Dermatite atópica tira o sono e pode causar ansiedade e depressão

Dermatite atópica é o tema deste ano para a Semana Mundial de Alergia. O problema afeta até 20% das crianças e cerca de 3% dos adultos, sendo que 60% dos casos ocorrem no primeiro ano de vida

Redação
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Levantamentos apontam que metade (51%) das pessoas com dermatite atópica das formas mais severas sofre com ansiedade ou depressão. Por causa da coceira, mais da metade apresentam problemas para dormir cinco ou mais noites por semana (55%) e também relatam interferência na produtividade (77%). Normalmente associada apenas a uma condição de pele comum da infância, a doença  pode prevalecer por toda a vida, demandando controle contínuo e prolongado.

A pele atópica tem menor produção de gorduras naturais, por isso, é mais seca, áspera, provocando coceira e facilitando a infecção por bactérias e fungos. Apesar do aspecto, não é uma doença contagiosa, mas está associada com rinite e asma, conhecidas como doenças alérgicas”, explica a médica Márcia Carvalho Mallozi, coordenadora do Departamento Científico de Dermatite Atópica da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai).

Por conta dos sintomas, que incluem coceira intensa e incontrolável, pele seca, vermelhidão, lesões e rachaduras, a dermatite atópica gera grande impacto a qualidade de vida e, nos casos moderados a graves, pode ser altamente debilitante.  Outra característica  é o processo inflamatório da pele com períodos de melhora, alternando com períodos de piora, com intervalos que vão de meses ou anos entre uma crise e outra. Quando mais grave pode manter coceira e feridas continuamente.

“Dermatite Atópica: Uma Coceira que Causa Erupções na Pele” é o tema deste ano para a Semana Mundial de Alergia, entre os dias 22 e 28 de abril, organizada pela World Allergy Organization (WAO). O objetivo é alertar para os prejuízos causados à qualidade de vida, a importância dos cuidados constantes com a pele, diminuição do preconceito e novas opções de tratamento.

Bebês sofrem com a doença

De origem genética, esta é considerada uma doença inflamatória crônica, caracterizada por pele seca, que coça bastante, e muitas vezes pode formar feridas.  Além do fator hereditário, a dermatite atópica pode ser desencadeada por alimentos e aeroalérgenos tais como ácaros, e outros agentes perfumes, suor. Aspectos emocionais podem agravar o problema. O tratamento engloba a melhora e controle permanente das condições da pele para evitar as crises.

É mais comum na infância, com início após os três meses de idade. No bebê as lesões predominam na face (bochechas), pescoço, couro cabeludo e ocasionalmente no resto do corpo. Em crianças maiores, adolescentes e adultos a dermatite atópica atinge as dobras dos braços e pernas, face (em pálpebras) e pescoço. O problema afeta até 20% das crianças e cerca de 3% dos adultos, sendo que 60% dos casos ocorrem no primeiro ano de vida.

Banho com água morna, hidratante e vacina

A necessidade de medicamentos varia para cada pessoa, seja criança ou adulto, de acordo com o tipo e intensidade das lesões na pele. Recomenda-se um banho por dia, rápido e com água morna, hidratante e sabonete orientados pelo médico. A imunoterapia, também conhecida como vacina de alergia, está indicada em alguns casos, a critério do médico especialista em alergia. Além disso, é essencial tratar as doenças associadas.

No final de 2017, a Anvisa aprovou uma nova terapia para o tratamento da dermatite atópica moderada a grave em pacientes adultos. Dupixent® (dupilumabe) é o primeiro medicamento biológico específico para tratamento da doença. Com um mecanismo de ação único, ele bloqueia os agentes que iniciam o processo inflamatório em pacientes com a doença, controlando a doença e seus sintomas com bom perfil de segurança em longo prazo.

Da Redação, com assessorias