BCG: para que serve a vacina que deixa marquinha no braço para o resto da vida?

Obrigatória desde 1976 no SUS, a vacina da BCG, que deixa cicatriz no braço, está fazendo 100 anos na proteção contra a tuberculose. Entenda

Obrigatória desde 1976 no SUS, a vacina da BCG, que deixa cicatriz no braço, protege contra a tuberculose (Reprodução de internet)

Nunca se falou tanto da importância das vacinas para a saúde como no momento em que vivemos, por conta dos vários imunizantes para combater a pandemia do novo coronavírus. Nesse contexto, diversas outras vacinas oferecidas gratuitamente na rede pública ganham destaque no enfrentamento de doenças infectocontagiosas tão graves quando a Covid-19 e que podem levar à incapacidade física ou mesmo à morte.

Uma dessas vacinas é a BCG (sigla para Bacilo de Calmette e Guérin), que protege contra a tuberculose e está completando 100 anos nesta quinta-feira (1/7). Para quem não está ligando a sigla à vacina, a BCG é aquela que tomamos na infância e que deixa uma marquinha no braço para o resto da vida. No Dia da Vacina BCG, comemora-se o centenário do imunizante, criado em 1921 pelos cientistas franceses Léon Calmette e Alphonse Guérin.

O imunizante é fundamental na prevenção da tuberculose, doença que, até hoje, mata milhares de pessoas todos os anos. A doença é provocada por bacilo, que atinge principalmente os pulmões e que, se não tratada, pode provocar sérios problemas respiratórios, expectoração com sangue, emagrecimento, fraqueza e até a morte. Hoje, o Brasil o 18º com o maior número de casos de tuberculose em todo o mundo. Desde 1976, o Ministério da Saúde tornou obrigatória a administração da BCG na infância.

Recomenda-se que a vacina seja aplicada em crianças de até quatro anos, de preferência no bebê recém-nascido. Em jovens e adultos, o imunizante somente deve ser aplicado por recomendação médica, em situações específicas: se surgir algum caso na família ou em pessoa com a qual se convive, é preciso ir a um posto de saúde para realizar exames diários e complementares. Tratada desde o início, a tuberculose é curada com eficácia.

A tuberculose é transmitida entre pessoas, pelo ar, tosse, espirro ou fala. Os principais sintomas são febre ao final do dia, tosse, fraqueza, cansaço e perda de peso. Conforme estimativas da OMS, dois bilhões de pessoas, ou seja, um terço da população mundial, estão infectadas pelo Mycobacterium tuberculosis. Nove milhões desenvolverão a doença e dois milhões morrerão a cada ano.

Precisamos enfrentar o problema e conscientizar a sociedade sobre a necessidade de prevenção, inclusive neste momento em que lutamos contra a pandemia de Covid-19, para a qual a tuberculose é uma das mais graves comorbidades”, afirma o médico pneumologista Álvaro Gradim, presidente da Associação dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo (AFPESP).

Gradim salienta que outro problema no Brasil apontado pela OMS é que cerca de 20% dos doentes não são diagnosticados. Por isso, muitos casos somente são descobertos após a internação ou até mesmo óbito. “Por isso, em situação de qualquer suspeita, como tosse incessante por mais de duas semanas, é importante procurar um médico”. Vida saudável, bom sono, alimentação correta e higiene são as melhores formas de prevenção em jovens e adultos.

O presidente da AFPESP ressalta a importância de uma mobilização permanente contra a doença, envolvendo o poder público, a sociedade e as famílias. “É preciso divulgar sempre a questão, para que possamos reduzir a incidência da tuberculose no Brasil”. Diagnostica e tratada precocemente, de modo correto, a doença apresenta altos índices de cura.

Vacinas ajudaram a erradicar poliomielite e varíola

Entre os grandes avanços mundiais na área da saúde, a erradicação, em todo o território nacional, de doenças infecciosas como a poliomielite (paralisia infantil) e a varíola se deu graças aos esforços e à dedicação de sanitaristas e infectologistas. A invenção das vacinas significou uma revolução na saúde pública ao proteger a população de várias doenças. As vacinas ganham ainda mais relevância no contexto da pandemia, quando se reforça a importância da campanha de combate à Covid-19.

No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS), por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI), garante o acesso gratuito a 19 vacinas, que protegem contra mais de 40 doenças.  Criado pelo Ministério da Saúde (MS) em 1973 com o objetivo de oferecer todas as vacinas com qualidade à população que nasce no país, o PNI foi institucionalizado em 1975.

Em 1977, o primeiro Calendário Nacional de Vacinação trazia como obrigatórias quatro vacinas no primeiro ano de vida: a BCG, contra tuberculose; a vacina oral contra a poliomielite (VOP); a vacina contra Difteria, Tétano e Coqueluche (DTP); e a vacina contra o sarampo. Ainda na lista de doenças com prevenção por meio da vacinação estão meningite, caxumba, rubéola, hepatites virais, gripe, pneumonia, tuberculose e febre amarela.

Sempre reforçamos que é necessário que a população fique atenta às campanhas, e compareça aos postos de saúde para se vacinar. A vacina contra a gripe, por exemplo, é tão importante quanto a da Covid-19 porque ajuda a prevenir os casos graves e óbitos de julho a setembro, período de sazonalidade da doença no Brasil”, esclarece o subsecretário de Vigilância e Atenção Primária à Saúde Mário Sérgio Ribeiro.

O subsecretário alerta, ainda, para a importância do cumprimento do esquema vacinal na imunização contra a Covid-19:- É importantíssimo que as pessoas retornem aos postos de saúde para tomar a segunda dose e completar esse ciclo. Somente dessa forma haverá a garantia de imunização contra a doença. Mesmo para aqueles que já tomaram as duas doses, é recomendado manter os protocolos sanitários, tais como o uso de máscaras, higienização das mãos e evitar aglomerações.

Com Assessorias

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