Conheça as doenças de pele mais comuns nos dias mais frios do ano e como cuidar

Dermatologista explica rotina de cuidados com a pele no frio para evitar desidratação, dermatites e descamações

A queda no termômetro pode trazer alguns problemas para a pele, que fica bem mais sensível nessa época do ano. A umidade relativa do ar cai, o que favorece o ressecamento. O vento frio, o tempo seco e o aumento da concentração de poluentes no ar são características do inverno que, invariavelmente, provocam alterações na pele. E certos comportamentos, como tomar banho quente e prolongado, pioram a situação.

“Abusamos também da água quente e os contrastes bruscos de temperatura tornam a pele mais ressecada, muitas vezes com descamação, vermelhidão e irritabilidade. As glândulas sebáceas também produzem menos gordura”, explica a dermatologista Letícia Bortolini, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Maria Paula Del Nero, dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia, explica que a hidratação é responsabilidade de uma camada de gordura que reveste a pele. E o ressecamento danifica essa barreira protetora, abrindo caminho para infecções, inflamações e infecções.

4 doenças de pele mais comuns do inverno

A seguir, saiba quais são as doenças que mais se aproveitam dessa fragilidade e como preveni-las.

1.Dermatite seborreica

A popular caspa atinge especialmente a cabeça, mas pode chegar também a outras regiões peludas, como axilas, peitoral e costas. Aqui, a questão não é o ressecamento, mas o oposto dele. É que, para compensar a secura e a temperatura quente do chuveiro, as glândulas sebáceas da pele produzem mais oleosidade. “E isso é sentido onde temos mais fios, pois é ali que tais glândulas estão presentes em maior quantidade”, ensina a dermatologista.

Para piorar, um fungo oportunista se alimenta desse sebo e se multiplica, agravando a inflamação local e provocando coceira – além das famosas cascas brancas. Para evitar, o ideal é lavar e secar o cabelo constantemente em temperatura morna. Se for o caso, com xampus especiais. Fuja das toucas, gorros e bonés, que favorecem a oleosidade.

2.Dermatite atópica

A mais clássica do outono/inverno, capaz de atingir até 10% das crianças, especialmente as que têm outras alergias, como rinite, bronquite e sinusite. Mas, pode também aparecer em adultos. Sintomas são pele avermelhada, coceira, prurido e descamação. Eles são mais notados nas regiões das dobras, como atrás do joelho. “A dermatite que mais piora com o ressecamento e o banho quente e prolongado, pois a perda da barreira protetora deixa a pele suscetível a agentes irritantes, como aditivos químicos”, aponta Dra. Maria Paula.

Em pessoas que já são sensíveis, essas agressões podem facilitar as crises de dermatite. Então, o segredo é hidratar muito a pele, às vezes com produtos específicos. Atenção! A médica explica que se o hidratante comum causar ardência é sinal de que algo está errado, a recomendação é fugir de produtos muito coloridos ou cheirosos demais – sinais de que podem conter aditivos químicos em excesso. Dependendo da extensão do quadro, é preciso passar antialérgicos e até tomar remédio.

3.Psoríase

O mal é a falta de sol, que alivia as crises de quem sofre com a doença crônica. Por isso, o jeito é procurar manter a exposição sempre que possível – fora dos horários de risco para o câncer de pele, claro – e buscar outros tipos de tratamento. Mas, como a falta de hidratação piora a coceira – um dos incômodos associados à psoríase além de suas placas avermelhadas – o ideal é seguir as orientações gerais e manter a pele bem nutrida.

4.Ictiose vulgar

Mais rara, ela é uma manifestação extrema da pele seca. A derme fica mais grossa, descamativa e craquelada – o aspecto pode até lembrar escama de peixe. Acomete especialmente pessoas de mais idade, pois com o tempo perdemos parte da camada protetora da pele. Logo, idosos devem investir em cuidados especiais. “O ideal é passar o hidratante logo depois do banho e, se a pele estiver muito ressecada, até mais de uma vez ao dia”, completa a médica.

Já a ducha diária precisa ser rápida (no máximo, deve durar sete minutos) e morna – com temperatura de até 37ºC, o equivalente à temperatura corporal. Esses hábitos, aliás, valem para todos, assim como a delicadeza na hora de passar sabonete no corpo – buchas e esfoliantes nessa época não são indicados.

