Brasil registra 46 mil casos de câncer de pele a cada ano

Brasileiros devem redobrar cuidados no verão contra câncer de pele. Alerta é feito durante a campanha Dezembro Laranja

Em dezembro, muitas pessoas entram de férias ou recesso e acabam se expondo mais ao sol. Associada diretamente à maior exposição solar e à chegada do verão no país tropical – esse ano marcada para 21 de dezembro -, a campanha Dezembro Laranja, realizada desde 2014 pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), tem por desafio alertar a população sobre os riscos que a exposição solar desprotegida oferece à saúde.

A campanha também estimula a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de pele, de longe, o tipo de câncer mais comum no Brasil. A doença responde por 33% dos casos de tumores malignos, superando outros, como o câncer de próstata, mama, cólon, reto, pulmão ou estômago.

De acordo com o Painel da Oncologia do Ministério da Saúde, o Brasil registrou em torno de 205,18 mil diagnósticos de câncer de pele entre  2013 e 2021. Na verdade, o número pode ser bem superior a esse, se for considerada a subnotificação. Os números registrados pela plataforma mostram que, entre 2013 e 2017, a proporção de novos diagnósticos de câncer de pele foi de aproximadamente 4 mil a cada ano.

Somente em maio de 2018, passou a ser obrigatório o registro do cartão nacional de saúde e da Classificação Estatística Internacional de Doenças (CID-10), o que provocou um aumento expressivo no número de registros de casos. O painel foi criado também naquele ano.

Com o aperfeiçoamento da ferramenta e dos fluxos de informação, esse número saltou significativamente. Entre 2018 e julho de 2021, o total de diagnósticos de câncer de pele registrados chegou a 184,09 mil, ou cerca de 46 mil ao ano.

90% de cura em diagnóstico precoce

A Sociedade Brasileira de Dermatologia esclarece que o câncer de pele é provocado pelo crescimento anormal das células que compõem a pele. Entre os tumores de pele, é o mais frequente e de menor mortalidade, porém, se não tratado adequadamente pode deixar mutilações bastante expressivas.

Já o melanoma representa apenas 3% das neoplasias malignas do órgão, é o tipo mais grave, devido à sua alta possibilidade de provocar metástase, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Quando descoberto no início, tem mais de 90% de chances de cura. O coordenador da campanha lembrou que o câncer de pele tem diferentes tipos e que, em caso de aparecimento de sinais e sintomas suspeitos, o médico dermatologista deve ser consultado para fazer o diagnóstico precoce.

A doença corresponde a 27% de todos os tumores malignos no país, sendo os carcinomas basocelular e espinocelular (não melanoma) responsáveis por cerca de 180 mil novos casos da doença por ano.

Já o câncer de pele melanoma tem em torno de 8,5 mil casos novos por período. A incidência é maior do que os cânceres de próstata, mama, cólon e reto, pulmão e estômago.

O tipo de câncer de pele que requer mais atenção é o melanoma, que se caracteriza por ser uma mancha escura que cresce de forma assimétrica, com bordas irregulares, cores variadas em tons de marrom e preto e que, muitas vezes, vai atingir diâmetro maior que seis milímetros.

“Sinais como esses são de muito alerta para as pessoas procurarem atendimento (médico). Ou, por exemplo, quando têm feridas que não cicatrizam, lesões que ficam sangrando, verrugas crescentes. Tudo isso pode ser importante”.

Menos incidente, melanoma é o mais agressivo e letal

O carcinoma basocelular é o câncer de pele mais frequente na população, correspondendo a cerca de 70% dos casos. Se manifesta por lesões elevadas peroladas, brilhantes ou escurecidas que crescem lentamente e sangram com facilidade.

Por sua vez, o carcinoma espinocelular surge como o segundo tipo de câncer de pele de maior incidência no ser humano. Ele equivale a mais ou menos 20% dos casos da doença. É caracterizado por lesões verrucosas ou feridas que não cicatrizam depois de seis semanas. Podem causar dor e produzir sangramentos.

O melanoma, por sua vez, apesar de não ser o mais incidente, é o mais agressivo e potencialmente letal. Apesar de corresponder a apenas 10% dos casos, é o câncer de pele mais grave, porque quadros avançados podem provocar metástases para outros órgãos do corpo humano e levar à morte.

Esse tipo é geralmente constituído de pintas ou manchas escuras que crescem e mudam de cor e formato gradativamente. As lesões também podem vir acompanhadas de sangramento.

Dezembro Laranja foca no verão pós-pandemia

A queda nos indicadores de morbidade e de mortalidade relacionados à covid-19 abre a expectativa de que as praias e os espaços abertos voltarão a ser ocupados, durante o verão, com mais intensidade. Por isso, a campanha deste ano do Dezembro Laranja 2021 quer aliar os cuidados com a pandemia de covid-19 à prevenção do câncer de pele, com o tema “Adicione mais fator de proteção ao seu verão”.

“Com a proximidade do verão, é natural que as pessoas queiram se expor um pouco mais a um lazer, ao meio ambiente, e podem estar sujeitas a riscos, como queimaduras solares e, por isso, devem se proteger também contra o câncer de pele”, afirma Renato Bakos.

