Brasil tem 11 milhões de mães solo: como encarar a maternidade real?

“Nada de romantizar a maternidade solitária”, diz Ritinha Sousa, mãe da Lívia. Instituto Dara lança vídeo de campanha para ajudar mães-solo

A jornalista Ritinha de Souza e a filha, Lívia, de 9 anos: batalha na Justiça com o pai já dura 8 anos (Fotos: Álbum de Família)

Mãe é muito mais que mãe! Quanta responsabilidade! Se criar o filho com uma estrutura familiar ou condições financeiras já é difícil, ainda mais nos dias de hoje, que dirá sozinha e sem uma rede de apoio. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem nada menos que 11 milhões de mães solo no Brasil, chefes de família muitas vezes em vulnerabilidade social.

“Ser mãe solo é se reerguer diversas e diversas vezes sem apoio, com uma força que vem da alma. É ser a ÚNICA responsável por olhar os cadernos da escola, estudar para as provas, ajudar com os trabalhos escolares, ficar sem dormir por causa das crises alérgicas, levar para vacinar, correr para emergência e tantas outras coisas … É isso!!”, conta a jornalista, assessora e produtora Rita Sousa, de 41 anos, mãe da Lívia, que completa 10 anos no dia 25 de maio.

Lívia e Ritinha, filha e mãe: ‘parceria cheia de desafios e muito amor’ (Foto: Álbum de família)

Neste Dia das Mães, ela resolveu postar em seu Instagram “um texto bem real, sem romantizar a maternidade solitária, mas com o coração cheio de orgulho por saber que estou ajudando a formar um serzinho de muita personalidade, bondade, humanidade e luz”. E ainda agradece à filha pela parceria e pelo amor dedicado – isso não tem preço!

“Obrigada, Lili, por essa experiência tão intensa e fantástica. Obrigada por iluminar meus dias. À minha tchukinha, que até hoje me mima, obrigada por estar sempre presente. Amo muito você. E vamos em frente, minha Lili, nessa parceria cheia de desafios e muito amor ❤️ Mamãe, às vezes, tem vontade de sumir e sair correndo… mas pode ter certeza que levaria você comigo 🥰☺️😅”, escreveu Ritinha, que ainda luta na Justiça para que o pai também se responsabilize pela filha.

Só quem sabe, como eu, os desafios de ser mãe-solo é que entende a dor e a delícia da maternagem, ainda mais na fase da adolescência, a mais complicada. Mas, felizmente, ainda temos condições físicas, psicológicas, econômicas e financeiras para suportar o peso da responsabilidade de criar, educar, amar e encaminhar uma criança ou adolescente para a vida. E para as mães-solo que não têm com o que e quem contar?

Para elas, existem grupos de apoio como o Instituto Dara – Saúde Criança, que, por meio Plano de Ação Familiar (PAF), trabalha para empoderar mães-solo, para que elas se tornem protagonistas do seu próprio desenvolvimento. Neste domingo (8 de maio), Dia das Mães, a ong lançou o vídeo da campanha “Mãe. Muito mais que mãe!” em suas redes sociais para arrecadar fundos para ajudar mães a salvarem crianças pobres e doentes e encaminhar muitas mães solo na vida.

O vídeo homenageia as milhares de famílias que, atendidas por nós ao longo dos últimos 30 anos, saíram da situação de vulnerabilidade social e conquistaram a independência financeira, a autoestima e a confiança. As mães Aghata Cristina da Silva e Daniele Lemos Pinto – e seus filhos -, em relatos emocionantes, contaram as transformações que viveram com a passagem pelo Instituto Dara.

“Para o Instituto Dara, Mãe é muito mais que Mãe. Que neste ano, toda mãe se veja com outros olhos! Queremos que toda mãe se sinta acolhida e cuidada. E você? Troque as críticas por carinho, por empatia e compreensão. Você também pode fazer parte dessa rede! Doe e transforme vidas de inúmeras famílias, como as da Agatha e Daniele”, conclamam os organizadores da campanha, dentre eles, o jornalista Edmar Figueiredo, orgulhoso voluntário da ONG, onde atua como diretor de TV, repórter, produtor e editor.

