Com 250 mil casos e metade das mortes por Covid no RJ, capital flexibiliza restrições

Índices de letalidade, mortalidade e incidência da Covid também são bem mais elevados no município do que as médias registradas no estado

Apresentação de novo boletim epidemiológico na cidade do Rio (Foto: Edu Kapps/Prefeitura do Rio)

Desde março de 2020, o município do Rio de Janeiro soma 250.160 casos de Covid-19 e 22.923 óbitos. É mais do que um terço dos 716 mil registros e mais da metade de todas as mortes decorrentes da doença em todo o Estado do Rio, se comparados os dados apresentados no 16º Boletim Epidemiológico da Covid-19 no município, divulgado na manhã desta sexta-feira (23), com os do painel da Covid do estado, disponível na tarde de quinta-feira (22) na internet.

Os índices de letalidade, mortalidade e incidência da Covic também são bem mais elevados no município do que as médias registradas no estado. A taxa de letalidade no município desde o início da pandemia está em 9,2%, e a de mortalidade em 344,1 a cada 100 mil habitantes. A incidência da doença é de 3.755,4/100 mil. Neste ano, as taxas de letalidade e de mortalidade são, respectivamente, de 8,5% e de 72,2/100 mil. Vale lembrar que a capital concentra 6. 747 815 habitantes, menos da metade dos 15.989.929 habitantes de todo o estado.

Somente este ano, a capital fluminense já teve 56.230 casos e 4.807 mortes. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, segue em isolamento após apresentar sintomas da Covid-19 e confirmar o segundo diagnóstico da doença em menos de um ano. Segundo o secretário de Fazenda, Pedro Paulo, ele se encontra bem e o município tem atualmente “só” 30 pessoas na espera por leitos, o que seria mais um motivo para flexibilizar as restrições.

Apesar de a cidade se manter na faixa de risco muito alto, a Prefeitura do Rio decidiu flexibilizar as medidas restritivas. No período do novo decreto, as atividades não-essenciais, como restaurantes, museus, cinema, teatro, clubes esportivos, casas de festas e outros, já poderão funcionar até as 22h. Após este horário, para restaurantes e afins, funcionamento apenas nas modalidades de drive-thru e take away, sem atendimento presencial.

Decreto mantém algumas restrições, mas amplia horário de restaurantes e afins

Decreto 48.767, publicado no Diário Oficial desta sexta-feira (23), estipula as medidas restritivas que estarão valendo de 24 de abril a 3 de maio e traz algumas liberações, como a ampliação do horário de funcionamento de algumas atividades. A área de lazer do Aterro do Flamengo estará aberta.

Sobre a abertura das áreas de lazer e da ampliação dos horários das atividades essenciais, o secretário Pedro Paulo disse: “É importante que os cariocas usem as áreas de lazer, com responsabilidade, para se exercitarem ao ar livre. Em relação aos bares e restaurantes, as fiscalizações continuarão a pleno vapor, portanto, não serão toleradas aglomerações”.

Segue suspenso o funcionamento de boates, danceterias, salões de dança e casas de espetáculo; a realização de eventos, tais como shows, festas e rodas de samba, em áreas públicas e particulares. Continua vetada também a entrada de ônibus e demais veículos de fretamento no Município, exceto aqueles que prestem serviços regulares para funcionários de empresas ou para hotéis. Ainda não é possível usar as pistas de rolamento das avenidas Delfim Moreira, Vieira Souto e Atlântica como áreas de lazer.

Segue vetada a permanência nas vias, áreas e praças públicas do município no horário das 23h às 5h. Continuam proibidos, aos sábados, domingos e feriados, a permanência em praias, parques e cachoeiras; além das atividades econômicas na areia das praias, incluindo o comércio ambulante fixo e itinerante.

Já as atividades essenciais, como supermercados, farmácias, hospitais e outros, podem funcionar sem horários definidos. Os estabelecimentos devem seguir limite de público e demais medidas de proteção à vida para a faixa de risco muito alto, estabelecidas na Resolução Conjunta SES/SMS nº 871. Entre elas, estão capacidade de lotação máxima de 40% em locais fechados e 60% em locais abertos, garantia do distanciamento mínimo de 1,5 metros entre as pessoas e não permitir formação de aglomerações em filas de espera.

Novas variantes avançam

Na última semana, 25 casos de variantes do vírus foram identificados na cidade, 14 deles de moradores locais. Desde a identificação do primeiro caso de novas cepas, são 256 casos no município, sendo 197 residentes.São 189 casos da variante brasileira (P.1) e oito da britânica (B.1.1.7). Dos moradores infectados por essas cepas, 22 faleceram, 15 permanecem internados e 160 já foram considerados curados. Dos não moradores do Rio infectados pelas variantes, 24 vieram de Manaus, quatro de Rondônia e 31 de outros municípios.

As médias móveis de atendimentos de síndromes gripal e respiratória aguda grave (SRAG) nas unidades de urgência e emergência e de casos confirmados de Covid-19 mantêm a tendência de queda. Já a média móvel de óbitos começa a apresentar estabilidade. Mesmo assim, o município segue em alerta, mantendo a faixa de risco muito alto e as medidas de proteção à vida afins, estabelecidas na Resolução Conjunta SES/SMS nº 871, de 12 de janeiro de 2021″, informa a Secretaria Municipal de Saúde.

Bandeira vermelha no Mapa de Risco da Covid-19

A 27ª edição do Mapa de Risco da Covid-19, divulgada nesta sexta-feira pela Secretaria de Estado de Saúde, mostra o Estado do Rio de Janeiro com bandeira vermelha (risco alto de contrair a doença), mas aponta para uma melhora nos parâmetros epidemiológicos. A Região Metropolitana I, única do estado que permanecia com bandeira roxa (risco muito alto de contrair a doença), entra para bandeira vermelha; a do Médio Paraíba, que apresentava bandeira vermelha (risco alto), passa para a cor laranja (risco moderado). As regiões Centro-Sul, Baixada Litorânea, Noroeste, Norte, Baía de Ilha Grande, Metropolitana II e Serrana permanecem com bandeira vermelha (risco alto).

O Estado do Rio de Janeiro (ERJ) apresentou um aumento do número de óbitos (13%) e uma redução dos casos de internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave – SRAG (-26%) na comparação entre as semanas epidemiológicas analisadas. As taxas de ocupação de leitos no estado, nesta sexta-feira (23), estão em 66,2% para leitos de enfermaria e 87,3% para UTI.
Os resultados apurados para os indicadores apresentados devem auxiliar a tomada de decisão, além de informar a necessidade de adoção de medidas restritivas, conforme o nível de risco de cada região.

A análise compara a semana epidemiológica 14 (4 de abril – 10 de abril) com a 12 (21 de março – 27 de março) de 2021. Cada bandeira representa um nível de risco e um conjunto de recomendações de isolamento social, que variam entre as cores roxa (risco muito alto), vermelha (risco alto), laranja (risco moderado), amarela (risco baixo) e verde (risco muito baixo).

Os secretários municipais de Desenvolvimento Econômico, Chicão Bulhões; e de Ordem Pública, Brenno Carnevale, também participaram, nesta sexta-feira (23), da apresentação do 16° Boletim Epidemiológico, no Centro de Operações Rio (COR). O levantamento é elaborado semanalmente pelo Centro de Operações de Emergências – COE Covid-19 RIO, da SMS, e traz, além das taxas da doença e dados da vacinação, uma análise de risco da cidade.

Com SMS e SES-RJ

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