Ele lembra que o país está vivenciando ainda este período difícil de pandemia, com muitos cuidados para manter a saúde. Por isso, a campanha recomenda que além do uso do álcool em gel, máscaras e respeito ao distanciamento social, a população deve adotar hábitos de fotoproteção para garantir sua saúde de modo pleno.

Bakos afirmou que, atualmente, existe uma conscientização cada vez maior por parte da população. “A gente percebe que as pessoas têm essa preocupação de procurar evitar grandes exposições ultravioleta, seja escolhendo o horário adequado para estar no sol, usando chapéus, camisetas, protetor solar, procurando sombras em horários de sol muito intenso. Todas essas são recomendações muito válidas”.

São Paulo e estados do Sul e MG lideram casos

Renato Bakos, coordenador do Departamento de Oncologia Cutânea da SBD e da campanha Dezembro Laranja 2021, informou que a distribuição de casos de câncer de pele ocorre em todo o país, embora áreas com população maior apresentem, em números absolutos, incidência também maior. “Mas é um problema que a gente encontra em diferentes áreas”.

Os estados que mais totalizaram casos de câncer de pele, entre 2013 e 2021, foram São Paulo, com 52,87 mil, Paraná (27,20 mil), Rio Grande do Sul (27,05 mil), Minas Gerais (22,66 mil) e Santa Catarina (16,97 mil). O painel revela que a região com maior percentual em relação ao número total de registros foi o Sudeste, com 42% dos casos do país.

Enquanto o Sul tem três estados no ranking das cinco unidades da Federação que mais concentraram casos de câncer de pele no país no período citado, com 34,7% do total nacional, a Região Norte foi a que menos contabilizou no período analisado –  2,7%. O Nordeste respondeu por 14,2% do total dos casos em todo o país e o Centro-Oeste, por 6,3%.

De 2013 a 2021, a doença gerou 374 mil internações na rede pública de saúde do Brasil e foi a causa da morte de quase 32 mil pessoas, de acordo com dados do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS).

São Paulo foi o estado que registrou o maior volume de internações no período (96,87 mil), representando 26% do total, seguido pelo Paraná (57,41 mil) e o Rio Grande do Sul (38,59 mil). No período analisado, as unidades da Federação com menores registros foram Roraima (194), Acre (162), e Amapá (150).

Imunoterápicos podem ser uma solução

Um dos tipos mais agressivos de câncer de pele é o melanoma, que, embora tenha incidência baixa, apresenta altos índices de mortalidade. Reforçando seu compromisso de promover a saúde no Brasil e a melhoria constante das condições de vida dos pacientes, a SBOC liderou recentemente o processo de incorporação de imunoterápicos ao SUS para o tratamento de pacientes com melanoma, terapia mais promissora atualmente para combater esse tipo de câncer.

Os estudos apresentados pela SBOC ao Ministério da Saúde demonstraram que a expectativa de vida de um paciente tratado com a quimioterapia padrão do SUS muitas vezes não chega a um ano. Com a imunoterapia à base de nivolumabe e pembrolizumab, medicamentos incorporados à rede pública, porém, a expectativa de vida pode se igualar à de um indivíduo da mesma idade sem a doença.

“A adoção da imunoterapia para tratamento do paciente com melanoma no SUS, incorporada em julho de 2020, é uma conquista que abre possibilidades para outros avanços no cuidado oncológico na rede pública de saúde”, diz Dra. Andreia Melo, oncologista clínica e membro da diretoria da SBOC.

Adesão à campanha Dezembro Laranja

A campanha Dezembro Laranja é realizada desde 2014. Este ano, conta com a adesão voluntária dos atores Tony Ramos e Carmo Dalla Vecchia, das cantoras Kelly Key e Karol Conká, da modelo Claúdia Liz e dos jornalistas Tom Borges e Eliane Cantanhede.

Também aderiram à iniciativa instituições públicas e privadas, como o Congresso Nacional, a Federação das Indústrias de São Paulo, o Conselho Nacional de Justiça, o Conselho Federal de Medicina, governos estaduais e prefeituras municipais.

Com a chegada do Dezembro Laranja, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) retoma sua campanha de conscientização em parceria com a ViaMobilidade, responsável pela operação da linha de metrô 5-Lilás na cidade de São Paulo.

A iniciativa reúne 10 totens com orientações para que a população adote medidas de prevenção e controle de diferentes tipos de câncer – entre eles, o mais incidente no Brasil e em todo o mundo: o de pele. A exposição da SBOC na estação de metrô Brooklin fica até o final do ano. De 5 a 31 de janeiro,  segue para a estação Campo Belo, também na capital paulista.

Por ano no país, só de tumores que afetam a pele são registrados cerca de 185 mil novos casos, o que faz desse tipo de câncer o responsável por aproximadamente 30% das neoplasias malignas diagnosticadas, sendo os carcinomas basocelulares e os espinocelulares os mais comuns.

Da Agência Brasil, com Assessorias e Redação

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