Coronavírus: laboratórios oferecem testes rápidos para diagnóstico

Exame custa R$ 280 na rede Dasa, pode ser feito em casa e resultado sai em até 48 horas. No Sabin, o exame sai a R$ 950. Já o Fleury oferece somente para hospitais parceiros. Mas nem todo mundo pode fazer

Redação
Exame feito pela Dasa é realizado em casa e custa R$ 280 (Foto: Divulgação)

Em meio ao alvoroço em torno da expansão do coronavírus em todo o mundo e a confirmação de dois casos importados no Brasil, grandes redes de laboratórios  privados iniciaram uma corrida para oferecer à população testes laboratoriais que detectem o Covid-19 em tempo hábil, seguindo protocolos e boas práticas de segurança em saúde, com aval do Ministério da Saúde.

O objetivo é atender à recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que emitiu na semana passada um alerta global sobre a importância da realização de testes laboratoriais para a rápida identificação do coronavírus. Para o diretor geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus sem diagnósticos precisos, os países ‘ficam no escuro’, sem saber até que ponto e por que o vírus se espalhou e quem tem o coronavírus ou doença com sintomas semelhantes.

Diante dos novos casos e da maior preocupação das pessoas em torno do tema, a Dasa, que reúne laboratórios como Sérgio Franco (RJ), Delboni (SP) e Exame (DF), passou a oferecer desde sexta-feira, dia 28, o serviço de atendimento domiciliar para coleta do exame de diagnóstico coronavírus. O custo é de R$ 280. Pelo laboratório Sabin, o teste custa R$ 950 e já está disponível nas unidades hospitalares, além de seu serviço de coleta em domicílio.

Já o exame desenvolvido pela área de Pesquisa e Desenvolvimento do Grupo Fleury é disponibilizado somente nos hospitais parceiros nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Rio Grande do Sul, além do Distrito Federal. Assim como praticado durante o surto de H1N1, por se tratar de uma situação de saúde pública, o grupo informa que oferece esse exame aos hospitais parceiros a preço de custo – o valor não foi informado.

De acordo com nota do Fleury, no atual cenário epidemiológico, em que o vírus ainda não circula no país, o atendimento hospitalar corresponde melhor às recomendações nacionais e internacionais de diagnóstico e tratamento da doença, além das medidas de prevenção de transmissão a familiares e outros contatos próximos. Clique aqui e veja em quais hospitais parceiros do grupo o exame está disponível.

Impedir a propagação é imperativo para evitarmos o cenário epidêmico. Temos mais de 800 unidades espalhadas pelo país, com grande circulação de idosos e pacientes com doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e câncer, que são grupos de risco. Para evitar a disseminação do vírus, disponibilizamos a coleta apenas via unidades hospitalares e atendimento domiciliar”, ressalta Emerson Gasparetto, vice-presidente da área médica da Dasa.

Laboratório da rede Dasa, um dos que investiram para oferecer teste rápido do coronavírus (Foto: Divulgação)

Quem deve realizar o exame?

A recomendação para realizar o teste segue o protocolo de cada instituição. No entanto, de acordo com a pouca literatura existente sobre este vírus tão novo, já se sabe que o exame ainda nos primeiros 10 dias das manifestações clínicas dos sintomas é a forma mais eficaz de detectar o vírus.

O teste, no entanto, não é indicado a toda a população. Sua realização segue os critérios epidemiológicos do MS, ou seja, é recomendado para pessoas com febre associada a um sintoma respiratório, como tosse ou dificuldade para respirar; e que tenham histórico de viagem a área com transmissão local do 2019-nCoV ou contato próximo com caso suspeito ou confirmado, nos 14 dias que antecederam o início dos sintomas.

Para realizar o teste é necessário pedido médico e a pessoa tem que apresentar critérios clínicos, explica Alberto Chebabo, infectologista da Dasa. Os principais critérios são: febre acompanhada de sintomas respiratórios (tosse, espirros, aperto no peito, dificuldade para respirar, falta de ar),  ter viajado para países com a epidemia instalada, como a China ou a Itália (nos 14 dias anteriores, período de incubação do vírus) ou ter tido contato com um caso suspeito ou confirmado do novo coronavírus.

Como é feita a coleta?

Por se tratar de uma infecção respiratória, o diagnóstico do novo coronavírus é feito a partir de uma amostra de raspado (swab) de nasofaringe, isto é, material obtido da mucosa do fundo do nariz com uma haste flexível. Também serão aceitos outros materiais do trato respiratório, como lavado nasal, lavado broncoalveolar e raspado de orofaringe.

O exame possui coleta simples, feito por meio de secreção nasal. Coletado, o material é analisado pelo núcleo de pesquisas da empresa. Os resultados são liberados em 24 horas, se feitos em Brasília, ou em até três dias, caso sejam realizados em outras regiões. Em seguida, os dados obtidos são enviados para os hospitais solicitantes e às Vigilâncias Sanitárias Municipais, para que as autoridades adotem as providências necessárias, se houver detecção de presença do vírus”, afirma o diretor técnico do Grupo Sabin, Rafael Jácomo.

Profissionais de saúde responsáveis pela coleta devem seguir as precauções usuais para demais vírus respiratórios e usar avental, máscara PFF2 (N95), luva e óculos. Após o procedimento, o material coletado é enviado para análise na área de biologia molecular. O resultado fica pronto em até dois dias para o Estado de São Paulo e até três dias para as demais regiões brasileiras.

