Dia do Meio Ambiente: há esperança, mas também muito o que fazer

ONU abre a Década de Restauração de Ecossistemas no Dia Mundial do Meio Ambiente (5/6). ViDA & Ação inicial série especial pelos seus 5 anos

Para serem eficazes, as áreas protegidas e conservadas precisam incluir lugares importantes para a biodiversidade (Foto | Vlad Hilitanu/Unsplash)

Neste sábado, dia 5 de junho, é celebrado o Dia Mundial do Meio Ambiente, uma data criada em 1972 pela Assembleia Geral Organização Mundial das Nações Unidas (ONU), com o objetivo de conscientizar a população sobre a preservação dos recursos naturais. A data marca também os cinco anos do Portal ViDA & Ação, que nasceu como um blog no site de um jornal carioca e hoje acumula 4.450 conteúdos relevantes sobre saúde, bem-estar e atitude sustentável. Para celebrar, lançamos o especial MEIO AMBIENTE, que vai até o dia 11 de junho.

Nesse ano, a data reforça a restauração de ecossistemas, um processo de recuperação do habitat e regeneração do ambiente destruído. A população assume um papel importante na manutenção local, por meio da plantação de árvores, restauração de jardins, reciclagem, limpeza de rios e até mesmo mudanças na alimentação. Inaugura-se também a Década das Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas

Em muitos casos, as áreas em processo de restauração serão provavelmente adicionadas à rede de áreas protegidas e conservadas, para garantir que os benefícios da restauração sejam mantidos. A comunidade internacional fez grandes progressos em direção à meta global de cobertura de áreas protegidas e conservadas, mas ficou muito aquém de seus compromissos com a qualidade dessas áreas.

As informações são do novo relatório do Centro de Monitoramento da Conservação Mundial, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP-WCMC) e da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), produzido com o apoio da National Geographic Society. O Relatório Planeta Protegido aponta um bom desempenho desde 2010, com mais de 22 milhões de km2 de terra e 28 milhões de km2 de oceano protegidos ou conservados e 42% da cobertura atual agregada na última década.

No entanto, um terço das principais áreas de biodiversidade não possui qualquer cobertura, e menos de 8% da terra está protegida e conectada, indicando fragilidade nos instrumentos de defesa da biodiversidade. As informações contidas no relatório derivam da avaliação final da Meta 11 de Aichi, que trata das áreas protegidas e conservadas até 2020. Nela está incluso o compromisso de proteger  pelo menos 17% da terra e das águas interiores e 10% do meio ambiente marinho. 

Preservação em números

Hoje, 22,5 milhões de km2 (16,64%) de ecossistemas terrestres e aquáticos e 28,1 milhões de km2 (7,74%) de águas costeiras e do oceano estão dentro de áreas protegidas e conservadas documentadas. Isso representa um aumento de mais de 21 milhões de km2 (42% da cobertura atual) desde 2010, de acordo com o novo relatório.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) calcula que a cobertura terrestre excederá consideravelmente a meta de 17% quando os dados de todas as áreas forem disponibilizados, uma vez que muitas áreas protegidas e conservadas permanecem não relatadas.

O marco global pós-2020 para a biodiversidade deverá ser acordado na Conferência sobre a Diversidade Biológica da ONU (CBD COP15) em Kunming, China, em outubro, e espera-se que inclua a ambição de aumentar a cobertura e a eficácia das áreas protegidas e conservadas.

O relatório Planeta Protegido conclui que o desafio será melhorar a qualidade tanto das áreas existentes quanto das novas para alcançar mudanças positivas para as pessoas e para a natureza, já que a biodiversidade continua a diminuir, mesmo dentro de muitas áreas protegidas. O padrão da Lista Verde da IUCN é a única medida global de uma mudança geral na qualidade.

Neville Ash, diretor do UNEP-WCMC, afirma: “Áreas protegidas e conservadas desempenham um papel crucial no combate à perda da biodiversidade, e grandes progressos foram feitos nos últimos anos no fortalecimento da rede global de áreas protegidas e conservadas. Entretanto, designar e contabilizar mais áreas protegidas e conservadas é insuficiente; elas precisam ser efetivamente gerenciadas e governadas de forma equitativa se quiserem perceber seus muitos benefícios em escala local e global e garantir um futuro melhor para as pessoas e para o planeta”.

 Eficácia e equidade

Para serem eficazes, as áreas protegidas e conservadas precisam incluir lugares importantes para a biodiversidade. No entanto, um terço das áreas-chave da biodiversidade, seja em terra, águas interiores ou no oceano, ainda não estão protegidas de forma alguma, de acordo com o relatório.

As áreas protegidas e conservadas também precisam estar melhor conectadas entre si, para permitir a movimentação de espécies e o funcionamento de processos ecológicos. Embora tenha havido melhorias recentes, menos de 8% da terra está protegida e conectada — muito abaixo dos quase 17% da área terrestre que agora está sob proteção — e ainda há a necessidade de assegurar que as áreas circundantes sejam manejadas adequadamente para manter os valores de biodiversidade.

