Chocolate faz bem ou mal para a saúde?

Nesta Páscoa, surgem diversas opções de chocolates para comemorar a data. Tem até para combater o mau hálito! Especialistas avaliam os prós e contras do alimento que é queridinho de quase todo mundo

Redação
A Páscoa é só no domingo, mas a farra do chocolate já começou esta semana para muita gente. A data mais aguardada pelos chocólatras é um feriado cristão comemorado por tradição com reunião familiar, mesas fartas e muito, muito chocolate.
Presente em forma de ovo, barra ou mesmo pratos, o produto faz parte do ritual do almoço de Páscoa e crianças e adultos se deliciam com muitos chocolates nesse período. A fim de evitar problemas de saúde, muitas pessoas fazem um sacrifício gigantesco e tentam passar ilesos à celebração, sem comer ao menos um chocolate. Mas ninguém precisa abrir mão do prazer de quebrar um ovo de chocolate e curtir em família.
Além de promover a sensação de bem-estar, o cacau é considerado funcional devido aos benefícios que traz para a saúde.  “O cacau é um rico antioxidante, e o chocolate amargo tem também polifenóis que combatem os radicais livres”, explica a dermatologista Mônica Fialho , diretora da clínica Barraskin, no Rio de Janeiro.

De acordo com Thaís Carvalho, fisioterapeuta dermato-funcional da Onodera Estética, por conter propriedades antioxidantes, a iguaria protege a pele da ação danosa dos radicais livres, estimulando a renovação celular. “O cacau retarda o envelhecimento precoce e estimula os processos de rejuvenescimento. Outros elementos presentes no alimento, como vitaminas, minerais e ácidos graxos, também são importantes para manter a derme saudável”.

A especialista ainda explica que o chocolate possui um ótimo teor de gordura boa, que tem alto potencial hidratante e calmante. “A massa gordurosa presente no cacau forma uma camada protetora, impedindo a perda da umidade natural da epiderme, proporcionando viço, maciez e luminosidade para a cútis. Além disso, também desempenha ação vasodilatadora na microcirculação sanguínea, aumentando o grau de nutrição das células”.

No caso de cabelos e unhas o chocolate é um aliado da beleza devido à presença de oligoelemento, que tem ação antioxidante, hidratante e nutritiva. “O ingrediente é rico em ácidos graxos, responsáveis por evitar o ressecamento e a perda de água, e magnésio, potássio, cafeína e vitaminas A, D, E e K, que hidratam e tonificam”, destaca a dermatologista Gabriella Albuquerque, membro da Sociedade de Dermatologia do Rio de Janeiro.

Chocolate amargo é o mais benéfico

Inúmeros trabalhos científicos em todo mundo demostraram a ação benéfica dos polifenóis na pele e cabelos. “Os polifenóis possuem fortes propriedades antioxidantes que ajudam a combater os radicais livres a que são como minúsculos ladrões roubando o oxigênio de suas células e fazendo com que elas se tornem inflamadas”, explica a dermatologista Daniela Neves, que dirige clínica em Belo Horizonte.
Uma das fontes ricas em polifenóis é o chocolate amargo (70% de cacau). O chocolate amargo é um excelente antioxidante por ser rico em polifenóis.  “De acordo com a expressão “Padrão de Identidade”, o chocolate amargo deve apresentar entre 3600 μg à 8000 μg de polifenóis do cacau, por grama de chocolate, enquanto que para o chocolate ao leite encontra-se pelo menos 1000 μg a e 5000 μg, por grama de chocolate ao leite”, destaca Dra.  Daniela Neves.O padrão de identidade do chocolate está intimamente relacionado com o teor de polifenóis.
“Comer alimentos ricos em polifenóis não é a única maneira pela qual sua pele e a saúde em geral podem se beneficiar deles. Você também pode usá-los em seu regime de cuidados com a pele ! Existem produtos tópicos ricos em resveratrol (polifenol) que ajudam a proteger a pele contra as agressões do dia a dia (por exemplo, da radiação ultravioleta). Assim como o chocolate amargo e o vinho tinto, os polifenóis também são encontrados em abundância no chá verde”, explica a médica.

