Apesar da fama de vilão, colesterol é uma molécula do bem

Colesterol só é ruim quando níveis estão em excesso. Essencial ao corpo humano, mas não em excesso, o colesterol alto pode causar doenças cardiovasculares sérias. Teste seus conhecimentos

Redação

Herói e vilão. Engana-se quem acredita que o colesterol é do mal. No nosso corpo existe um tipo de gordura essencial na manutenção de funções do organismo, mas o seu excesso pode causar doenças. O colesterol é produzido pelo fígado e está presente nas células do cérebro, nervos, músculos, pele, intestinos e coração, além de auxiliar na produção de hormônios.

A produção é essencial ao organismo por desempenhar funções vitais, ser matéria-prima na produção de hormônios, do ácido biliar que regula a digestão e da vitamina D, além de fazer parte da construção de membranas celulares.

“Essa molécula é muito importante ao nosso organismo, pois faz parte das membranas celulares, então é necessário termos uma taxa adequada de colesterol, e essa taxa varia entre crianças e adultos. O colesterol, que é uma molécula ‘do bem’, só passa a ser um vilão quando está em excesso no nosso organismo”, explica Osmar Monte, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo – SBEM-SP.

Ele explica que a formação de vários hormônios depende do colesterol, como os das gônadas (ovários e testículos) e das glândulas suprarrenais, aquelas que ficam acima dos rins e são responsáveis pela síntese do cortisol, por exemplo. O colesterol presente na dieta é absorvido pelo intestino e a capacidade de absorção é limitada para cada pessoa, de acordo com a genética de cada um. “Pessoas com hipocolesterolemia, ou seja, níveis muito baixos de colesterol têm aumento do risco de ter câncer”, conta o endocrinologista.

Em excesso, no entanto, o colesterol pode ser prejudicial e quase metade da população brasileira passa por esse problema, ou seja, quatro a cada dez adultos estão com o nível do colesterol alto. E esse aumento do colesterol pode causar doenças cardíacas sérias. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) as Doenças Cardiovasculares (DCV) representaram mais de 30% dos óbitos e em países em desenvolvimento, como o Brasil, contabilizam mais de três quartos das causas de morte.

O aumento no índice de colesterol é mais comum nas mulheres (25,9%) do nos homens (18,8%), de acordo com a Pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel).

Quatro em cada 10 brasileiros têm colesterol alto

Dia Nacional de Combate ao Colesterol, lembrado em 8 de agosto, foi criado para aumentar a conscientização na prevenção de doenças cardiovasculares. Em pesquisa divulgada no ano passado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, quatro em dez brasileiros adultos têm nível de colesterol alto e quase 70% só realizou o exame após os 45 anos de idade. O levantamento foi feito com mais de 800 pessoas de todo o Brasil.

Em janeiro, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) publicou uma nova versão das Diretrizes de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose que reúne as recomendações sobre colesterol e triglicérides. A mudança foi iniciada pelos Estados Unidos e Europa e prevê que pessoas com risco cardíaco muito alto devem manter o LDL abaixo de 50 miligramas por decilitro (mg/dl) de sangue. Antes a recomendação era de 70 miligramas por decilitro. 

Conheça os tipos de colesterol

Segundo João Greco, médico emergencista de uma das unidades a administradas pela Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar noPaís, é importante saber que existem dois tipos de colesterol: o HDL (do inglês High Density Lipoprotein), é a gordura boa do corpo, responsável pela limpeza do organismo. Já o LDL (também do inglês Low Density Lipoprotein), é a gordura considerada ruim.

“Quanto maior o nível do colesterol LDL, aumentam as chances de ter uma doença aterosclerótica, que é caracterizada pelo acúmulo de gordura nas artérias do coração, nas carótidas – que são as artérias do pescoço que levam o sangue até o cérebro – e na própria artéria do cérebro. Isso pode gerar o infarto e o AVC, o Acidente Vascular Cerebral”, explica Greco.

O colesterol bom, o HDL, faz a prevenção desse acúmulo de gordura. Além da produção do fígado, parte do colesterol do nosso corpo vem dos alimentos. O médico explica ainda que um conjunto de fatores é necessário para garantir que os níveis de colesterol se mantenham dentro da normalidade. “Para ter o colesterol controlado é importante ter uma alimentação saudável e praticar atividade física, o que ajuda a aumentar o HDL”, acrescenta.

Exame de sangue pelo menos uma vez por ano

Manter os níveis de HDL e LDL controlados é fundamental para prevenir doenças cardiovasculares. De acordo o Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA Brasil), em 2016, mais de 45% da população brasileira apresentava níveis de colesterol elevado. No ano passado, o InterHeart, que investiga os principais fatores de risco para infarto em países da América Latina, apontou que 57% dos casos de infarto no Brasil foram ocasionados pelo alto índice de colesterol.

De acordo com Thiago Midlej, cardiologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, é importante que as pessoas saibam quais são os seus índices de colesterol, sobretudo quando há histórico familiar de doenças cardiovasculares e LDL elevados. É recomendado que pessoas na faixa dos 20 anos já tenham dosado os níveis de colesterol. O ideal é fazer o exame de sangue pelo menos uma vez ao ano para descobrir se os níveis de LDL estão elevados, dessa forma, é possível prevenir a progressão da doença e realizar o tratamento adequado.