Cuidados que devem ser tomados

Mas calma, tudo tem jeito: e a rotina de cuidados é essencial. Durante esta estação, é indispensável aumentar a hidratação da pele, evitar banhos muitos demorados com água quente e usar bucha. A ordem normal do skincare, com limpeza, tonificação, hidratação e proteção da pele continua nessa estação.

“Sabonetes de limpeza suave e ricos em substâncias calmantes e com extratos vegetais como calêndula, hamamélis e óleos como o de amêndoas podem ser utilizados”, explica.

Para o rosto, mesmo pessoas com pele oleosa devem, de acordo com a médica, evitar produtos muito agressivos na higienização (e hidratar após com séruns ou gel imediatamente), para não apresentarem o efeito rebote da oleosidade e até a formação da dermatite seborreica (descamação com coceira e vermelhidão). “A pele seca merece uma atenção especial: durante a época do frio, os hidratantes devem ser enriquecidos, ou seja, suas formulações devem ser mais nutritivas para formar um filme sobre a pele”, completa.

Independentemente do tipo de pele, a dermatologista orienta repor os fatores naturais de hidratação, com ativos como o ácido hialurônico de baixo peso molecular, o silício e vitaminas como a B3, E e C. “Todos estes cuidados evitam as asperezas, as alergias e a coceira na pele por ressecamento e a desidratação constante que leva à perda da elasticidade e turgescência (turgor com sustentação do tecido por hidratação)”, explica.

Tratamentos da época — Em casa, os tratamentos adequados à época podem ser feitos com derivados de vitamina A ácida (padrão ouro no rejuvenescimento domiciliar), à noite, de três a quatro vezes por semana, combinados com vitamina C e alfa-hidroxiácidos, sempre com orientação médica. No dia seguinte, utilizar cremes nutritivos.

Nos consultórios, uma novidade é o protocolo Éclairée, uma associação entre o laser Pico 300, o peeling e o drug delivery, para remover até as manchas mais difíceis, além de estimular a produção de colágeno. “O laser de picossegundos é extremamente rápido, seguro e potente. Ele fragmenta o pigmento causador das manchas em pedaços muito pequenos, o que facilita a remoção pelo organismo. O peeling e o drug delivery potencializam a ação, promovendo também rejuvenescimento para melhora da textura da pele, combatendo linhas e rugas”, afirma a Dra. Letícia.

Proteção — Não se engane, apesar da menor incidência do calor, a fotoproteção ainda é regra: o filtro solar deve ser usado diariamente. A radiação UV até em um dia 100% encoberto só é barrada em 30% e 70%. “O fotoprotetor deve ser reaplicado a cada duas horas em exposição direta ao sol e a cada quatro horas em ambientes fechados. Seu uso deve ser associado a: antioxidantes que barram a produção de radicais livres”, finaliza a médica.

Como controlar as espinhas no inverno

De repente sua pele pipocou de espinhas e não sabe o porquê? Mesmo que não tenha a pele mais oleosa, algumas pessoas podem se sentir incomodadas com o surgimento inesperado de acne. As explicações podem estar relacionadas a alteração hormonal, reação alimentar, mudanças climáticas ou até mesmo ao novo hábito de máscara facial para proteção contra a Covid-19.

“Com o frio, é comum que a pele fique mais ressecada, que apareçam alergias e que seu aspecto fique comprometido”, conta a dermatologista Patricia Consorti. Entre os cuidados recomendados pela médica, estão evitar banhos muito quentes, ingerir alimentos menos gordurosos e, claro, utilizar os produtos indicados para seu tipo de pele.

“Nosso corpo possui características próprias que variam de pessoa para pessoa”, afirma Consorti. Peles com tendência ao surgimento de espinhas, se não receberem o cuidado certo e rigoroso, podem sofrer de “efeito rebote”, piorando a condição acneica.

Dentro de casa e durante o inverno, é a oportunidade de adaptar sua rotina de cuidados para acabar com as temidas espinhas. “Esta é a melhor estação para cuidar da acne, já que as baixas temperaturas diminuem o nível de oleosidade da pele”, indica a Dra. Patricia. Se realizada duas vezes ao dia e com os produtos corretos recomendados por um dermatologista, a limpeza será uma das etapas para amenizar acnes em regiões do queixo, bochechas e testa.

Com Assessorias

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