Para além do pulmão: cigarro afeta a fertilidade dos casais

Homens e mulheres fumantes têm três vezes mais chances de sofrerem de infertilidade quando comparados àqueles que não fumam

Cada vez mais são realizados estudos que medem os efeitos do fumo na saúde, e frequentemente, são descobertos novos malefícios. Os problemas já comprovados são, principalmente, as doenças cardiovasculares (infarto, angina), o câncer e as doenças respiratórias obstrutivas crônicas (enfisema e bronquite), a infertilidade e outras. Além destas, o cigarro é considerado o veneno reprodutivo mais potente do século. Diversos estudos vêm comprovando seu efeito nocivo sobre a saúde reprodutiva tanto masculina quanto feminina.

Segundo a ASRM (Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva), homens e mulheres fumantes têm três vezes mais chances de sofrerem de infertilidade quando comparados àqueles que não fumam. Além disso, o hábito de fumar está associado a um aumento no risco de abortamento (aumenta em até 27%) e gravidez ectópica (gravidez nas tubas).

“Os dados também mostram que homens que fumam tem muito mais espermatozoides anormais que os não fumantes, e essa porcentagem está diretamente ligada ao número de cigarros fumados por dia“, alerta Maria Cecília Erthal, diretora médica do Vida Centro de Fertilidade.

A fumaça do cigarro contém centenas de substâncias tóxicas, entre elas a nicotina, monóxido de carbono, polônio radioativo, alcatrão, colesterol, fenol, ácido fórmico, ácido acético, chumbo, cádmio, zinco, níquel, benzopireno e substâncias radioativas, as quais afetam a função reprodutiva em vários níveis, como a produção dos espermatozoides, motilidade tubária (importante para a captação do óvulo que sai do ovário no momento da ovulação), a divisão das células do embrião, formação do blastocisto (embrião com mais de 64 células) e implantação.

Mulheres fumantes também podem apresentar maior incidência de irregularidade menstrual e amenorreia (falta de menstruação). Além disso, a menopausa ocorre de um a quatro anos antes em fumantes se comparados aos não fumantes. “A química contida na fumaça do cigarro parece acelerar a destruição de óvulos e consequente perda da função reprodutiva”, afirma a especialista.

Durante a gestação o fumo também é altamente prejudicial. Substâncias provenientes da fumaça de cigarro se podem se ligar a frações do DNA provocando lesões pré-mutacionais. “Os danos ao DNA aumentam a incidência de abortos, defeitos físicos e alguns autores sugerem até aumento dos casos de trissomia do cromossomo 21 (síndrome de Down)”, lembra Maria Cecília.

Neste Dia Nacional de Combate ao Fumo (29 de agosto), vale lembrar alguns dados que impressionam:

  • A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que o uso do tabaco acarreta 8 milhões de mortes por ano, ou seja, 10 mil morte por dia;
  • No Brasil, todos os dias, 443 pessoas morrem por causa do cigarro, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca);
  • Calcula-se que 17,4% da população brasileira são fumantes, sendo que a maioria é adolescente;
  • São 2,7 milhões de consumidores de cigarros com idades entre 12 e 17 anos.

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