Como a tecnologia pode ajudar deficientes

Aos 18 anos Harry começou a perder a audição. Com ajuda de aparelho auditivo, ele aposta nas corridas (Foto: Divulgação)
Aos 18 anos Harry começou a perder a audição. Com ajuda de aparelho auditivo, ele aposta nas corridas (Foto: Divulgação)

Aos 18 anos, Harry teve a audição prejudicada após uma perfuração no tímpano durante um mergulho na piscina. Mais tarde, uma virose trouxe novas complicações que agravaram o problema e ele quase teve perda auditiva total. Era, no entanto, o começo de uma vitoriosa jornada.

Harry transformou as dificuldades em estímulo para vencer e mudar de vida. E decidiu trocar os 15 anos de carreira na área de marketing pelas corridas. De ex-administrador a corredor, ele fez da sua grande paixão um objetivo de vida e realizou a sua primeira maratona em 1995, em São Paulo.

“Correr é tudo pra mim. Trabalho com corrida, me divirto com corrida, meu lazer é corrida, meus grandes amigos são da corrida”, afirma Harry Thomas Jr., adepto das maratonas e ultratrail (provas de mais de 50 Km) pelo mundo e idealizador do Portal Running News, primeiro site de corridas de rua e maratonas do Brasil, criado em 1999.

Por trás da história de superação de Harry e de muitos paratletas está a ajuda da tecnologia. Em 2015, uma cirurgia permitiu que ele voltasse a ouvir novamente. Ele colocou o Rondo, primeiro processador de implante coclear de peça única do mundo.

Fabricado pela austríaca MED-EL, o aparelho permite que ele ouça com qualidade, independentemente da situação ou do nível dos ruídos de fundo. A prova d’água, também possui controle automático do volume, garantindo que sons baixos sejam ouvidos com clareza e os altos, sem desconforto.
Soluções na rede pública de saúde

A boa notícia é que a tecnologia de última geração está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) para portadores de deficiência auditiva. O Ministério da Saúde mantém 28 centros de referência credenciados para realizar diagnóstico, tratamento e acompanhamento gratuito para portadores de deficiência.

A ciência vem evoluindo a cada dia com novas soluções que garantem mais qualidade de vida, bem estar e, por que não, mobilidade a quem tem deficiência física ou mental. Prova disso é um mostra de protótipos que será apresentada esta semana no Rio.

Entre as novidades, estão a cadeira de rodas que se movimenta com os olhos; a bengala para pessoas cegas com capacidade de identificar poças de água e demais obstáculos; a pulseira guia, que poderá ser utilizada no atletismo por atletas cegos e diversos aplicativos em desenvolvimento para melhorar a qualidade de vida e transposição de barreiras das pessoas com deficiência.

A exposição de novas tecnologias em desenvolvimento no Brasil para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência será aberta durante o seminário ‘Iniciativas do Governo Federal em Tecnologia Assistiva’, que acontece quinta-feira (dia 15), na Casa Brasil, na Região Portuária.

O seminário é promovido pela Secretaria Especial dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Ministério da Justiça e Cidadania, em pareceria com Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e o Conselho Nacional de Referências em Tecnologia Assistiva.

Especialista destaca reabilitação auditiva

Para Luiz César Nakao Iha, otorrinolaringologista da equipe de implantes cocleares do Centro do Deficiente Auditivo da Universidade Federal de São Paulo (CDA-Unifesp), hoje existem muitas soluções para a reabilitação auditiva, uma prioridade para o bem estar dos pacientes.

“Em termos práticos, com a reabilitação global, o atleta seria capaz de ouvir o disparo no início da corrida, comunicar-se melhor com outros integrantes de suas atividades e também permitir desenvolver atividades mais complexas de equilíbrio e movimentação ”, explica o especialista.

Segundo ele, é muito comum o dano auditivo associado ao desequilíbrio. Existem casos de indivíduos com perda auditiva neurossensorial que podem apresentar maior disfunção labiríntica e consequente redução da capacidade de equilíbrio corporal. Este é um dos motivos pelos quais o acompanhamento com o especialista é tão importante, visando não somente a reabilitação auditiva, mas também a melhora da capacidade motora do paciente.

“Seja na prática esportiva ou no convívio social, para a maioria dos casos de perda auditiva temos soluções adequadas. Em caso de dificuldade para ouvir, o indivíduo deve buscar um especialista e não se isolar. O quanto antes ele tiver acompanhamento médico, mais rápido será o tratamento, a adaptação e menor será o impacto em suas atividades diárias e sua autoestima”, afirma.

 

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