Cardiopatas podem (e devem) tomar vacina da gripe

Infectologista diz que quem sofre de doenças cardiovasculares deve se vacinar, devido à gravidade dos casos de gripe e às complicações que podem gerar

Portadores de doenças cardiovasculares de todas as idades podem tomar vacina da gripe na rede pública. A imunização é importante, não só pela gravidade dos casos de gripe este ano, como pelas complicações que podem acarretar para os cardíacos. Um fator muito importante a ser lembrado é que todas as pessoas que tenham alterações e doenças cardiovasculares devem e podem ser vacinadas gratuitamente, mesmo não estando incluídas nos grupos definidos pelo Ministério da Saúde.

São eles: indivíduos acima de 60 anos; crianças de seis meses até cinco anos; gestantes; puérperas até 45 dias após o parto; trabalhadores do segmento de saúde; povos indígenas; adolescentes e jovens de 12 a 21 anos, sob medidas socioeducativas; população privada de liberdade; funcionários do sistema prisional; e professores das escolas públicas e privadas.

“A vacina contra a gripe é uma grande aliada do coração. A doença, ao provocar febre, por exemplo, altera a frequência cardíaca, podendo sobrecarregar o bombeamento de sangue. Há risco, ainda, de a pessoa gripada contrair pneumonia, e esta também pode provocar problemas maiores para quem tem alguma alteração ou insuficiência cardiovascular”, ressalta o infectologista Artur Timerman, membro da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) e presidente da Sociedade Brasileira de Dengue e Arboviroses.

Segundo ele, este ano, há um fator agravante: a variedade da gripe que tem provocado um surto no Hemisfério Norte, principalmente nos Estados Unidos, tem sido associada a casos muito graves da doença, podendo acarretar complicações. Trata-se do vírus H3N2. Este, assim como o H1N1 e Influenza B, com atualização para 2018, incluem-se na imunização provida pela rede pública de saúde.

“Portanto, há boas e sérias razões para se imunizar. Além da vacina anual contra a gripe, deve-se tomar, também, a pneumocócica, que deve ser administrada em duas doses: a primeira da vacina conjugada (13-valente) e a segunda, administrada após 6 meses, da vacina contendo somente polissacarídeos do pneumococo, com reforço após os 65 anos e em pacientes com alto risco, mas nunca em intervalos menores do que cinco anos”, explica o infectologista.

A vacina contra a gripe, produzida com vírus mortos, dificilmente apresenta efeitos colaterais. Reações adversas graves são muito raras. Seus benefícios são muitos, inclusive para o coração. “Em caso de dúvida, é importante procurar orientação médica. Para evitar problemas nos postos de vacinação, deve-se levar uma receita médica ou qualquer documento que comprove a existência de doença cardiovascular”, destaca.

 

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