Chocolate x espinhas

Há quem acredite que o consumo de chocolate causa espinha, mas segundo Thaís, não há nenhum estudo que comprove a relação do alimento com o surgimento de acne. “Vale lembrar que chocolates brancos e ao leite são ricos em gordura e açúcar e apresentam alto índice glicêmico, podendo agravar os quadros de acne. O indicado é o consumo de versões com maior teor de cacau, especialmente acima de 60%, como o amargo e o meio amargo”, finaliza a profissional.

O consumo de chocolate, no entanto exige cautela. Por conta de exageros, no entanto, é muito comum nesta época o desenvolvimento em alguns indivíduos de maior oleosidade cutânea acompanhada de acne e espinhas, segundo Gabriella Albuquerque.

“Até bem pouco tempo atrás não se tinha um respaldo científico que relacionasse o chocolate e as espinhas. Mas pesquisas recentes verificam que a proteína do leite é um desencadeador das espinhas. Como a maioria dos chocolates que ingerimos possuem leite é possível afirmar, sim, que o consumo de chocolate pode provocar acnes”, explica a dermatologista.

Consumo moderado faz bem

Isso não quer dizer que o chocolate seja um alimento proibido. Para evitar problemas de pele após o feriado, o recomendado, na verdade, é que o consumo da guloseima seja moderado. A opção por chocolates com, pelo menos, 70% de cacau em sua composição também minimizar os riscos. “Sempre recomendo o chocolates meio amargos e livres de nozes e castanhas. Outra dica para chocólatras é o consumo de alfarroba. Este doce tem um gosto muito semelhante ao chocolate, mas consegue preservar mais a pele”, recomenda Dra Gabriella.

A dermatologista lembra também que o açúcar, de uma forma geral, é um dos grandes vilões da pele e deve ser consumido com parcimônia não só durante a Páscoa como ao longo de todo o ano. Muito criticado por conta das calorias, o açúcar acelera o processo de envelhecimento, tornando mais rápido o aparecimento de rugas e da flacidez. Segundo a dermatologista isso acontece porque o efeito do açúcar envolve a ligação entre duas moléculas de colágeno.  “Com a glicação, as fibras de colágeno se tornam inflexíveis e incapazes de ser renovadas e reparadas”, explica.

“Para aproveitar os benefícios do produto para a pele, cabelos e até mesmo unhas é necessário apreciá-lo com moderação, já que é um alimento calórico, rico em gordura e açúcar”, destaca a médica.  Segundo Dra. Mônica, “em doses moderadas e dando preferência ao chocolate amargo, o produto é bom para a pele, pois o chocolate possui  antioxidantes, gorduras boas, vitaminas e minerais”, afirma Mônica.

Cuidados especiais com a pele

Embora pareça difícil chegar ao fim do feriado religioso com a pele saudável, alguns cuidados diários podem ajudar na precaução de problemas. Como o uso duas vezes por semana de sabonetes esfoliantes – prescrito por um dermatologista após avaliação do tipo de pele de cada pessoa -, a opção pelo uso de água fria para lavar o rosto e até o uso de roupas frescas.

“No caso de aparecimento de espinhas, evite pegar sol porque aumenta a inflamação e a chance de evoluir para cicatriz. Evite ficar mexendo nela porque também irá aumentar a inflamação. O uso de chá de camomila pode ajudar porque acalma a pele. Sabonetes à base de argila verde também são aconselhados”, destaca.

Para quem pensa em renovar a pele pós Páscoa, o uso de laser NdYAG do fotona atua contra as lesões inflamadas e promove uma diminuição rápida neste processo inflamatório. Além dele, o véu de noiva é uma tecnologia feita com Erbium que promove uma esfoliação a laser das células mortas, limpando a pele de forma homogênea. Outra opção são os peelings.

