Boas práticas de cuidados com idosos em abrigos

Grupo de empresas cria plataforma de apoio às instituições de longa permanência de idosos (ILPIs) com informações gratuitas de boas práticas como o cuidado aos idosos em meio à pandemia, protocolos para hospices e cuidados paliativos, além de um chat de orientações geriátricas e gerontológicas para os profissionais

Redação

Diante do aumento exponencial de casos do Covid-19 no Brasil, aumenta a preocupação com a disponibilização de informações e protocolos práticos para as instituições de longa permanência de idosos (ILPIs), também conhecidas como casas ou residenciais de idosos. As pessoas com mais de 60 anos têm até 15% de chances de morte em caso de contaminação pelo novo coronavírus, risco que cresce de forma proporcional à idade. Há relatos de mortes concentradas neste tipo de local nos Estados UnidosFrança e Espanha.

Para ajudar a prevenir este cenário no Brasil, um grupo de voluntários formado por núcleos acadêmicos, ONGs, empresas e casas de repouso criou um plano de ação e o site ilpi.me com atitudes responsáveis de proteção em cinco passos: 1) preparação dos profissionais, 2) comunicado aos idosos residentes, 3) compra de insumos e proteção, 4) comunicado aos familiares e 5) comunicado à sociedade.

O site entrou no ar no dia 22/03 e o grupo está em plena atividade com foco em fazer a informação chegar às instituições e aproximar a interlocução com o poder público e a sociedade privada para viabilizar insumos necessários para essas instituições, bem como acesso aos serviços de saúde quando necessário. Pelo site também está disponível um chat de orientações geriátrica e gerontológicas gratuitas para os profissionais dessas instituições.

O plano de ação foi criado a partir de critérios de qualidade e de exequibilidade operacional e econômica. Apesar de apoiadas por uma vasta pesquisa e pelas melhores práticas adotadas por residenciais em todo o mundo, sobretudo na Europa, onde a crise está em estágio mais avançado, as recomendações foram devidamente adaptadas à realidade das instituições brasileiras, sobretudo as filantrópicas.

Alto risco

Estima-se que 1% da população idosa do Brasil viva nessas instituições. Publicação de 2016 do Ministério Público do Estado de São Paulo e do Centro de Apoio Operacional Cível e de Tutela Coletiva aponta que há 1.543 instituições no Estado de São Paulo. Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) realizada entre 2007 e 2009 localizou 3.548 instituições no território brasileiro. A maioria é filantrópica (65,2%), incluindo as religiosas. As privadas constituem 28,2% do total.

“A falta de atualização desses números mostra descaso no mapeamento, na organização e no conhecimento sobre as ILPIs no Brasil”, afirma João Paulo Nogueira Ribeiro, médico e fundador do Instituto Horas da Vida. “Considerando que os idosos são o principal grupo da pandemia do Covid-19, esse descaso tem que ser colocado em destaque para que não aconteçam aqui as calamidades que estamos vendo na França e, principalmente, na Espanha”, defende.

Além de divulgar a iniciativa do site e do chat, o grupo quer fazer um apelo para defender uma interlocução com os órgãos públicos para centralizar as necessidades, as demandas e as próprias doações. “Não se sabe com precisão quantas ILPIs são, quais as suas modalidades, onde estão, de que precisam. Do outro lado, há várias empresas querendo fazer doações. É preciso abrir esse diálogo com os órgãos públicos”, frisa João Paulo Nogueira.

Sobre a compra de insumos, de acordo com as perguntas que surgem e as demandas que estão sendo identificadas pelo site e pelo chat, o grupo está se organizando para tentar fazer uma compra coletiva ou preços diferenciados ou mesmo doações para as ILPIs. O problema é que esses materiais (álcool, máscaras, luvas, termômetros) estão em falta no mundo inteiro, inclusive no Brasil.

A iniciativa do site e do chat foi idealizada, inicialmente, em parceria entre a MedLogic e a Casa Ondina Lobo. Rapidamente, obteve apoio dos núcleos de Geriatria e Gerontologia da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), liderados pelos professores Edgar Nunes e Wilson Jacob, e também de residenciais geriátricos de referência, como a SBA. A importância do tema atraiu uma equipe interdisciplinar, de excelência, e ONGs relacionadas à temática – como o Instituto Horas da Vida – que ativamente contribuíram para a formação dos protocolos e conteúdos.

“Chancelamos a iniciativa por entender a urgência do momento e a importância de protocolos claros no que diz respeito aos cuidados com os idosos que vivem em lares de longa permanência”, diz o fundador do Horas da Vida. “Contribuímos com conhecimento técnico científico na elaboração de alguns materiais e indicação de fluxos e protocolos e estamos apoiando também no processo de divulgação da iniciativa”, completa.

A iniciativa é 100% voluntária. Algumas das empresas e instituições apoiadoras estão empenhando recursos financeiros próprios e colaboradores para atuação no projeto. É um projeto com foco humanitário, totalmente gratuito para esse setor que, muitas vezes, torna-se invisível para a sociedade. O grupo está trabalhando também na definição de novos protocolos, como por exemplo: cuidado aos idosos frágeis em casa, protocolos para hospices e cuidados paliativos.

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