Por que é tão importante doar leite materno durante a pandemia de coronavírus?

Especialistas explicam benefícios da doação de leite materno. Veja como funcionam os bancos de leite do Rio de Janeiro

Banco de leite do Hospital da Mulher teve queda de 10% nos quatro primeiros meses do ano (Foto Divulgação)

Em meio ao cenário incerto da pandemia, muitas mulheres não sabem como agir para evitar a transmissão e contaminação do bebê durante a amamentação. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a Organização Mundial de Saúde (OMS), não há evidências sobre a transmissão vertical do vírus da gestante para o feto e por meio do leite materno. Ainda segundo os órgãos oficiais, mesmo durante a pandemia, o aleitamento materno continua sendo fator importante para estimular o desenvolvimento do bebê.

Entretanto, durante a pandemia, de acordo com a Rede Brasileira de Bancos de Leite (rBLH-BR), houve uma queda no número de doações desde março. O Banco de Leite Humano (BLH) é responsável por ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, como também pela execução de atividades de coleta, seleção, classificação, processamento e controle de qualidade e distribuição do leite materno.

O Brasil é o país com a rede mais extensa de BLH do mundo, possuindo mais de 200 unidades. São atualmente 224 bancos de leite funcionando e, entre os anos de 2000 e 2019, 2.7 milhões de recém-nascidos foram beneficiados com quase 3 milhões de litros de leite humano, segundo o relatório Série Documentos – rBLH em Dados, da Rede Brasileira de Bancos de Leite.

Os BHL são unidades de apoio e acolhimento para muitas mães. Eles incentivam o aleitamento materno, dão suporte às mulheres com dificuldades na amamentação, cumprem a notável missão de atender bebês prematuros internados em UTIs Neonatal, além de contar com uma equipe de profissionais que dão o suporte necessário a mães e bebês atendidos na rede.  

No Rio, bancos de leite humano mantêm doações estáveis

Apesar das medidas de isolamento decorrentes da pandemia de coronavírus, as doações nos 17 Bancos de Leite Humano (BHL) no Estado do Rio de Janeiro e oito postos de coleta se mantiveram na média de anos anteriores. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES), de janeiro a julho, as 408 doadoras do Hospital Estadual da Mulher (HMulher) e as 221 do Hospital Estadual Adão Pereira Nunes (HEAPN) doaram 458,6 litros de leite, que foram distribuídos para 518 bebês.

A marca foi alcançada por causa da estrutura de visita domiciliar ofertada pelas duas unidades, que busca o leite a ser doado na residência das lactantes cadastradas. Ao todo, este ano, foram 10.952 atendimentos individuais realizados pelos BLH do HMulher e do HEAPN, sendo 865 visitas domiciliares. Comparando 2019 e 2020, a rede de BLH de todo o estado teve um aumento de cerca de 20% das doações.

A doação de leite materno é fundamental para o desenvolvimento de bebês prematuros e imunodeprimidos. Independentemente das circunstâncias, bebês que dependem de leite doado não podem esperar. Fazermos a busca ativa pelas doações, mesmo durante a pandemia, foi decisivo para continuarmos a salvar vidas”, diz o secretário de Estado de Saúde, Alex Bousquet.

Bancos de leite seguem novos protocolos de biossegurança

Em meio à pandemia de coronavírus, os bancos de leite humano (BLH) de todo o país tiveram um novo desafio com a necessidade de revisão dos protocolos de biossegurança. Mulheres apresentando sintomas gripais ou que tiveram contato com pessoas suspeitas de Covid-19 estiveram impedidas de realizar doações por quinze dias.

Além desse reforço de cuidado, cada leite recebido pelos BLH passa ainda pelos processos de higienização e verificação da integridade da embalagem, análise sensorial, controle físico-químico, pasteurização, além de controle de qualidade microbiológica.

Além da coleta externa, os BLH tanto do HEAPN quanto do HMulher, contam ainda com equipes multidisciplinares especializadas em amamentação nos próprios hospitais, que instruem as novas mães sobre como amamentar e auxiliam eventuais dificuldades. As orientações podem ser passadas individualmente ou em grupo, com a organização de palestras.

Como ser uma doadora


Toda mulher que amamenta é uma possível doadora de leite materno. Para doar, basta ser saudável, sem sintomas de infecções, e não tomar medicamento que interfira na amamentação.

O leite extraído deve ser armazenado em potes de vidro com tampa plástica e pode ficar no freezer ou no congelador por até 10 dias.

Não há uma quantidade mínima para ser doada e a mulher pode realizar o procedimento quantas vezes quiser em sua fase de amamentação.

É importante saber que a cada litro, até 10 bebês internados são beneficiados.

As doações podem ser feitas nos BLH ou nos postos de coleta da sua cidade. Alguns BLH oferecem o serviço de visita domiciliar, que buscam a doação na casa da doadora.

Os Bancos, além de ceder os recipientes para a doação, instruem sobre o manejo correto e sobre cuidados que as lactantes devem ter ao coletar o leite, e procedimentos pré e pós-coleta.

Para mais informações, acesse https://rblh.fiocruz.br/localizacao-dos-blhs ou ligue para o Disque 136.  

Quem não é lactante e quiser integrar dessa corrente do bem, pode participar entregando nos BLH os recipientes para armazenamento do leite materno: frascos de vidro com tampa plástica.

Como e quando doar leite materno?