Poder rejuvenescedor e antioxidante

A depender dos estudos mais recentes sobre os benefícios do cacau, não é necessário esperar até o natal ou a páscoa do ano que vem para se deliciar com chocolates. Agora, o ingrediente é apontado como um forte rejuvenescedor da pele e um poderoso antioxidante, que também auxilia na fotoproteção endógena, ou seja, na proteção que as células fazem contra os danos do sol. “Os flavonoides do cacau contribuem para a fotoproteção endogênica contra o eritema UV induzido, segundo estudos do The Journal of Nutrition. Além disso, eles melhoram a circulação sanguínea da derme e sua hidratação”, afirma Lucas Portilho, consultor e pesquisador em Cosmetologia, farmacêutico e diretor científico da Consulfarma.

De acordo com o especialista, obviamente ao falar dos benefícios do cacau, o melhor a fazer é investir no chocolate amargo (com no mínimo 70% de cacau). “Por séculos, o chocolate amargo foi conhecido pelo seu sabor e seus efeitos benéficos à saúde. Os polifenóis, um grupo heterogêneo de moléculas, são os principais componentes que têm sido associados às propriedades antioxidantes e imunomodulatórias.

Na pele, o consumo de cacau apresenta efeitos significativos na melhora dos sinais do envelhecimento, segundo estudo Cocoa Flavanol Supplementation Influences Skin Conditions of Photo-Aged Women, de 2016”, diz Lucas. Já os Polifenóis do Cacau agem no aumento do fluxo sanguíneo dos tecidos cutâneos e subcutâneos; melhora da densidade, da hidratação da pele e da espessura da epiderme; e na diminuição da perda transepidermal de água. A avaliação da superfície da pele mostrou uma diminuição significativa da aspereza e da descamação, de acordo com os dados.

O estudo também avaliou, enfatiza Lucas Portilho, que o cacau está relacionado com a redução da profundidade e espessura das rugas e linhas de expressão, além do aumento da elasticidade cutânea. “Os polifenóis do cacau mostraram possuir uma potente atividade varredora de radicais livres de forma dose-dependente. Também demonstraram atividade inibitória da xantino-oxidase (forma enzimática que gera radicais livres) e do ânion superóxido induzido e diminuição significativa dos níveis de expressão da COX-2 (prostaglandina responsável por fenômenos de inflamação) na pele”, diz.

Os diferentes tipos de chocolate

Ao invés de se privar de aproveitar uma das épocas mais deliciosas do ano, o melhor é fazer boas escolhas. “O chocolate pode, sim, ser uma boa opção desde que você saiba consumir no tipo certo, com a concentração ideal de cacau e na porção diária correta”, explica a angiologista Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.

Segundo a médica, o ovo de páscoa pode ter vários componentes, como cacau, açúcar, gorduras e até oleaginosas como avelã, nozes e castanhas, que são fontes de vitaminas e minerais. “A concentração de cada um desses ingredientes é o que vai determinar o benefício ou malefício para o consumo”, afirma. A médica cita abaixo as diferenças principais entre os ovos de páscoa:

Chocolate ao leite – sem quantidade significativa de cacau, o chocolate ao leite não traz benefícios à saúde. E os exageros são perigosos: “O açúcar está relacionado com a obesidade e com a diabetes mellitus. Estudos mais recentes vêm apontando o carboidrato, o açúcar, como grande vilão também para o aumento de colesterol. Com o diabetes, podemos desenvolver problemas arteriais, causar um espessamento e acúmulo de placas de gordura dentro da parede das artérias, o que pode causar seu entupimento.

Dependendo de qual lugar do corpo isso acontece (de qual artéria foi afetada), você pode manifestar um infarto, um derrame ou com aquele problema de claudicação – que é quando você vai caminhar e tem dificuldade de andar porque falta sangue nas pernas”, afirma. A gordura também favorece o aumento do colesterol e um processo de aterosclerose. “O grande problema da lesão arterial principalmente é que às vezes é uma questão silenciosa: o colesterol aumentado pode não dar sintoma nenhum, só que aos poucos vai entupindo a sua artéria. Então às vezes a sua primeira manifestação vai ser um infarto ou um derrame, então você não tem muito o que fazer para prevenir. Eu falo que é uma doença que vem silenciosa e quando se manifesta já causa um problema sério”, alerta.

