Black Friday: 4 em cada 10 brasileiros compram por impulso

11% ficaram com nome sujo na praça em 2018, diz pesquisa. Especialista dá dicas para manter o autocontrole e não ser enganado por falsas promoções

Redação

Uma das datas mais aguardadas pelo consumidor e pelo varejo, a Black Friday, chega em sua 10ª edição no país nesta sexta-feira (29). Este ano, a ação deve refletir um amadurecimento do consumidor, cada vez mais consciente em tomar cuidado para garantir as melhores ofertas e não ser enganado. É o que aponta pesquisa realizada em todas as capitais do país pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). 

Apesar de seis em cada dez entrevistados (57%) terem planejado a maioria das suas compras na Black Friday de 2018, 42% reconhecem ter comprado por impulso e 11% ficaram com o nome sujo. Um em cada cinco entrevistados admite que costuma gastar mais do que pode com as compras no período de promoção (22%).

Ainda mais preocupante é o fato de que 7% pretendem deixar de pagar alguma conta para aproveitar as ofertas, e muitos desses potenciais compradores estão inadimplentes (22%).  Dentre os consumidores que ficaram negativados por causa de compras feitas no período, 8% já limparam o nome e 3% ainda estão com restrição no CPF.

Apesar disso, 81% dos que fizeram compras consideram que valeu a pena. Para a maioria (91%), os descontos anunciados pelas lojas foram reais e 86% não encontraram problemas com as compras. Apenas 12% enfrentaram algum tipo de contratempo, especialmente com os descontos não aplicados ao efetuar o pagamento (4%). Entre os que tiveram problema na edição passada, 60% destacam que conseguiram resolvê-lo, embora 40% não tenham conseguido.

Dicas para não cair em fraudes

Lançada no Brasil em 2010, a Black Friday é considerada a maior e a mais esperada liquidação do ano pelos consumidores e lojistas, a data vem ganhando força a cada ano e só fica para trás do Natal. Todos os anos, os consumidores sofrem com uma série de problemas que vão desde atrasos nas entregas a armadilhas como falsas promoções. Pensando nisso, a especialista em Desenvolvimento Humano Rebeca Toyama desenvolveu dicas para os consumidores não caírem nas fraudes e manter um consumo consciente.

A especialista alerta os consumidores manterem um consumo mais consciente, fazendo uma lista de desejos e prioridades, além de ter um planejamento financeiro bem definido para aproveitar as oportunidades da Black Friday e não ficar no vermelho. É importante saber separar o que é realmente uma necessidade, do que algo que o consumidor vai comprar, somente porque o preço está atrativo.

“Depois de fazer o seu planejamento financeiro e um compilado dos produtos que você precisa, o segundo passo é listar possíveis sites onde poderá adquirir os produtos e acompanhar quais deles estará com o melhor preço.”, afirma a especialista.

Praticar o autocontrole em momentos de compras, por exemplo, é algo primordial para não cair em cilada e não comprar compulsivamente, pois por diversos motivos os consumidores são induzidos por apelo ao consumo, como no caso dos aplicativos de lojas e comidas que sempre enviam cupons e ofertas imperdíveis.

“Não somos treinados a tomar decisões, e por isso acabamos tomando ações no presente que comprometerão nosso futuro. Nosso cérebro tem uma relação com o tempo um pouco complexa e prolixa, não consegue relacionar a atual situação financeira com as pequenas decisões tomadas no dia a dia. E por isso, precisamos incluir um planejamento, limites e metas para que não tomemos ações contrárias à realidade que gostaríamos de viver no presente e futuro.”, finaliza a expert.

5 dicas para não cair em ciladas

Diante de estudos feitos em psicologia e economia comportamental, onde apontam diversos vieses que podem levar os consumidores tomar decisões irracionais, a especialista Rebeca Toyama preparou 5 dicas para os consumidores aproveitarem as compras sem cair em ciladas:

1- Faça um planejamento: De acordo com a sua lista de desejos, organize suas prioridades e faça um planejamento financeiro para definir o valor a ser gasto sem comprometer o orçamento. Assim, a armadilha do consumismo não irá prejudicar suas finanças.

2- Mantenha as prioridades: Você vai se deparar por diversas “tentações”, amigos, familiares e até os próprios anunciantes podem tentar te convencer de que todo mundo vai comprar aquele produto e que você precisa também. Evite qualquer compra por impulso.

3- Fuja das promoções “imperdíveis”: Pesquise muito antes de comprar aquele produto desejado, compare o preço e veja se de fato compensa comprar na Black Friday. É muito comum nos deparar com promoções que à primeira vista são imperdíveis, mas em muitos casos é apenas um apelo comercial.

4- Pesquise lojas e sites: Evite dores de cabeça e frustração, aproveite algumas horas do seu dia para pesquisar a fundo a reputação das lojas e sites, além de comparar preços e diferentes fornecedores, consulte sites como Procon e Reclame Aqui para saber quais estão no Ranking de reclamações.

5- Cuidado com seus dados: Não insira seus dados em sites desconhecidos, uma boa dica é verificar o nível de confiabilidade dos e-commerces, para isso, o Procon-SP disponibilizou uma lista de sites não recomendados. Além disso, prefira sempre comprar em e-commerces recomendados por pessoas conhecidas

Metade dos brasileiros pretende fazer compras

Os dados da pesquisa SPC Brasil revelam que metade (50%) dos brasileiros têm intenção de fazer compras na Black Friday 2019. Em contrapartida, quatro em cada dez (39%) consumidores só pretendem adquirir algum produto se as ofertas realmente valerem a pena — um crescimento de sete pontos percentuais em relação a 2018. Apenas 11% não devem aproveitar as promoções.

Esse comportamento do consumidor também pode ser observado na decisão da compra. A pesquisa indica que nove em cada dez (91%) entrevistados planejam pesquisar preços antes de adquirir algum item, principalmente para confirmar se os produtos realmente estão na promoção, ou seja, com preços mais baixos do que o normal (54%).

Considerando aqueles que pretendem buscar informações sobre as ofertas, 40% afirmaram que olhariam os preços a menos de 30 dias da Black Friday, enquanto 28% fariam pesquisa com um mês de antecedência e 11% até dois meses  antes. Outros 13% só devem verificar preços no dia do evento. Os meios mais utilizados apontados para fazer a pesquisa são sites e aplicativos que fazem comparação de preços e produtos (55%), sites das lojas (52%) e portais de busca (42%).

Na avaliação do presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior, a Black Friday deste ano promete ser diferente em relação aos outros anos. “O consumidor brasileiro está mais exigente, em busca de experiências e bons descontos. Tanto é que já começa a se preparar com antecedência para as promoções e pesquisar as ofertas antes de sair comprando”, destaca.

Em relação aos que não pretendem fazer compras na Black Friday, os principais motivos apontados são falta de dinheiro (35%), prioridade em pagar dívidas (18%) e falta de necessidade de comprar algum produto (16%). Também há aqueles que não acreditam na veracidade dos descontos oferecidos, que somam 15% da amostra.

Metodologia – O SPC Brasil entrevistou 1.230 consumidores de ambos os sexos, acima de 18 anos e de todas as classes sociais nas 27 capitais brasileiras para identificar o percentual de pessoas que pretendem comprar na Black Friday. Em um segundo momento, a partir de uma amostra de 624 casos, foi investigado de forma detalhada o comportamento do consumo, gerando um intervalo de confiança de 95%.

Com Assessorias

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