A médica da família e pediatra Milen Mercaldo, do Hospital Anchieta de Brasília, afirma que já não há dúvidas de que o leite materno é o padrão ouro da alimentação para os lactentes. Também é inquestionável que o aleitamento é fundamental, desde a sala de parto, exclusivo e em livre demanda até o 6º mês e estendido até 2 anos ou mais.

São indiscutíveis os benefícios fisiológicos, psicológicos e sócio-econômico-culturais da prática do aleitamento materno para a díade mãe/bebê”, afirma. A especialista acrescenta que o ato de amamentar constrói laços de segurança e amor entre mãe e filho, com reflexos na estrutura psicológica da pessoa para toda a vida.

Mas como e quando doar leite materno? Ele pode ser congelado? Como deve ser coletado? E a mãe que trabalha, como pode cuidar da amamentação do filho? Para esclarecer essas e outras dúvidas, a Dra Milen listou alguns cuidados. Confira:

Doação: Como e quando fazer?

Segundo a pediatra toda mulher que esteja amamentando é uma potencial doadora de leite materno, independentemente da idade do filho em amamentação, desde que esteja em boas condições de saúde, com excesso de leite e que se disponha a doar voluntariamente. “A doação pode ser feita nas unidades de Banco de Leite. A mãe doadora pode fazer o cadastro no Disque Saúde 160, opção 4, pelo site Amamenta Brasília ou pelo aplicativo disponível em IOS e Play Store, explica.

Coleta de leite materno


A coleta de leite humano pode ser feita em casa e doada às unidades de Banco de Leite do DF. A mãe doadora deve efetuar a coleta da seguinte maneira:
Primeiro coloque os dedos polegar e indicador na borda da aréola (parte escura da mama);

– Firme os dedos e empurre para trás em direção ao corpo;

– Comprima suavemente um dedo contra o outro, repetindo esse movimento várias vezes até o leite começar a sair;

– Despreze as primeiras gotas e inicie a coleta no frasco e ao terminar, fechar bem o vidro, colocar a data da primeira coleta e guardar imediatamente no congelador da geladeira ou no freezer por até 10 dias.

  • Solicitar e agendar a coleta pelo Disque 160, opção 4. A Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal, a SES/DF, tem uma parceria com o Corpo de Bombeiros para recolher o leite nas casas das doadoras.

Como oferecer leite humano em casa?


1. Guardar o leite retirado do peito na primeira prateleira da geladeira, somente se for utilizar nas 12 horas seguintes à coleta.
2. Estocar em congelador ou freezer por, no máximo, 15 dias.
3. Lavar as mãos e braços com água e sabão.
4. Colocar água potável em uma panela em quantidade suficiente para ultrapassar o nível do leite no frasco.
5. Aquecer até a temperatura tolerável, sem queimar os dedos.
6. Desligar o fogo. Colocar o frasco com o leite na água aquecida. Agitar o frasco para facilitar o aquecimento.
7. Caso o leite esteja congelado, repetir o processo até que não reste nenhuma pedra de gelo.
8. O leite que restar no frasco pode ser guardado na 1ª prateleira da geladeira por, no máximo, 12 horas.
9. Dar o leite sempre em colher ou copinho, devidamente limpos e fervidos.

E as mamães que precisam se ausentar?


Toda mãe que precise se ausentar de casa por motivo de trabalho, estudo etc. ou que tenha seu filho internado (prematuro ou doente), deve aprender a coletar, conservar e armazenar o leite para o próprio filho. “Retirando leite, a mãe mantém a produção e seu filho é alimentado adequadamente quando ela precisar se ausentar”, diz a médica.

Ela continua: “bebês alimentados somente com leite humano, nos primeiros seis meses de vida, e que continuam mamando até os dois anos ou mais, são mais fortes, saudáveis e inteligentes”.
• Nunca recongele o leite humano.
• Nunca deixe seu filho mamar no peito de outra mulher e não ofereça leite que não seja seu ou do banco de leite.
• Não utilize chucas, mamadeiras ou chupetas, porque elas atrapalham a amamentação, podendo o bebê até deixar de mamar.

Primeiro Mamaço Virtual

Conhecido como Agosto Dourado, o mês de agosto simboliza a luta pelo incentivo à amamentação – a cor dourada está relacionada ao padrão ouro de qualidade do leite materno. E para celebrar esse ato e reforçar sua importância, a Crescer, em parceria com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), vai realizar o 1º Mamaço Virtual nesta quinta-feira, dia 7 de agosto, às 17h, dia que encerra a Semana Mundial do Aleitamento Materno 2020. Para participar da transmissão ao vivo, as mães devem se inscrever neste formulário e, após receberam o link, é só acessar enquanto amamenta seu bebê.

Durante o “mamaço” virtual, acontece também uma bate-papo online com a participação da atriz Gisele Itié, mãe de Pedro, de cinco meses, e dos pediatras Renato Kfouri, presidente do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria; Moises Chencinski, presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria de São Paulo; e Luciano Borges Santiago, presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria. Com mediação de Ana Paula Pontes, editora-chefe da Crescer, eles vão conversar com as mães e tirar dúvidas sobre amamentação e imunização.

A ideia do encontro virtual é montar uma rede de apoio – ainda que virtual – para levar informações e mostrar as vantagens da amamentação para mães que enfrentam desafios diários por falta de apoio, informações erradas, palpites e preconceitos. Além disso, os especialistas vão mostrar a importância do aleitamento materno para a saúde da mãe e do bebê.

Com Assessorias

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