Amargo – o chocolate com, no mínimo, 70% de cacau tem efeitos anti-inflamatórios, propriedades antioxidantes, atividades antiplaquetárias, com melhora da função vascular e, além disso, está ligado, segundo estudos, a uma melhora na disposição, funcionamento cerebral e redução da vontade de comer doces. “Ele atua contra os danos no DNA celular, tem ação vasodilatadora e previne a formação de placa de gordura dentro das artérias”, explica a médica.

“Por conta dos flavonoides presentes no cacau – e sua ação antioxidante com benefícios comprovados para a circulação, há a redução dos riscos de doenças vasculares, redução do mau colesterol (LDL) e aumento discreto do bom (HDL), além da diminuição do risco de doenças vasculares e melhora no envelhecimento da pele”, afirma. Mas atenção: a porção diária recomendada é de 30g ao dia, portanto um ovo de páscoa pode ser ingerido, em média, em uma semana para aproveitar ao máximo os benefícios.

Meio Amargo – com concentração significativa de cacau (acima de 40%), esse chocolate tem mais açúcar que a versão amarga, mas também traz benefícios antioxidantes. “É uma opção interessante e mais saborosa para quem não gosta do chocolate amargo. As versões com avelã, nozes ou castanhas fornecem vitaminas e minerais importantes, que têm ação antioxidante e melhoram a circulação sanguínea.” Também é necessário ficar de olho na porção diária, também de 30g.

Branco – produzido com manteiga de cacau, a gordura obtida das sementes durante a fabricação do chocolate, esse chocolateé mais calórico e rico em gorduras. Mas cuidado, alguns chocolates brancos sequer têm algum resquício de cacau na composição. “Esses são produzidos apenas com óleos vegetais hidrogenados, cujo consumo resulta no aumento dos níveis do mau colesterol (LDL) e na redução do bom colesterol (HDL). Por isso, mesmo se você optar por esse tipo de ovo de páscoa, vale a pena dar uma olhada no rótulo”, afirma. Como é rico em açúcar e gordura, o chocolate branco também favorece a inflamação, o que pode retardar a circulação e colaborar para o aparecimento de doenças circulatórias.

Diet – os chocolates Diet também apresentam um risco, pois apresentam maior quantidade de gordura.

Com oleaginosas – apesar de adicionar mais calorias ao chocolate, as castanhas, nozes, avelã e o amendoim, entre outros, são ricos em ômega 3, que favorecem o sistema circulatório e melhoram a qualidade da circulação, porque esse ômega diminui o colesterol ruim e aumenta o colesterol bom. “No caso dos ovos com esses componentes, tudo vai depender do tipo de chocolate, mas com certeza as oleaginosas podem ‘enriquecer’ o benefício nutricional do ovo de páscoa”, finaliza.

Chocolate bom para mau hálito

Uma novidade agradável e funcional para comemorar a páscoa: a Consulfarma apresenta o Chocolate Contra Mau Hálito. Inovador, o produto é um chocolate funcional com 70% de cacau que age na neutralização do mau odor por conta da formulação, que traz o gelo seco. “Essa é uma saborosa forma de tratar o mau hálito, pois esse chocolate age na digestão e na neutralização de odores de dentro para forma, sendo um mecanismo a mais para as pessoas que tentam se livrar dessa disfunção e não conseguem”, explica o pesquisador em Cosmetologia Lucas Portilho, farmacêutico e diretor científico da Consulfarma.

De acordo com o especialista, o chocolate para mau hálito promove uma sensação diferenciada de refrescância, devido sua composição, promovendo uma experiência única e muito agradável. “Por conta do gelo seco, o produto confere sensação duradoura e neutralização do mau hálito, além de promover uma experiência visual única ao ser ingerido, ao mesmo tempo em que alia facilidade e praticidade, podendo ser transportado para qualquer lugar”, diz. Como é um chocolate com 70% de cacau, o produto está liberado até mesmo para quem deseja perder peso.

Porém, mais importante do que saber os benefícios do chocolate é ficar atento à porção diária recomendada: apenas 30g. Então, aprecie com moderação.

Da Redação, com Assessorias

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