Além de designar novas áreas, o relatório solicita que as áreas protegidas e conservadas existentes sejam identificadas e reconhecidas, prestando contas dos esforços dos povos indígenas, comunidades locais e entidades privadas, ao mesmo tempo em que reconhece seus direitos e responsabilidades. Os esforços de conservação desses guardiões continuam subvalorizados e subnotificados, embora suas contribuições sejam extensas para garantir um futuro para a natureza.

O relatório também conclui que é preciso fazer mais para administrar as áreas protegidas e conservadas de forma equitativa, de modo que os custos da conservação não sejam arcados pelas populações locais enquanto seus benefícios são usufruídos por outros. Isto é fundamental para construir redes de conservação que tenham o apoio e a participação de pessoas em todos os lugares.

A IUCN celebra o enorme progresso feito, especialmente na última década, com áreas protegidas cobrindo uma proporção crescente do globo. Como a biodiversidade continua a diminuir, agora pedimos que as Partes da Conferência das Nações Unidas sobre a Diversidade Biológica em Kunming estabeleçam uma meta ambiciosa que garantirá a cobertura de 30% de áreas protegidas em terra, água doce e oceano até 2030. Essas áreas devem ser colocadas da melhor forma para proteger a diversidade da vida na Terra e ser gerida de forma eficaz e governada de forma equitativa”, afirma o diretor Geral da IUCN, Bruno Oberle.

Proteção e restauração

Ao proteger áreas intactas e restaurar ecossistemas degradados, os países podem criar uma rede para a natureza que ajuda a deter e reverter a perda de biodiversidade, mantém os serviços essenciais dos ecossistemas, ajuda a sociedade a enfrentar e se adaptar às mudanças climáticas e reduz o risco de futuras pandemias. Áreas gerenciadas com eficácia, protegidas e conservadas podem ajudar a prevenir uma maior degradação dos ecossistemas e consolidar o progresso na Década das Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas

O que queremos com essa Década é construir um movimento global forte para acelerar ações de restauração, o que inclui fomentar a vontade política, construir e fortalecer capacidades técnicas, conectar parceiros implementadores e investir em comunicação. Temos 10 anos para reviver o planeta – e precisamos fazer isso juntos”, afirma a representante do PNUMA no Brasil, Denise Hamú.

AGENDA POSITIVA

Programação do PNUMA marca o mês dedicado ao meio ambiente

O Dia Mundial do Meio Ambiente 2021 marca o lançamento da Década das
Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas 2021-2030
, liderada pelo Programa da ONU para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Neste ano, o Pnuma promove uma série de atividades no Brasil para mobilizar todos os setores da sociedade e fomentar a agenda da restauração.

A Década da Restauração – que visa prevenir, interromper e reverter a
degradação dos ecossistemas em todos os continentes e oceanos – foi lançada oficialmente por meio de um evento virtual global, nesta sexta-feira (4), com a participação do secretário-geral da ONU, António Guterres.

No site do PNUMA é possível conferir esse e outros eventos ao redor do mundo, bem como as atividades organizadas a nível nacional pelo escritório do PNUMA no Brasil e seus parceiros, que começam neste dia 5 e se estenderão ao longo de todo o mês de junho.

Com as hashtags #GeraçãoRestauração e #DiaMundialdoMeioAmbiente, o escritório do PNUMA no Brasil está promovendo uma campanha online nas redes sociais. No sábado (5), dois vídeos que reúnem diversas vozes da restauração no país serão lançados para estimular todas as pessoas a aderirem ao movimento global da restauração de ecossistemas.

Além disso, pessoas e organizações são convidadas a registrarem seus eventos durante todo o mês de junho no site do PNUMA, dando visibilidade aos esforços conjuntos pela natureza a partir de uma mapa interativo. Uma página do Trello também disponibiliza recursos audiovisuais em português.

Atividades na Quinta da Boa Vista, BioParque e AquaRio

Em sintonia com a data, o Grupo Cataratas, em parceria com o PNUMA, realizará uma série de atividades. A programação começa neste sábado (5) com a primeira edição do Agir para Conservar, acontecerá a partir das 8h, ma Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul carioca. Voluntários do programa de Sócio anual do AquaRio, em parceria com o Instituto Manguezais, realizarão uma importante ação de restauração do manguezal da Lagoa, com a limpeza da área, seguida do replantio de mudas nativas de mangue. A ação conta com apoio do biólogo e ambientalista Mario Moscatelli.

Neste fim de semana (5 e 6), quem for ao BioParque do Rio poderá ver o musical infantil com o grupo teatral Lekolé. Nas apresentações, as famílias que visitarem o parque passarão a entender mais sobre a campanha da ONU, bem como maneiras de levá-la para o dia a dia. Haverá também atividades educativas com a Sereia Coral e o Pirata Fernão Ermitão no AquaRio.

Atividades online também fazem parte da programação. No domingo (dia 6) a coluna semanal de Marcelo Szpilman, fundador e presidente de honra do AquaRio, vai virar a web série “Crônicas da Natureza”. Interpretada pelo biólogo Rafael Franco, a produção tem como pauta a conservação das espécies, ecologia, sustentabilidade e a vida selvagem. 

Com ONU Brasil e Grupo Cataratas

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