Kits para testes na rede pública

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) anunciou nesta terça-feira (3/3) que inicia ainda nesta semana a produção de protótipos de kits com insumos para a realização de 30 mil testes diagnósticos para o novo coronavírus. Diante da identificação dos primeiros casos no Brasil e da preparação para uma possível disseminação da doença em território nacional, o Ministério da Saúde (MS) encomendou à Fiocruz o desenvolvimento e a produção dos kits para diagnóstico laboratorial destinados a atender a rede de laboratórios públicos de todo o país.

Os kits foram desenvolvidos pelos Institutos de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) e de Biologia Molecular do Paraná (IBMP). A Fiocruz tem a capacidade de produzir de 25 a 30 mil testes semanais e o ritmo de produção seguirá conforme a demanda do Ministério da Saúde. Em 20 dias, todos os laboratórios centrais estejam aptos a realizar os testes para diagnóstico do novo coronavírus. A atividade será conduzida pelo Laboratório de Vírus Respiratório e Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

Referência Nacional em vírus respiratórios junto ao MS, o Laboratório já realizou a capacitação de especialistas dos Institutos Adolfo Lutz, em São Paulo, e Evandro Chagas, no Pará, além de técnicos do Laboratório Central de Saúde Pública de Goiás e de nove países da América Latina, a partir de solicitação da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Atualmente, na rede pública nacional, somente estes laboratórios, além da Fiocruz, realizam os testes específicos para o novo coronavírus.

A Fiocruz vem acompanhando com o Ministério todas as iniciativas dessa emergência. Estamos trabalhando com foco no diagnóstico, mas também atuaremos em todas as frentes necessárias no enfrentamento desse novo vírus, seja na vigilância em saúde, na pesquisa e prospecção de medidas terapêuticas, em medidas educativas de prevenção e, sobretudo, no fortalecimento do nosso Sistema Único de Saúde. Também reafirmamos nosso compromisso com a informação qualificada junto ao cidadão”, explica a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima.

Capacitações – Segundo orientação do MS, a Fiocruz também terá atuação no processo de descentralização e expansão da capacidade laboratorial para realização dos testes moleculares para detecção do novo coronavírus, o que inclui não apenas o desenvolvimento e a produção, mas também a capacitação de laboratórios públicos presentes em diversos estados (Lacens) para a sua realização.

Segundo o secretário de Vigilância em Saúde (SVS/MS), Wanderson Kleber de Oliveira,  a expectativa é de que, ao longo das próximas duas semanas, sejam capacitadas as regiões Norte (Amazonas, Pará e Roraima), Nordeste (Bahia, Ceará, Pernambuco e Sergipe), Sudeste (Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais), Centro Oeste (Distrito Federal e Mato Grosso do Sul) e Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul).

Exames cumprem padrões internacionais

Como é política de saúde pública, se qualquer laboratório fizer teste positivo, tem que seguir o procedimento de notificar o Ministério da Saúde e mandar a contraprova para laboratórios de referência (Fiocruz/Adolfo Lutz). Seguindo o guia de diretrizes da OMS para o diagnóstico do coronavírus (COVID-19), a Dasa validou o exame seguindo rígidos padrões de controle internacionais, e usando como base uma amostra positiva específica para a cepa do vírus do surto chinês.

Os exames validados pela Dasa, Fleury e Sabin usam a tecnologia de PCR em tempo real – a mesma utilizada pelos centros de referência com avaliação de dois genes para investigar a presença de outras infecções respiratórias. O teste desenvolvido pelo Grupo Fleury segue protocolo alemão, validado de acordo com as normas do Colégio Americano de Patologistas (CAP). A validação da Dasa se deu por meio de parceria com o Instituto de Medicina Tropical da USP.

Já o Grupo Sabin desenvolveu um sistema de metodologia própria, baseado nos protocolos do Center for Diseases Control (CDC) e da OMS, o ‘SARS CoV – 2 coronavírus Cepa 2019’. Equipes de Pesquisa e Desenvolvimento do laboratório submeteram amostras do vírus a testes com reagentes e os resultados revelaram a eficiência para identificação do novo Coronavírus. No Parque Tecnológico da empresa, em Brasília, os especialistas desenvolveram os exames que podem ser realizados em todo o país.

A partir da chegada de reagentes importados no dia 6 de fevereiro de 2020, conseguimos desenvolver em tempo recorde, dentro de nossa área de P&D, o exame para detecção do novo coronavírus. O protocolo técnico foi totalmente elaborado pelo Grupo Fleury, que além dos testes com reagentes desenvolveu em paralelo todas as ações operacionais e logísticas para que o exame fosse disponibilizado para seus hospitais parceiros o mais brevemente possível”, conta Celso Granato, infectologista e diretor Clínico do Grupo Fleury.

Jácomo enfatiza ainda que investimentos contínuos do Grupo Sabin em pesquisa e inovação foram essenciais para desenvolvimento dessa nova metodologia diagnóstica de forma tempestiva às demandas da comunidade médica e da população.  “Oferecemos nos laboratórios hospitalares o exame certificado com as metodologias de padrão internacional, suportando as instituições públicas na confirmação (ou não) do diagnóstico do Covid-19”, explica Gustavo Campana, diretor médico da Dasa.

Segundo Campanha, os controles positivos são importantes para a validação clínica, seja para garantir segurança para o paciente ou a assertividade no diagnóstico. Não foi a primeira vez que a rede mobiliza seu time técnico para desenvolver e validar um teste molecular preciso, de forma rápida. Foi assim com a epidemia de febre amarela, em 2017/2018, e com o Zika vírus, em 2015/2016, ambos bem avaliados nos programas internacionais de controle de qualidade, segundo Emerson Gasparetto.

Com Assessorias (atualizado em 03/03/20, às 20h30)