Dia da Sobrecarga da Terra: o que fazer para o planeta sair do ‘cheque especial’

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O planeta Terra entra hoje no “cheque especial”. Dois de agosto é o Dia da Sobrecarga da Terra (Overshoot Day), que representa o momento em que a demanda da Humanidade por recursos da natureza ultrapassa a capacidade de o planeta se regenerar durante um ano. Diante dessa tragédia anunciada, que tal começar a sua contribuição com algumas atitudes simples dentro de casa? Abaixo, veja as dicas do Instituto Akatu e escolha as que você pode incluir no seu dia a dia. Aqui em casa, já adotamos várias delas faz tempo…

NA COZINHA

– Para evitar que alimentos estraguem, antes das compras no mercado, planeje o cardápio semanal e prepare uma lista. Verifique o que você já tem em casa e compre o necessário.

– Organize, sempre que possível, a geladeira e a despensa, de forma que os alimentos fiquem visíveis. Coloque na frente ou em cima os mais antigos e atrás ou embaixo os mais recentes.

– Para evitar desperdício, utilize os alimentos integralmente: ou seja, inclua sementes, talos, folhas e cascas nas receitas. Essas partes podem ser nutritivas e ricas em fibras. Use os alimentos “feiozinhos” – frutas, legumes e verduras um pouco machucados ou com formato diferente do usual são tão nutritivos quanto os demais.

– Dê preferência a frutas, verduras e legumes da época. Eles são produzidos em condições climáticas “ideais” para o seu crescimento, o que reduz a necessidade de aplicação de agroquímicos, por isso, muitas vezes, menos impactantes para a saúde dos solos e dos recursos hídricos, por exemplo.

– Reduza o consumo de carnes vermelhas, nem que seja por um dia na semana. Todo o processo de produção de carne emite muitos gases de efeito estufa (GEE).

– Ao comprar um eletrodoméstico, procure o selo Procel ou etiqueta do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), que indicam os mais econômicos.

NA SALA E NO QUARTO

– Substitua as lâmpadas incandescentes e fluorescentes por lâmpadas de LED. Uma LED dura em média 16 anos, 5 vezes mais que uma lâmpada fluorescente compacta. Apesar de ser mais cara, a LED dura muito mais e consome metade da energia.

– Não deixe a TV ligada à toa. Se todos os brasileiros desligarem uma TV uma hora por semana, a eletricidade economizada em um mês seria suficiente para abastecer o consumo de energia mensal das cidades de Votuporanga e Registro (SP), com seus quase 150 mil habitantes.

– Ao sair de um ambiente, não se esqueça de apagar a luz. É importante ressaltar que esta prática vai além da economia de energia, pois também aumenta a vida útil das lâmpadas.

QUARTO

– Organize bem o seu guarda-roupa e saiba quais peças você tem. Se ficarem entulhadas e “escondidas”, acabam por não ser usadas. Troque, doe ou venda aquelas que você não quer mais.

NO BANHEIRO

– Desligue o chuveiro enquanto se ensaboa ou lava os cabelos. Numa casa, os banhos com chuveiro elétrico são um dos maiores gastos com energia elétrica. Um chuveiro gasta a mesma energia que 54 TVs ligadas ao mesmo tempo. Se cada um dos brasileiros diminuísse em apenas um minuto o seu tempo diário de banho no chuveiro elétrico, a energia economizada em um ano equivaleria a mais de 10 dias de operação de Itaipu, a maior usina hidrelétrica do Brasil, em sua geração máxima.

ÁREA DE SERVIÇO

-Acumule o máximo de peças possível para usar a máquina de lavar e passar. Isso ajuda a economizar energia e água.

-Se possível, pendure em cabides as camisetas, camisas e blusas para que elas sequem e desamassem naturalmente. Dependendo do tipo de tecido, a peça pode até dispensar o ferro de passar e ir direto ao guarda-roupa.

NA GARAGEM

– Sempre que possível, evite o uso do transporte privado individual. Prefira o transporte público, a bicicleta ou uma caminhada, pelo menos em alguns trechos; se precisar mesmo pegar o carro, procure coordenar caminhos para dar ou pegar carona e otimizar o uso do veículo.

Mais sobre o Dia da Sobrecarga da Terra

O cálculo do Dia da Sobrecarga da Terra é feito pela Global Footprint Network (GFN), uma organização de pesquisa internacional, que calcula a chamada “pegada ecológica” para medir os impactos do consumo humano sobre os recursos naturais. É uma forma de traduzir, em hectares (ha), a extensão de território que uma pessoa ou toda uma sociedade “utiliza”, em média, para se sustentar. Calculada desde 2000, a data acontece mais cedo a cada ano. No primeiro ano da medição, o esgotamento dos recursos naturais aconteceu em 4 de outubro. Em 2016, caiu em 8 de agosto.

“Atualmente, a humanidade precisa de 1,6 planeta Terra para atender suas demandas. Se não mudarmos nosso comportamento de consumo, a projeção é de que precisaremos de mais de três Terras antes de 2050. Esse é um dos motivos pelos quais precisamos cumprir o Acordo de Paris”, explica Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu, ONG que atua há 16 anos em defesa do consumo consciente.

A agropecuária é uma das principais responsáveis por esgotar o solo e a água. As demandas de consumo global, a deficiência na produção de bens e o tamanho da população são maiores que a capacidade da natureza de prover recursos e “reciclar” resíduos organicamente, além do excesso de gases poluidores que não são absorvidos. Mas, além de cobrar que os governos alcancem as metas de emissões, cada pessoa pode colaborar para diminuir o seu impacto negativo no meio ambiente com pequenas ações cotidianas.

Ele reforça também que a mudança de comportamento individual pode parecer pouco significativa diante do tamanho do problema, mas é importante que a pessoa perceba que, além de fazer diferença, ela será um exemplo para a família e comunidade, de modo que seus comportamentos vão se multiplicar sem que a pessoa se dê conta. Para a situação mudar, é preciso que as pessoas estejam envolvidas.

Amanhã ameaçado –  Nesta quarta-feira (2), o Museu do Amanhã e o WWF-Brasil promovem o seminário “Áreas Protegidas no Brasil: o amanhã ameaçado”. O debate marca a participação do Brasil na discussão que ocorre na mesma data em diversos países e que trata de entender causas e efeitos da crescente demanda da humanidade sobre os recursos naturais. O evento será realizado no Observatório do Amanhã, às 14h, e receberá Bráulio Dias, ex-secretário-executivo da Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU; o economista Carlos Eduardo Young; e Maurício Voivodic, diretor do WWF-Brasil. Entre os temas debatidos estão a importância da biodiversidade brasileira para o mundo, o valor econômico das florestas ao permanecerem intactas e o impacto das políticas públicas sobre o meio ambiente no Brasil. O evento tem transmissão on-line pelo Facebook do Museu. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no site da instituição.

Fonte: Instituto Akatu, WWF Brasil e Museu do Amanhã

 

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