Como colaborar na campanha

A campanha, que se estenderá até o fim do mês, mostra um pouco da rotina do atendimento das famílias na sede do Dara e o processo de transformação de muitas vidas. Para tanto, mães e filhos são avaliados e orientados constantemente por uma equipe própria de médicos, nutricionista, assistentes sociais, psicólogos, arquitetos e advogados.  A equipe multidisciplinar é o DNA do Instituto Dara, que desenvolveu o Plano de Ação Familiar (PAF). Essa tecnologia social está lastreada atuar em cinco áreas: saúde, educação, moradia, renda e cidadania.

A lógica subjacente ao PAF está no fato de que uma família em situação de vulnerabilidade só vai se autossustentar e ter autonomia se: as crianças estiverem na escola; tiver uma moradia digna; um dos membros estiver gerando renda; todos estiverem bem, com doenças agudas curadas e doenças crônicas controladas; e compreender seus direitos e seus deveres. Assim, cada família atendida pelo PAF recebe um tratamento personalizado conforme suas necessidades específicas e únicas. E, finalmente, os responsáveis se tornam protagonistas de suas próprias vidas.

Ainda de acordo com os organizadores, a campanha “Mãe. Muito mais que mãe!” pretende ainda aumentar o número de doadores, para fazer frente à crise econômica, que atinge com maior intensidade as famílias mais necessitadas. Para doar, acesse aqui.

Conheça o trabalho da ONG Instituto Dara – Saúde Criança

O Instituto Dara é uma importante rede de apoio a centenas de mulheres em vulnerabilidade social. São 31 anos de atividade impactando diretamente a vida de mais de 75 mil pessoas no Brasil e indiretamente mais de um milhão de pessoas em quatro continentes. Durante essa trajetória, o Dara recebeu recebeu prêmios e reconhecimentos em todo o mundo.

Por nove anos consecutivos, é considerado a melhor ONG da América Latina e 21ª do mundo pela publicação suíça NGO Advisor. Em 2018, o instituto recebeu menção honrosa no Prêmio ODS Brasil, realizado pelas Nações Unidas. O trabalho do instituto contribui para alcançar as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Atendimento direto

Realizado por meio do Plano de Ação Familiar (PAF), tecnologia social do próprio instituto que foi cocriada em parceria com as famílias atendidas. Trabalha em busca de empoderar as famílias atendidas para que elas se tornem protagonistas de seu próprio desenvolvimento, fornecendo-lhes um conjunto de conhecimentos, de ferramentas e de oportunidades para desenvolver suas habilidades nas áreas de saúde, de educação, de moradia, de cidadania e de renda.

Influência em políticas públicas

Com o objetivo de influenciar a criação de políticas públicas integradas de combate à pobreza e desenvolvimento humano. A política pública “Família Cidadã”, criada em Belo Horizonte, em 2009, é um dos exemplos dessa atuação. Desde 2018, o instituto mantém uma representação em Brasília, que trabalha com a Frente Parlamentar da Primeira Infância.

Produção e disseminação de conhecimento

Sobre uma abordagem multidimensional integrada de saúde e desenvolvimento humano para o combate à pobreza para redes, academia, governos, mídia, sociedade civil, empresas e empreendedores/as sociais. O trabalho do Instituto Dara foi apresentado em mais de dez livros e em vários artigos de notícias, incluindo o The New York Times e O Globo. Em 2019, a Harvard Business School produziu um estudo de caso sobre o impacto e a escalabilidade do instituto.

Mobilização social

O instituto trabalha em rede com parcerias nacionais e internacionais e fomenta o voluntariado como uma maneira de envolver a sociedade civil nos desafios e nas soluções para o combate à pobreza. Mais de 1.600 voluntárias e voluntários viabilizaram e também foram impactadas pelo trabalho ao longo de quase três décadas. Além disso, por meio de canais próprios de comunicação, o instituto busca mobilizar a sociedade em geral para a causa de combate à pobreza.

Com Edmar Figueiredo e Ritinha Souza

 

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