Alto consumo de gordura aumenta risco de câncer colorretal

Terceiro tipo de câncer mais comum no mundo e o segundo que mais mata no Brasil não costuma estar entre os mais conhecidos da população

Redação

Para o ano de 2020, são esperados mais de 15 milhões de casos novos de câncer no mundo. A estimativa é da Organização Mundial da Saúde (OMS), que alerta para os tumores de maior incidência entre homens e mulheres. A estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) é de que 596 mil novos casos da doença surjam este ano. Destes, 34.280 serão somente de câncer de cólon e reto – ou colorretal, popularmente conhecido como câncer de intestino. 

O terceiro tipo de câncer mais comum no mundo e o segundo que mais mata no Brasil não costuma estar entre os mais conhecidos da população. Embora seja pouco divulgada, a doença está entre um dos tipos de câncer mais incidentes no país, com mais de 36.300 casos em 2018. O tumor que se desenvolve no intestino grosso é o segundo tipo mais comum nas mulheres (após o de mama) e o terceiro nos homens – atrás do de próstata e pulmão.

A alta taxa de mortalidade assusta, especialmente considerando que é um tumor com grandes chances de cura quando é diagnosticado precocemente. Quando diagnosticado em seu estágio inicial, o câncer colorretal tem mais de 90% de probabilidade de cura. Mas, de acordo com especialistas, o preconceito ou a falta de informação podem levar diversos pacientes a iniciarem o tratamento quando o problema já está em estágio avançado.

Para mudar esse cenário de desconhecimento, foi criada a campanha Setembro Verde, de conscientização sobre a prevenção do câncer colorretal. O principal objetivo é divulgar informações sobre a doença e estimular a prevenção e o diagnóstico precoce.

De acordo com Daniel Fernandes Saragiotto, oncologista da clínica OncoStar e membro do Grupo de Tumores Gastrintestinais do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), a incidência de câncer colorretal está associada à má alimentação. “Grande parte dos pacientes que desenvolvem esse quadro clínico possui uma dieta à base de muita gordura e pobre em alimentos com fibras”, descreveu o especialista.

Uma dieta balanceada e rica em fibras e exames preventivos podem aumentar muito as chances de recuperação. Realizar atividades físicas e manter de três a cinco refeições por dia baseadas em frutas, legumes, verduras, grãos e carnes brancas são alguns dos cuidados que podem evitar a ocorrência do câncer de intestino ou colorretal. Outra boa notícia é que esse tipo de câncer vem se apresentando como um dos mais fáceis de se tratar após diagnóstico precoce.

Exames preventivos a partir de 45 anos

O oncologista Ricardo Cembranelli explica que o câncer de colorretal abrange tumores que acometem um segmento do intestino grosso (o cólon) e o reto, sendo tratável na maioria dos casos e curável, ao ser detectado antes de se espalhar para outros órgãos.

Exames preventivos são indicados para pessoas a partir dos 50 anos – não importando o sexo, pois a incidência é semelhante. A atenção deve ser redobrada para pacientes com histórico familiar da doença. Nos Estados Unidos os órgãos de saúde reduziram de 50 para 45 anos a idade inicial para os exames preventivos e checagem periódica – já que, no país, o consumo de gordura é alto. 

A idade recomendada para início de seguimento com colonoscopia, baixou recentemente de 50 para 45 anos. Mas pessoas com história familiar positiva podem precisar de começar até mais cedo”, enfatiza Cembranelli.

A endoscopista da Cia. da Consulta, Bruna Luz, também recomenda iniciar a prevenção do câncer colorretal a partir dos 45 anos. “Manter os exames em dia é essencial para acompanhar a saúde e evitar complicações. A colonoscopia pode identificar e remover alguns tipos de pólipos, pequenas lesões semelhantes a “verrugas” que podem crescer na parede do intestino grosso ou reto”, sugere.  

Outro fator inerente ao exame preventivo é a possibilidade de o paciente passar por formas de tratamento menos invasivas. “Em muitos casos conseguimos fazer a ressecção do tumor durante a própria colonoscopia, que é um dos exames mais assertivos para essa doença”, complementou o oncologista. 

A especialista alerta ainda para outras maneiras de prevenir a doença, como aderir hábitos saudáveis. “Além de cessar o tabagismo, o paciente deve cuidar também da alimentação. Opte por uma dieta rica em fibras, com ingestão de frutas e verduras, baixo consumo de gordura e prática regular de atividades físicas”, finaliza.

Os principais sintomas

Dores abdominais e sangue nas fezes podem ser sintomas de um dos tipos de câncer que mais atinge homens e mulheres na meia idade. “Na maioria dos casos, a doença não apresenta sintomas, mas o paciente pode ter dores abdominais associadas a anemia, fraqueza, perda de peso, diarreia ou constipação e fezes escuras com ou sem sangue”, explica a endoscopista da Cia. da Consulta, Bruna Luz.

É importante ressaltar que em alguns casos o câncer colorretal é assintomático. Por isso, os exames preventivos são a melhor forma de diagnosticar a doença e iniciar o tratamento mais indicado”, comentou Saragiotto. 

Bruna lembra que o tratamento do câncer colorretal vai depender do estágio da doença, da lesão e do tamanho. Por isso, vale reforçar a importância de estar alerta, já que ele pode se desenvolver mesmo sem apresentar sintomas e, se descoberto no início, tem grandes chances de cura.

