Atividade física é aliada na prevenção do câncer de rim

Prática regular reduz risco em até 22% e exercícios moderados, com até 15%. Três em cada quatro pacientes não se exercitam

As neoplasias malignas, mais conhecidas como câncer, têm apresentado crescimento exponencial em todo o mundo. No Brasil, a estimativa é de 625 mil novos casos apenas em 2020.  O câncer renal é um dos que mais crescem em número de casos, com estimativa de aumento de 22% até o final deste ano em todo o mundo. Considerada relativamente incomum, a doença atinge 150 mil pessoas no mundo, em sua maioria homens na faixa etária de 50 aos 70 anos.

Por se tratar de uma doença silenciosa, tem 30% dos diagnósticos realizados em estágios avançados ou já em fase de metástase. Por conta dessa descoberta tardia, um em cada dois pacientes diagnosticados com tumores renais acaba morrendo, de acordo com o Organização Mundial da Saúde (OMS). Neste dia 18 de junho, Dia Mundial do Câncer Renal, especialistas destacam a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.

Estudos mostram que ser fisicamente ativo reduz o risco de câncer de rim em até 22% e, mesmo que a pessoa já tenha recebido o diagnóstico da doença, exercícios moderados podem contribuir com até 15% nos resultados do tratamento e reduzir potenciais efeitos causados pelo câncer, como fadiga, ansiedade e depressão, além de melhorar a qualidade de vida. Apesar disso, de acordo com a IKCC, rede internacional independente de organizações de pacientes que se dedica à conscientização sobre o câncer de rim, três em cada quatro pacientes com câncer de rim atualmente não fazem atividade física regularmente.

Sabemos o quão benéfico é para a nossa saúde adotar um estilo de vida saudável que inclua a prática regular de atividade física, inclusive, como ferramenta de prevenção para algumas doenças, como o câncer renal. Daí a importância de apoiar campanhas como essa que visam aumentar a conscientização sobre como atividades simples e prazerosas, como caminhar, correr, praticar yoga ou andar de bicicleta, por exemplo, ajudam a promover a melhora do condicionamento físico e o bem-estar e até mesmo reduzir o risco de desenvolver doenças graves”, destaca o oncologista Fernando Maluf.

Atualmente um terço dos pacientes são diagnosticados com câncer de rim em fase metastática. Cerca de 20% a 30% dos diagnósticos são feitos em estágios avançados da doença. Estes são alguns dos resultados da pesquisa inédita ‘A percepção do brasileiro sobre o câncer de rim: prevenção, diagnóstico e tratamento’, realizada com 2 mil pessoas com mais de 18 anos pelo Ibope Inteligência em parceria com Instituto Oncoguia, Pfizer e Instituto Vencer o Câncer.

Principais resultados:

• 47% não sabem ou acham que é falsa a associação entre sedentarismo e o câncer de rim. Este número sobe para 54% entre os participantes acima de 55 anos, os mais afetados pela doença.
• 43% não sabem ou acham que é falta a associação entre peso corporal e o câncer de rim. Este número sobe para 50% entre os participantes acima de 55 anos.
• 76% acreditam no mito de que beber dois litros de água por dia é uma forma de prevenção do câncer de rim. A medida embora seja uma boa prática para a saúde do órgão não previne o câncer.
• 86% não associam o aumento do volume do abdômen com a doença, um sintoma bastante presente.

Falta de informação leva a diagnóstico tardio

Uma pesquisa realizada no Brasil com 1.885 voluntários apontou que a alta prevalência de fatores de risco para a insuficiência renal crônica e a conscientização inadequada da população sobre esse tipo de câncer contribuem para a detecção tardia da doença: 45% dos indivíduos da amostra receberam o diagnóstico em estágios 4 ou 5.

Nesse grupo, metade dos pacientes faz hemodiálise regular, e chama a atenção que um terço não considera a doença controlada, ressaltando a urgência de ampliar a orientação e a adesão às medidas de controle. Isso pode ajudar a explicar também o significativo índice de hospitalizações (70% dos pacientes foram internados alguma vez), bem como o impacto da doença na qualidade de vida.

Pacientes diagnosticados no estágio 1 da doença apresentam uma sobrevida de 81% em cinco anos, quando comparado a 8% no caso dos pacientes que receberam o diagnóstico em estágio 4. Dependendo do estágio da doença, o médico poderá combinar diferentes tipos de tratamento, realizados por uma equipe multidisciplinar, o que poderá contemplar cirurgia, terapia-alvo, quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e imuno-oncologia.

#FALAÍ: CAMPANHA DE PREVENÇÃO REÚNE ATLETAS

Para alertar a população sobre os riscos da doença e a importância da prevenção, o Brasil recebe pelo segundo ano consecutivo a campanha “#FALAI: câncer de rim – precisamos falar sobre atividade física”, uma iniciativa do IKCC (International Kidney Cancer Coalition), rede internacional independente com sede na Holanda, que reúne diversos grupos de pacientes com câncer renal de interagir, cooperar e compartilhar materiais, conhecimentos e experiências.

No Brasil, as organizações sociais Instituto Espaço de Vida e o Instituto Oncoguia – integrantes do IKCC, estão à frente da campanha. Em 2020 este movimento ganhou mais força com o Instituto Lado a Lado pela Vida, o Instituto Vencer o Câncer e a  Associação Brasileira de Enfermagem em Oncologia e Onco-Hematologia (ABRENFOH), que resolveram abraçar essa causa, que também conta com o apoio da empresa Bristol Myers Squibb (BMS).

