Atividade física reduz risco de morte por câncer e doenças crônicas

Três em cada 100 mortes registradas no ano passado no país podem ter sido influenciadas pelo sedentarismo. Iniciar atividade física após 40 anos traz benefícios semelhantes a quem inicia na adolescência, diz estudo

Redação

Três em cada 100 mortes registradas no ano passado no país podem ter sido influenciadas pelo sedentarismo, alerta o Ministério da Saúde neste Dia Mundial da Atividade Física, celebrado em 6 de abril. Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) apontam que dos 1,3 milhão de óbitos registrados em 2017, 34.273 mil estão relacionados às doenças como o diabetes, o câncer de mama e o de cólon e cardiovasculares.

Males que estão relacionados à falta da atividade física no dia-a-dia. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o sedentarismo é considerado o quarto maior fator de risco de mortes no mundo. Por isso, praticar esportes, sejam de baixo ou de alto impactos, é fundamental para o corpo e para a mente. Além de prevenir as Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) ligadas ao excesso de peso, como a hipertensão e o diabetes; as cardiovasculares e a alguns tipos de cânceres, o exercício regular desencadeia uma série de efeitos benéficos ao corpo.

Caminhada, lutas e outras modalidades esportivas melhoram o condicionamento físico também auxiliam o controle de peso, aliviam o estresse, melhoram a qualidade do sono, entre outros benefícios que podem ser observados.

Não tem idade para começar

Quando se fala em vida saudável, a indicação dos médicos é sempre a mesma: alimentação equilibrada e exercícios físicos regulares. Seguindo esta receita é possível prevenir uma série de doenças cardiovasculares e até mesmo câncer – e a boa notícia é que nunca é tarde para se beneficiar dos efeitos das atividades físicas.

Estudo do National Cancer Institute, da California Polytechnic State University e do Centers for Disease Control and Prevention, realizado com 300 mil participantes, revelou que indivíduos que mantiveram algumaatividade física (entre 2-7 hora por semana) ao longo da vida, tiveram menor risco de morte durante o período do estudo.

Os pesquisasadores descobriram ainda que aqueles que estavam inativos no início da idade adulta, mas começaram a se exercitar mais tarde na vida, experimentaram benefícios similares àqueles que estavam continuamente ativos.

Segundo o levantamento – que foi publicado na plataforma científica “JAMA Network Open” – tanto homens quanto mulheres que praticam atividade física regularmente entre 40 e 61 anos, têm uma queda de 43% no risco de morte por doenças cardiovasculares e 16% no caso de tumores malignos. O mais curioso é que os números são similares em relação aos que iniciaram aos 15 anos.

Pelos resultados é possível analisar que o corpo de uma pessoa na meia-idade reage positivamente aos estímulos dos exercícios”, explica Bernardo Garicochea, oncologista e especialista em genética do Centro Paulista de Oncologia – unidade de São Paulo do Grupo Oncoclínicas.

Queda em mortes por câncer, AVC e infarto

Levantamentos realizados entre 1980 a 2000 focavam em grupos nos quais a atividade física era intensa. A queda de mortalidade por doenças cardiovasculares e por câncer de todos os tipos já se mostrava evidente.

De acordo com o especialista, naquela época as pessoas não representavam uma amostra da população real, além do que, quem é capaz de ser ‘quase atleta’ por décadas também tem hábitos de vida muito mais saudáveis do que a maioria da população, criando um fator de confusão.

Mais recentemente, os estudos passaram a ser realizados com pessoas mais representativas da média da população e os ganhos com atividade física moderada (três vezes por semana por 30 minutos, por exemplo), mantinha a queda de diagnósticos de câncer.

“A nossa percepção neste momento é que a atividade física moderada seja suficiente para reduzir o risco para câncer, mesmo que iniciada entre 40 e 60 anos. Possivelmente essas explicações estão associadas a redução de obesidade, modificação de padrão hormonal e de níveis de insulina, menor dano observado no DNA das células causados por radicais livres, além da capacidade de regeneração celular”, finaliza.

Homens se exercitam mais que as mulheres

Dados da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2017) apontam que 37% dos brasileiros que moram nas capitais praticam atividade física pelo menos 150 minutos por semana, o recomendado pela OMS. Os homens (43,4%) se exercitam mais do que as mulheres (31,5%). A faixa de 18 a 24 anos é a mais ativa, 49,1% da população tem o esporte inserido no cotidiano, seguidos pelos de 25 a 34 anos (44,2%).

O levantamento também aponta que 47% dos brasileiros que praticam atividade física possuem 12 anos ou mais de escolaridade, enquanto 23,3% têm de 0 a 8 anos de escola. As capitais brasileiras onde se pratica mais atividade física são: Distrito Federal (49,6%), Palmas (45,9%) e Macapá (45,5%) enquanto que São Paulo (29,9%), João Pessoa (34,45) e Recife (35,2%) têm os piores índices.

Da Redação, com Assessorias