Asma mata três pessoas a cada dia no Brasil – e no inverno é pior

Especialistas mostram como diagnosticar e tratar a doença que acomete cerca de 20 milhões de brasileiros. Conheça também as dúvidas mais comuns sobre a doença

Redação

Não à toa, na data que marca o início do inverno no Brasil, 21 de junho, também se lembra os cuidados com a Asma – doença que se manifesta de forma mais crítica nesta estação do ano.  A preocupação não é para menos: estima-se que, pelo menos três brasileiros morrem diariamente em decorrência da asma, segundo o Ministério da Saúde.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) são 235 milhões de pessoas em todo o mundo com a doença crônica. No Brasil sabe-se que a asma acomete cerca de 10% da população. Segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), a doença, que atinge 30 em cada 100 crianças brasileiras, está entre as principais causas de hospitalização infantil.

Somando ao número de adultos, a asma é a quarta maior causa de hospitalização no país com cerca de 400 mil internações por ano.  Segundo dados do Ministério da Saúde, aproximadamente 20% da população asmática brasileira enfrenta a patologia de forma grave e 5% dos casos está sem controle.

A asma faz parte do rol das doenças alérgicas e inflamatórias com maior incidência durante a estação. A temperatura cai um pouco e as doenças respiratórias aumentam, entre elas gripe, resfriado, rinite, sinusite e asma. A baixa umidade do ar, a variação climática e o aumento das infecções virais no período favorecem o aumento das crises, podendo levar o paciente a ser internado.

No Dia Nacional de Controle da Asma (21 de junho), especialistas lembram os cuidados para quem vive com a doença, a atenção aos fatores que possam desencadear uma crise asmática, e o alerta para os sintomas para diagnóstico. Como esta é uma doença potencialmente grave que pode levar à morte, é fundamental fazer acompanhamento com especialista para manter controle sobre a falta de ar e utilizar medicação de forma correta e contínua.

“Trata-se de uma doença sem cura e que precisa ser levada a sério”, alerta Priscila Osório, alergologista do Grupo Fleury,  detentor das marcas Felippe Mattoso e Labs a+ no Rio de Janeiro. “Apesar de ser uma doença crônica e sem cura, o tratamento atual é bastante eficaz e pode melhorar muito a qualidade de vida do paciente”, completa João Salge, pneumologista do Grupo Fleury.

Tempo frio e seco pode agravar sintomas da asma

Predisposição por fatores genéticos, exposição à ácaro, mofo, fumaça de cigarro e poeira, por exemplo, abrem portas para que a doença se instale. E pode causar tosse, chiado, opressão no peito, e falta de ar. As oscilações bruscas de temperatura, com os dias mais secos e poluídos, tendem a agravar os sintomas, e provoca o aumento na produção de muco e inflamação dos bronquíolos.

Algumas vezes não há como prever que a asma vai se manifestar. Por isso, os meses frios durante o outono e inverno são um momento oportuno para consultar um pneumologista para uma reavaliação. Além do tratamento convencional com medicamentos e com vacinas contra gripe e pneumonia, Dr. Genta comenta que a educação do paciente e de sua família são fundamentais: “É importante evitar a exposição aos fatores alergênicos que desencadeiam os sintomas, como pelos de animais, poeira e umidade, além de ficar atento aos sintomas de falta de ar e chiado no peito”, afirma o pneumologista Pedro Genta, do HCor.

asma é uma doença crônica e, por isso, necessita de acompanhamento contínuo. Embora não tenha cura, o asmático pode ter uma vida absolutamente normal, e inclusive praticar exercícios físicos com acompanhamento médico, além de manter os sintomas sob controle com o uso de medicamentos, como broncodilatadores, anti-inflamatórios e corticoides. Um estudo realizado pela Faculdade de Medicina da USP mostrou que os sintomas da asma diminuem em até 70% quando o paciente pratica exercícios aeróbico“, explica dr Pedro Genta.

O QUE É e dúvidas mais comuns

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, que ocasiona a obstrução da passagem do ar aos brônquios, dificultando o controle da respiração. É caracterizada por falta de ar, sibilos (assobios agudos durante a respiração), tosse e dor no peito, e se apresenta de duas formas: alérgica e não alérgica. A dra Priscila Osório explica que a asma alérgica é a mais comum, principalmente nas crianças.

Ela é desencadeada por alérgenos inalantes como ácaros, pólens e fungos, mas também exercícios físicos, infecções respiratórias e medicamentos estão entre outras possíveis causas. A asma não alérgica é aquela onde não há alérgenos inalantes como desencadeantes, sendo a mais comum a chamada asma eosinofílica”, esclarece.

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Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico da doença começa com uma avaliação clínica e exame físico, posteriormente podem ser necessários exames como a espirometria e testes alérgicos para demonstrar a presença da alergia como causa.

De acordo com a especialista, existem dois tipos de tratamento para a asma e a escolha entre eles vai depender da classificação da mesma: o tratamento de crise, quando na maioria das vezes faz-se o uso de broncodilatadores; e o tratamento de controle, quando se faz necessário o uso de medicamento por período mais prolongado entre as crises, a fim de tentar manter o paciente mais tempo assintomático e com a doença sob controle. “Hoje em dia tem surgido também novos tratamentos para casos mais graves e estes devem ser avaliados de forma individualizada”, comenta Dra. Priscila.

Segundo Dr. João Salge, o tratamento é fundamental para controle dos sintomas, o que provê ganho de qualidade de vida, reduz absenteísmo no trabalho/escola. “Além disso, o bom controle evita o risco de remodelamento brônquico, que é um fenômeno de modificação estrutural das vias aéreas (que ficam mais espessas com o tempo em virtude dos ciclos acumulados de inflamação), gerando perda progressiva da função respiratória”, explica.

Após o diagnóstico e descoberta da causa, deve-se evitar o fator causal. Se a doença for de origem alérgica, por exemplo, é preciso manter os ambientes limpos e arejados. “A boa adesão ao tratamento, seguindo corretamente as orientações médicas, também é importante para evitar novas crises. Ao reconhecer o início de uma crise, caso necessário, procurar atendimento o quanto antes para evitar a progressão para quadros mais graves”, acrescenta Dra. Priscila.

Da Redação, com Assessorias (HCor e Grupo Fleury)

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