Cirurgia robótica é aliada no tratamento do câncer de próstata no Brasil

Redação

Um fator que pode contribuir para a redução do número de mortes provocadas pelo câncer de próstata é a evolução da tecnologia. Por isso, é importante a conscientização e a informação sobre novidades que tornam os tratamentos menos invasivos e mais seguros. O assunto ganha destaque neste Novembro Azul, justamente para lembrar os homens sobre a importância de cuidar da saúde. 

Por isso, é importante a conscientização e a informação sobre novidades que tornam os tratamentos menos invasivos e mais seguros. O assunto ganha destaque neste Novembro Azul, justamente para lembrar os homens sobre a importância de cuidar da saúde. 

Segundo o urologista Fernando Leão, a cirurgia robótica pode contribuir para diminuir os riscos de infecções e as dores durante e após os procedimentos cirúrgicos.

Uma plataforma mais recente do Robô Da Vinci já comercializada no exterior, a Single Port, por exemplo, é mais minimamente invasiva, pois realiza apenas um orifício para passagem de todos os instrumentais para realização da cirurgia. Além de diminuir os riscos para o paciente, deixa a região da operação esteticamente mais agradável se comparada com o procedimento tradicional”, explica Fernando Leão.

O especialista destaca que os benefícios dessas tecnologias durante as operações cirúrgicas e no período de recuperação também são significativos. “Com a cirurgia robótica há menor risco de infecção cirúrgica, menor tempo de internação hospitalar, raramente necessita de internação em UTI ou de transfusão sanguínea, recuperação pós-operatória mais rápida e menos dolorosa”, detalha Leão.

Na década de 80 e 90, a maioria dos tumores de próstata era diagnosticada em fases avançadas, resultando apenas em tratamentos hormonais e paliativos. Hoje, em virtude da maior prevenção, os tumores são descobertos em fase precoce, permitindo até mesmo vigilância da doença. Essa nova etapa de diagnóstico é fundamental não apenas para cura, mas também para preservação da qualidade de vida.

Em se tratando do câncer de próstata, um dos maiores temores dos homens são as sequelas do tratamento, como a incontinência urinária e a disfunção erétil. Felizmente o ganho tecnológico, associado à experiência do cirurgião, tem viabilizado resultados funcionais.

“Os pacientes operados com robô apresentam recuperação e reabilitação com maior precocidade”, afirma Sandro Faria, urologista que está entre os três médicos que mais recorrem à cirurgia robótica no Brasil. Dr Sandro tem mais de 2 mil intervenções feitas com robô na carreira, realizadas em diversas partes do país e opera exclusivamente com a ferramenta desde 2010. Ele atende e opera em Campinas, no Hospital Vera Cruz, e em São Paulo. Primeiro hospital privado a instalar o Sistema Robótico Da Vinci fora das capitais brasileiras, o Vera Cruz já realizou mais de 200 procedimentos desde dezembro de 2018, sendo 60% de próstata.

Ultrassom de alta intensidade

Além do sistema robótico, existem outras técnicas novas no tratamento do câncer da próstata, como o HIFU® (ultrassom focal de alta intensidade). Desenvolvido em Lion, na França. “Este método controla a doença com mínimos riscos de procedimento e funcionais. Mas a indicação é restrita a um grupo especifico de portadores”, explica Dr Sandro.

Segundo ele, novidades estão a caminho como painéis genéticos, que possibilitarão um maior conhecimento da doença e sua agressividade a ponto de identificar qual a melhor combinação de terapias para cada paciente.

Outra tecnologia que tem contribuído para o avanço dos procedimentos urológicos é Vaporização Fotoseletiva de Próstata (PVP) com Laser Greenlight, usado para o tratamento da Hiperplasia Prostática Benigna (HPB). “No procedimento cirúrgico, a fibra de laser é inserida pela uretra do paciente, que permite a vaporização do tecido prostático, reduzindo os tempos de internação e recuperação pós-operatória.

A Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) atinge cerca de 80% dos homens com mais de 50 anos caracterizada pelo aumento da próstata que obstrui parcial ou totalmente a uretra. Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a HPB atinge cerca de 14 milhões de brasileiros.

Em relação ao diagnóstico, entre as tecnologias mais recentes utilizadas para a detecção do câncer de próstata está o PET PSMA (do inglês antígeno de membrana específico da próstata), utilizado para rastrear células cancerígenas que podem estar presentes no corpo.

Segundo Leão, que também é cirurgião robótico, o exame possibilita a localização de um tumor e verificar se a doença se espalhou para outros órgãos. “Ele é mais sensível que outros procedimentos de imagens convencionais. Além disso, permite diagnosticar e estadiar de maneira mais precoce os cânceres”, explica o médico urologista.

Médicos destacam a importância do diagnóstico precoce e da prevenção

O câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens e deve atingir mais de 65 mil pessoas só em 2020, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), ficando atrás apenas do câncer de pele não-melanoma, que deve alcançar mais de 83 mil homens neste ano. Cerca de 15 mil homens morreram em 2018 devido à doença.

Porém, os inúmeros tabus e até mesmo a preocupação de se procurar o especialista durante o período de pandemia podem ser fatores que levam os homens a não procurar por auxílio médico preventivo. Neste contexto, o Novembro Azul vem colaborar com o objetivo de melhorar a saúde masculina, lembrando que ir ao urologista com frequência facilita o diagnóstico precoce, mas não a prevenção.

O câncer de próstata é o tumor maligno com maior incidência entre os homens (35% dos casos de câncer masculino são na próstata) e o segundo em mortalidade. De acordo com o médico urologista Fernando Leão, a negligência do público masculino pode resultar em um diagnóstico tardio do câncer de próstata. Portanto a avaliação periódica é o primeiro e mais importante passo.

Se a doença for diagnosticada precocemente, as chances de recuperação chegam até 90%. A ida ao urologista ajuda também a prevenir outras doenças, como o câncer de bexiga e renal”, alerta o especialista, que também é membro da American Urological Association (AUA) e da Society of Robotic Surgery, ambas dos Estados Unidos, e da Société Internationale d’Urologie (SIU), do Canadá.

Ida ao urologista é a melhor forma de prevenção

A ida ao urologista é principal forma de prevenção da doença, já que a doença, em seu estágio inicial, é assintomática – não apresenta sintomas aparentes. “Os sintomas ficam mais evidentes apenas quando o câncer já está em um estágio mais avançado e, portanto, com um quadro mais difícil de ser revertido”, afirma Fernando Leão.

Entre os principais sintomas doença, geralmente em estágio avançado, estão a dificuldade para urinar, sangue na urina ou no esperma, diminuição do jato da urina e maior frequência de idas ao banheiro durante a noite.

Os exames preventivos são os principais meios de combate à doença. Dentre eles, temos a dosagem do PSA, o toque retal, que permite identificar as alterações na próstata, exames de imagem – ultrassom, ressonância de próstata – e biópsia de próstata em casos selecionados”, detalha Leão.

Segundo ele, homens que já tiveram casos de câncer de próstata na família devem ficar mais atentos. “Esses pacientes devem ir ao especialista já aos 40 anos. Enquanto que os demais podem ir ao especialista a partir dos 50 anos. Pessoas com sobrepeso ou obesidade também devem ter mais cuidado”, completa.

Prevenção ganha força entre os homens nos últimos anos

A prevenção ganhou força nos últimos anos, inclusive com maior procura por ajuda por parte dos homens. Essa modificação mudou o padrão de diagnóstico da doença. “A prevenção das doenças prostáticas acontece no dia a dia, praticando exercícios físicos regularmente, não ganhando peso e evitando gorduras saturadas. Uma alimentação balanceada é fundamental”, destaca Sandro Faria.

Já os fatores que podem prevenir o câncer de próstata são alimentação saudável – ricas em frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais -, manter o peso ideal do corpo, praticar atividades físicas, não fumar e evitar o consumo de bebidas alcoólicas.

Com Assessorias

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