Ex-jogador de futebol Denilson é embaixador da campanha sobre câncer renal (Foto: Reprodução de internet)

No Brasil, a campanha, que acontece de 9 a 24 de junho em formato digital com uma série de ativações digitais e uma live especial no dia 18 de junho com o oncologista Fernando Maluf, fundador do Instituto Vencer o Câncer, levará o nome Fala Aí (#Falai) e terá como embaixador o ex-jogador da Seleção Brasileira, Denilson (foto), contando com outros atletas, como o craque Neto e Tande, ex-jogador de voleibol, além de influenciadores digitais.

Para saber mais sobre a campanha 2020, clique aqui.

mais de 6 mil casos por ano no brasil

Embora seja pouco conhecido, o câncer de rim está entre os 10 tipos de câncer mais comuns no mundo, com maior prevalência entre homens, cuja idade média de diagnóstico é 64 anos. Todos os anos, 338 mil pessoas no mundo são diagnosticadas com câncer renal. No Brasil, esse número gira em torno de 6.270 casos.

Segundo a American Cancer Society (ACS), nos EUA, em 2018 foram estimados cerca de 63 mil novos casos de câncer renal, sendo 42 mil em homens e 22 mil em mulheres, além de 14 mil óbitos.

O Instituto Nacional do Câncer (Inca) revelou em 2018 um cálculo aproximado da estimativa do número de casos para tumores de rim no Brasil: 6.270, afetando 3.760 homens e 2510 mulheres.

fumo na adolescência pode ser causa

câncer renal tem causas variadas como tabagismo, obesidade, hipertensão arterial, insuficiência renal terminal e histórico familiar, bem como algumas síndromes clínicas raras, presença de doença renal cística adquirida, uso prolongado de analgésicos não esteroides, e exposição ocupacional a alguns agentes como cádmio e derivados de petróleo, entre outros.

Começar a fumar na adolescência pode ser um dos fatores associados à morte por câncer de rim na vida adulta e, além do tabagismo, pessoas acima do peso têm maior propensão de desenvolver câncer renal, pois a obesidade pode causar alterações no organismo, favorecendo o aparecimento da doença. Pressão alta também é um fator de risco para câncer renal, mesmo que o indivíduo mantenha o controle com remédios.

Fumantes têm o dobro de chances de desenvolver câncer de rim

Esse tipo de câncer, geralmente, não apresenta sintomas no início do quadro, mas alguns hábitos podem servir de alerta para uma consulta ao médico, principalmente para os fumantes, que têm o dobro de chances de desenvolver esse tipo de câncer.

Os sintomas mais comuns de câncer de rim incluem sangue na urina, dor lombar de um lado, massa (caroço) na lateral ou na parte inferior das costas, fadiga, perda de apetite, perda de peso, febre e anemia. Como esses sinais possam ser provocados por outras doenças, muitas vezes acaba fazendo com que as pessoas não deem tanta atenção aos sinais.

Um pequeno número de pacientes tem massa abdominal palpável, dor e presença de sangue na urina. Outros sintomas tais como, falta de ar, emagrecimento e dores ósseas podem ser consequência das metástases da doença.

30% dos casos em estágio avançado

Os médicos se utilizam de alguns tipos de exames para diagnosticar o câncer renal, que incluem histórico familiar, exames físicos, exames laboratoriais e de imagem. Quando detectado, cerca de 30% dos casos já se apresentam em estágio avançadoou seja, o câncer já se encontra em outros órgãos.

Em seus estágios iniciais, o câncer de rim costuma apresentar poucos sintomas e, muitas vezes, seu diagnóstico é feito como um achado ocasional em exames de imagem realizados por outras razões”, destaca Andrey Soares, oncologista do Centro Paulista de Oncologia (CPO), unidade paulista do Grupo Oncoclínicas.

A confirmação do diagnóstico só é possível após a análise do patologista que muitas vezes ocorre após abordagem cirúrgica da lesão ou biópsia de alguma metástase.

cinco diferentes tipos de câncer renal

Carcinoma Renal de Células Claras: conhecido com RCC (Renal Cell Carcinoma) é o mais comum, ocorrendo em 70% a 90% dos casos. Ele tem origem no tubo responsável por filtrar as purezas do sangue.

Carcinoma Papilar: Menos comum, este câncer atinge cerca de 10% a 15% dos casos. É um tipo agressivo que pode causar metástase. Costuma causar obstrução das vias urinárias, gerando dor. Existe o carcinoma papilar tipo 1 e o tipo 2.

Carcinoma Renal Cromófobo: Ocorre em cerca 5% dos casos e é considerado um dos menos agressivos.

Ductos Coletores: Tipo de câncer extremamente raro que afeta uma estrutura do rim chamado Tubo de Bellini.

Sarcomatóides: Em geral ocorre em concomitância aos outros tipos, principalmente ao carcinoma de células claras, sendo um componente do mesmo e com características mais agressivas.

Tratamento

O oncologista Andrey Soares explica que a escolha do tratamento depende de fatores variados desde o tipo e extensão do câncer até as condições clínicas do paciente, podendo incluir cirurgia e/ou terapias de alvo molecular. Este é um tumor que não responde à quimioterapia, a exceção são os tumores do ducto de Bellini.

Temos obtido excelentes resultados no uso da imunoterapia isolada ou combinada entre elas ou com terapia alvo no tratamento de tumores renais. Atualmente no Brasil já disponível para uso isolado na falha de um tratamento inicial”, finaliza o oncologista do CPO.

Com Assessorias

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