Tratamento varia de pessoa para pessoa

“O tratamento é individualizado, mas seguir uma dieta equilibrada, rica em verduras, frutas e legumes, além da ingestão de pouca gordura animal, é essencial para todos os perfis de pacientes”, alerta o especialista. O médico também diz que, para aqueles que já têm o diagnóstico de colesterol alto e por isso, já fazem uso de medicamentos, é preciso aliar ao tratamento uma boa alimentação e a prática regular de atividades físicas. “O exercício físico potencializa a ação das medicações, reduzindo assim, o colesterol ruim”, diz Midlej.

O colesterol, aliás, é um tipo de álcool dissolvido em gorduras e é fundamental para o funcionamento do organismo e na produção de vitamina D, de hormônios sexuais e do Cortisol (hormônio do metabolismo de proteínas), sendo importante no processo de regeneração celular. Além de ser produzido pelo organismo, ele pode ser encontrado em alimentos de origem animal, como nas carnes vermelhas e em ovos. Embora importante, a presença excessiva de colesterol estimula a formação de placas de gordura nas paredes das artérias, obstruindo o fluxo sanguíneo.

O médico ainda explica que as medicações para o controle da doença devem ter indicação de um especialista, a fim de conseguir a orientação correta quanto à dosagem adequada.

Mudança no estilo de vida

De acordo com Greco, o tratamento para controlar o colesterol começa com alterações no estilo de vida. “O paciente é orientado a abandonar todos os alimentos ricos em gorduras e ingerir comidas mais saudáveis. Se isso não for suficiente, a utilização de medicamentos pode ser necessária, mas sempre com recomendação médica”, enfatiza.

Para a nutricionista Jussara Prado, da Pró-Saúde, as carnes gordurosas, frituras e fast-foods, são os grandes responsáveis. Enquanto alguns alimentos colaboram para o aumento do mau colesterol, outros ajudam a saúde.

“É necessário consumir as gorduras boas, como abacate, castanhas, linhaça e os próprios vegetais. O suco de uva natural, feito com a fruta roxa, é excelente, bem como a ingestão de salmão e sardinha, que são ricos em Ômega 3”, explica a profissional.

A nutricionista ressalta que é preciso ter atenção aos níveis de colesterol desde a infância. Jussara explica que as crianças entre 9 ou 10 anos já tem colesterol alto, pois a alimentação mudou. “A base da dieta passou a ser de comidas industrializadas, como biscoitos recheados, sorvetes e lanches. Isso faz com que o colesterol já esteja elevado nessa idade, o que gera o aumento de peso, mais um fator agravante para a qualidade de vida”, reforça.

Colesterol – tire suas dúvidas

Qual é a relação do colesterol alto com doenças cardiológicas? 

colesterol é uma substância lipídica normal que o nosso organismo produz e que é essencial para várias funções vitais do mesmo. Quando se encontra elevado torna-se potencialmente perigoso e aumenta o risco de desenvolver doenças cardiovasculares.

Como prevenir as doenças cardiológicas?

A prevenção de doenças cardiovasculares engloba bons hábitos alimentares associado a exercícios físicos regulares

Qual a diferença entre os tipos de colesterol?

Lipoproteína de baixa densidade (LDL) é conhecido como “mau” colesterol ou colesterol ldl (C-LDL). Já o Lipoproteína de alta densidade (HDL) é tido comocolesterol “bom” ou colesterol hdl (C-HDL). O primeiro age retirando o colesterol ruim da circulação. Com o passar do tempo, este último se fixa nas paredes das artérias, o que pode resultar em uma obstrução pela formação de uma placa de ateroma.

A cada dez brasileiros, quatro estão com o nível de colesterol alto. A que se deve isso? Alimentação?

Os hábitos de vida, como alimentação não adequada, rica em gorduras e carboidratos, juntamente ao sedentarismo, na grande maioria das vezes, estão associados a esse aumento. Porém, uma pequena parcela também possui o fator genético como resultado.

Colesterol alto pode ser genético?

Sim, existem alterações do colesterol que podem ser de característica familiar, é chamada de Dislipidemia familiar quando vários membros da mesma família podem ser acometidos.

Como reduzir o colesterol ruim? Algum alimento ajuda nesse processo?

Para alcançar níveis adequados de HDL, o colesterol bom, a recomendação é manter hábitos saudáveis, dieta rica em nutrientes, controlar o peso e praticar atividade física. Isso deve ser parte da rotina.  Como os triglicerídeos podem diminuir a produção do colesterol bom, é preciso controlar também esses índices e isso é possível evitando a ingestão excessiva de açúcares, carboidratos e bebidas alcoólicas. Já para diminuir os níveis do LDL, uma dieta saudável não é o bastante, nem o baixo consumo de gorduras saturadas e trans, responsáveis apenas por 15% na redução desse colesterol ruim. No caso de paciente com fatores de risco associados e colesterol elevado, as mudanças de hábitos não são suficientes, sendo necessária a prescrição de medicamentos específicos para controle do colesterol.

Qual a importância do Dia Nacional de Combate ao Colesterol?

É muito importante para a conscientização da população, acima de tudo para um alerta, sobre o fator de risco para doenças cardiovasculares. Além disso, um fator de risco, na maioria das vezes modificável, é a atuação precoce que previne várias doenças, bem como ajuda a obter uma melhor qualidade de vida.

TESTE SEUS CONHECIMENTOS

Neste quiz é possível testar os seus conhecimentos sobre o colesterol: http://bit.ly/2ZpGjFv

Da Redação, com Assessorias

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