Conheça os principais sintomas:

  • Constipação intestinal: dificuldade para evacuar e alteração na quantidade de fezes eliminadas;
  • Sangue: as fezes podem sair com concentrações visíveis de sangue, porém, existem casos em que a quantidade é pequena o suficiente para o paciente não notar;
  • Afilamento: esse sintoma também está ligado às fezes, que assumem texturas mais finas;
  • Dor e perda de peso: dores na região do ventre ou perda de peso sem explicação também fazem parte dos sintomas que indicam que a doença já está em um estágio mais avançado.

Cuidado especializado com pacientes que passam por cirurgia

A Sobest – Associação Brasileira de Estomaterapia: estomias, feridas e incontinências aproveita o Setembro Verde para promover a orientações sobre o cuidado especializado que muitos pacientes que passam por cirurgia no tratamento desta doença podem necessitar.

O mais importante é trabalhar com a prevenção do câncer colorretal. Entre os fatores de risco, não se deve desconsiderar a existência de história familiar, em especial de parentes de primeiro grau com adenomas diagnosticados, especialmente antes dos 60 anos de idade; · história pessoal pregressa de adenomas ou câncer de mama, ovário ou endométrio; · história de doenças inflamatórias intestinais como a colite ulcerativa crônica e doença de Crohn e certas condições hereditárias, como a polipose adenomatosa familiar e o câncer colorretal hereditário sem polipose.

Caso haja sinais como sangramentos retais, presença de muco nas fezes, mudanças no hábito intestinal, perda de peso, cansaço/ fraqueza, anemia, o serviço de saúde seja acionado o mais rapidamente possível para que sejam realizadas as investigações necessárias e assim, caso seja realmente um câncer, este possa ser tratado com agilidade e eficiência”, destaca a presidente da Sobest, Maria Angela Boccara de Paula.

Cuidados com a alimentação, ingesta de fibras, prática de exercícios físicos e desenvolvimento de hábitos de vida saudáveis são essenciais para manter o corpo em boas condições e, portanto, contribui para prevenir inclusive o câncer do intestino. A realização de exames específicos, como a colonoscopia, em pessoas com mais de 50 anos é uma medida de prevenção importante.

Qualquer sinal de sangue ou muco nas fezes deve ser comunicado ao médico e deve ser investigado, bem como a presença de lesões ou qualquer área na região perianal com características diferentes das normalmente observadas também devem ser avaliadas pelo profissional.

Setembro Verde: cuidados com o câncer colorretal

Por Maria Angela Boccara de Paula*

O Câncer do intestino é um dos cânceres mais prevalentes na população em geral, estando entre os 5 tipos mais frequentes de cânceres. Assim, é fundamental que ações preventivas sejam tomadas por todos nós.  É importante conhecer os principais fatores de risco relacionados ao desenvolvimento do câncer do intestino: idade maior ou igual a 50 anos e alimentação pobre em frutas, vegetais e fibras e rica em gordura animal.

Além destes não se deve desconsiderar a existência de história familiar, em especial de parentes de primeiro grau com adenomas diagnosticados, especialmente antes dos 60 anos de idade; · história pessoal pregressa de adenomas ou câncer de mama, ovário ou endométrio; · história de doenças inflamatórias intestinais como a colite ulcerativa crônica e doença de Crohn e certas condições hereditárias, como a polipose adenomatosa familiar e o câncer colorretal hereditário sem polipose.

A prevenção é fundamental para que a detecção precoce aconteça. Assim é de extrema importância que ao se apresentar sinais como sangramentos retais, presença de muco nas fezes, mudanças no hábito intestinal, perda de peso, cansaço e fraqueza, anemia o serviço de saúde seja acionado o mais rapidamente possível para que sejam realizadas as investigações necessárias e assim, caso seja realmente um câncer, este possa ser tratado com agilidade e eficiência.

Cuidados com a alimentação, ingesta de fibras, pratica de exercícios físicos e desenvolvimento de hábitos de vida saudáveis são essenciais para manter o corpo em boas condições e, portanto, contribui para prevenir inclusive o câncer do intestino. A realização de exames específicos, como a colonoscopia, em pessoas com mais de 40 anos é uma medida de prevenção importante.

Qualquer sinal de sangue ou muco nas fezes deve ser comunicado ao médico e deve ser investigado, bem como a presença de lesões ou qualquer área na região perianal com características diferentes das normalmente observadas também deve ser avaliada pelo profissional.

Conhecer seu corpo é muito importante, buscar informações e realizar exames de rotina e atividades e hábitos saudáveis pode contribuir de maneira expressiva na prevenção do câncer do intestino”, afirma

Quando é necessário usar bolsa de colostomia

Em alguns casos cirúrgicos, o paciente pode precisar usar uma bolsa coletora, quando a operação gerar uma estomia, uma nova comunicação do intestino para o meio externo. Muitas vezes grande número de pacientes não tem acesso ao enfermeiro estomaterapeuta, o profissional qualificado para dar todo o suporte e cuidar de pessoas com estomias.

Desde 2017 a Sobest divulga a campanha “Eu mereço um estomaterapeuta”, para conscientizar a população sobre os direitos e cuidados aos pacientes e discutir a expansão da especialidade no país. O estomaterapeuta é o profissional que vai ajudar durante todo o processo, desde o pré-operatório, na preparação e orientação sobre a estomia e os equipamentos coletores, entre outras informações para diminuir a ansiedade do paciente e familiares.

Também auxilia na recuperação fisiológica e no processo de reabilitação do paciente, com ensino do autocuidado, prevenção de possíveis complicações, acompanhamento pós-operatório até o encaminhamento para o Programa de atenção às pessoas com estomias nos polos de atenção, em que em geral também se encontra o enfermeiro estomaterapeuta”, destaca Angela Boccara.

 

Com Assessorias

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