saúde mental, saúde do idoso, saúde da mulher, calendário vacinal e cuidado com a pessoa com deficiência.

O principal ambiente de acesso de informação por estes profissionais é o digital. O consumo diário de internet é realidade para 98% dos entrevistados. Já o consumo diário cai para televisão (60%), rádio (24,1%), jornal impresso (4,7%) e revista impressa (2,7%). O contato com a web se dá principalmente pelo celular/smartphone (98,01%). Um terço dos profissionais não têm acesso à internet por computador em casa e 4 entre 10 não acessam a internet no computador no local de trabalho.

As três principais redes sociais acessadas são o Facebook (por 92,40% dos entrevistados), YouTube (89,5%) e Instagram (85,78%). Elas superam o interesse por TikTok (43,06%), Twitter (17,28%) e Linkedin (7,6%). Entre os respondedores, 81,9% são mulheres e 18,1% são homens.

A CASA já disponibiliza conteúdo qualificado no instagram/acasadosagentes e facebook/acasadosagentes. Em breve, será lançado o canal no YouTube e o site oficial www.acasadosagentes.org.br.

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