Covid-19 deixa lição de empatia, dizem enfermeiras recuperadas

Érica Paiva, de Niterói (RJ), e Kátia Azevedo, de São Paulo, contam como foi o diagnóstico, o tratamento e o afastamento da família

Redação
Kátia Simone Azevedo, do Hospital Edmundo Vasconcelos, e Erica Paiva, do Complexo Hospitalar de Niterói, venceram a Covid (Fotomontagem sobre fotos de divulgação)

Mais empatia com aqueles que estão doentes e por aqueles que cuidam deles. Esta foi a lição deixada pela Covid-19 para duas profissionais de Enfermagem que estão na linha de frente do combate ao novo coronavírus em hospitais privados de São Paulo e do Rio de Janeiro desde os primeiros registros da doença. Acostumadas a lidar com a dor alheia, de uma hora para outra, elas se viram no papel de pacientes.

O comprometimento com a profissão trouxe reações inesperadas para Érica Paiva (foto), de 40 anos, que atua há 18 como supervisora geral de enfermagem do Complexo Hospitalar de Niterói. “Circulo muito pelo hospital. Sou bem engajada e não consigo só observar as coisas acontecerem; quero estar na linha de frente sempre. Por isso, infelizmente, acabei me infectando’, conta ela, que é responsável pelos CTIs e Emergências.

A descoberta do diagnóstico no dia 20 de abril foi preocupante para a família, mas Érica mostrou seu lado mais forte. “Todos ficaram apreensivos. Minha mãe ficou muito angustiada por estar no grupo de risco. O isolamento foi muito difícil para mim. Mas percebi que era minha missão e que passaria bem por isso. Precisava fazer meu melhor para não colocar pessoas amadas em risco”, comenta.

Katia Simone, de 51 anos, trabalha há 20 no Hospital Edmundo Vasconcelos (Foto: Divulgação)

Para Kátia Simone Cruz Azevedo, de 51 anos, a rotina de cuidados e tratamento com os contaminados mudou no momento em que ela tornou-se paciente do Hospital Edmundo Vasconcelos, em São Paulo, onde trabalha há 20 anos e hoje é gerente de enfermagem. Com o diagnóstico positivo para o vírus, Kátia precisou passar por internação e isolamento, que segundo ela, não foram dias fáceis – mesmo com conhecimento técnico sobre o processo.

Fiquei oito dias em isolamento, e foi um momento complicado, mas sempre me mantive confiante. Neste período percebi o quanto os meus colegas de trabalho se empenham em oferecer apoio médico e emocional para amenizar a distância da família e dos amigos, algo absolutamente necessário para a evolução do tratamento e evitar mais contaminações”, contou.

Érica teve que se afastar do marido e da filha

Por viver com o marido e a filha de 6 anos, Erica teve que se afastar da família. Foi a parte mais dura, diz ela. “Assim que tive os primeiros sintomas, antes mesmo de fazer o teste, pedi que minha mãe ficasse temporariamente com minha filha. Dentro de casa, ficava mais tempo isolada e utilizava máscara quando precisava sair do quarto. Separamos nossos objetos de uso pessoal e reforçamos a higienização e o arejamento da casa”, explica.

Apesar das medidas cautelosas, o marido de Erica acabou sendo infectado pouco tempo depois: “No caso dele, foi um pouco mais grave. Como tive sintomas brandos, não precisei recorrer ao hospital. Ele, por outro lado, apresentou falta de ar e precisou passar dois dias no CTI. Hoje já está recuperado e fazendo fisioterapia respiratória.”.

Elas voltaram ao front “com força total”

Uma vez curada, Kátia não hesitou em voltar às atividades rapidamente ao hospital, onde trabalha há 22 anos, para auxiliar no acompanhamento e no tratamento de outros pacientes.

No dia da alta, eu olhei todos e senti muita gratidão pelo que fizeram por mim e por outras pessoas. Compreendi a importância do nosso trabalho. Esta experiência reforçou minha empatia com os pacientes e suas individualidades, por isso, voltei com ainda mais empenho para ajudar a curar outras pessoas que estão passando pelo mesmo problema”, reforça.

Mesmo diante das dificuldades, a enfermeira Érica comenta que os 14 dias de afastamento a motivaram para voltar à atividade com força total. “Já retornei à ação. Está no meu sangue. O cansaço é grande, mas ver a situação dos nossos colegas da enfermagem nos motiva muito e nos faz perceber que precisamos estar no lugar deles. Sempre fui muito empática, mas a pandemia trouxe uma nova perspectiva de empatia e solidariedade. Se eles não podem, eu preciso poder por eles”, comenta Erica.

Papel da equipe é fundamental para a cura

Ela lembra que, no período internada, um dos pontos mais importantes foi a ação de toda a equipe de empoderá-la com informação e comunicação, sem deixar de lado a palavra positiva. “Esse acolhimento e mensagem otimista de que vai ficar tudo bem, mesmo para nós profissionais, é o que faz a diferença e nos ajuda a ter força e fé para continuar”, salienta. “Certamente isso colaborou para que minha recuperação fosse mais rápida”, completa.

Sobre o papel dos profissionais de Enfermagem, ela comenta. “O trabalho em conjunto com o médico é essencial – a enfermagem executa todas as suas orientações durante 24 horas. Prestamos cuidado à saúde, alimentamos os internos, damos banho, acolhemos, damos afeto, fazemos curativos. Somos profissionais fundamentais para que o paciente saia do CTI de volta para suas famílias”, finaliza Erica.

Com Assessorias