Como identificar e lidar com a gravidez psicológica

A pseudogestação ou pseudociese surge da vontade de engravidar, seguida de tentativas frustradas durante muito tempo e o medo inconsciente desta responsabilidade

Redação

Enjoos, aumento do volume abdominal, dor nos seios e a ausência de menstruação são alguns dos sintomas normais de uma gestação, certo?! No entanto, esses desconfortos também podem ser sentidos por mulheres que sofrem de gravidez psicológica, também conhecida como Pseudogestação e Pseudociese.

De acordo com Renato de Oliveira, ginecologista e infertileuta da Criogênesis, uma das maiores causas dessa condição é a vontade de engravidar — seguida de tentativas frustradas durante muito tempo e o medo inconsciente desta responsabilidade.

A Pseudociese, na maioria dos casos, revela uma série de adversidades psicológicas, fruto de traumas do passado e tentativas frustradas de engravidar e constituir uma família”, explica.

Por apresentar os mesmos sintomas de uma gestação convencional, é preciso realizar um exame clínico para identificar a falsa gravidez. “A simples ausculta com o estetoscópio de Pinard, além da ultrassonografia abdominal ou pélvica, demonstrarão um útero sem feto, que comprova a pseudociese. De forma complementar, realiza-se um exame de sangue que verifica a dosagem do BhCG, hormônio produzido pela placenta durante a gestação”, comenta.

Ainda não existe um tratamento específico para Pseudociese, por isso, o processo de aceitação e tratamento varia de acordo com cada caso, sendo a família, amigos e médicos, parte integrante da terapêutica. “Um trabalho conjunto para diagnosticar as origens do problema e saná-las possibilita que a mulher retome suas atividades normais e busque alternativas para concretizar o desejo de ser mãe”, finaliza Renato.

Psicologia pode ajudar quem quer engravidar

As técnicas de reprodução assistida são opções de tratamento indicadas àquelas pessoas com dificuldade em ter um bebê porque apresentam algum grau de infertilidade ou porque busca a maternidade ou paternidade independentes. As taxas de êxito dos tratamentos variam de 30% a 50%, a depender das condições do paciente e do emprego adequado das técnicas, e, por isso, o acompanhamento psicológico para lidar com as expectativas é essencial.

Segundo a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), a carga emocional associada à vivência e aplicação dos tratamentos pode implicar sofrimento e desgaste psíquico. Desta forma, os profissionais que atuam nesses casos precisam do conhecimento da prática clínica psicológica e do conhecimento médico das etapas envolvidas no tratamento.

A psicóloga Márcia Pena, especialista em atendimento a pessoas inférteis, orienta a busca por um ambiente acolhedor, livre de julgamentos, discrição e de facilidade de comunicação com a equipe. “É ideal que os pacientes se sintam considerados como uma pessoa que está passando por um momento delicado da vida pessoal, conjugal e familiar com suas frustrações e ansiedades”, aponta.

Em entrevista ao site da SBRA, Márcia explica como é possível acolher àqueles que estão em tratamento e apresentam dificuldades em conceber. Confira a íntegra:

1 – Como estimular o reduzir a ansiedade?

Márcia Pena (MP) – Ao contrário do que a maioria pensa, a ansiedade pode ser um elemento positivo no processo. Uma pessoa infértil, sem ansiedade, pode postergar a ida às clínicas e, com isso, a chance de engravidar pode diminuir. Quanto mais rápido iniciar o tratamento, maior a chance de sucesso. A ansiedade está presente de algum modo em todas as etapas: monitorização da ovulação, as relações sexuais programadas, a manipulação das medicações injetáveis, desenvolvimentos dos embriões ou espera pelo dia do exame de gravidez. Na medida certa, a ansiedade deixa as pacientes aderidas ao tratamento. Uma dica é escolher uma clínica de confiança  e tentar viver um dia de cada vez.

2 – De que forma os familiares podem ajudar nesse processo?

MP – Uma rede de apoio pode ser eficaz. Alguns pacientes optam por realizar o tratamento sem a participação da família a fim de evitar mais expectativas e cobranças. Os familiares podem ajudar no processo respeitando as decisões e privacidade do casal. É comum que os casais apresentem um certo isolamento social durante o processo.

3 – A depressão pode afetar a fertilidade do casal? De que forma?

MP – A depressão pode afetar a fertilidade do casal no momento que diminui o número de relações sexuais semanais. Em se tratando de casais inférteis, a depressão pode afetar a disposição destes em retomar o tratamento diante do resultado negativo e, consequentemente, atrasa a gravidez. É o que chamamos de burnout. O termo pode ser utilizado para nomear os esgotamentos físico e mental decorrentes de várias tentativas sem sucesso.

4 – Quais as principais queixas dos pacientes assistidos em consultório psicológico?

MP – As principais queixas são tristeza, melancolia, arrependimento por ter adiado a gestação ou por ter realizado a ligadura ou vasectomia, fadiga, ansiedade, medo de não conseguir engravidar, dúvida quanto à capacidade do corpo de gerar um bebê, falta de controle da situação e os altos custos.

5 –  Como a psicologia pode contribuir para o sucesso da reprodução assistida?

MP – Oferecendo a oportunidade de elaborar o diagnóstico da infertilidade, a indicação do tratamento e tudo o que envolve a realização do mesmo. Para ajudar, precisamos de empatia. É preciso se colocar no lugar do paciente para tentar compreender o que eles estão sentindo e como isso está impactando suas vidas, trabalhar a possibilidade do negativo e dosar a expectativa. Para isso, particularmente, eu recorro a explicações de cada etapa do tratamento e as intercorrências que podem acontecer com fotos e vídeos. Estímulo a leitura em consultório do termo de consentimento informado e as opções a serem definidas. Na reprodução assistida, é esperado que a Psicologia aumente a autonomia do paciente/casal diante do próprio tratamento, uma vez que se trata de um tratamento eletivo, mas com dilemas éticos e com grandes responsabilidades.

Da Redação, com Assessorias

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