Dia do Sexo: Brasil já é líder em cirurgias íntimas femininas

Ninfoplastia ou labioplastia deixou de ser ‘tabu’ entre as mulheres. Especialista aponta aumento de 20% entre as brasileiras. Entenda o pré e pós-operatório

Redação
Geisy Arruda se submeteu à ninfoplastia e hoje tem orgulho do resultado (Foto: Divulgação)

Neste Dia do Sexo (6 de setembro) – ou em qualquer outro dia do ano -, as mulheres querem mais é saber de ser felizes com sua vida sexual, sem vergonha na “hora H”. E se isso envolve até mesmo submeter-se a uma cirurgia plástica, está valendo para muitas delas. A modelo Geisy Arruda, por exemplo, enfrentou durante muitos anos uma barreira em sua vida sexual.

Não eram quilos a mais ou celulite que a deixavam com vergonha na cama, mas a aparência da sua vagina. Ela diz que seus pequenos lábios eram muito grandes, o que a deixava constrangida.  Em novembro de 2012, Geisy se submeteu uma cirurgia íntima para corrigir o problema e ficou satisfeita com o resultado. “Hoje, eu morro de orgulho ‘dela'”, contou a modelo de 30 anos ao R7. 

No mundo das famosas, algumas personalidades da mídia, como a ex-BBB Clara Aguilar,  também já assumiram ter feito o procedimento. E especialistas confirmam: cada vez mais brasileiras têm se mostrado insatisfeitas com a estética de sua região genital e, consequentemente, apelado para procedimentos cirúrgicos a fim de remodelá-la.

O país já lidera a lista de cirurgias plásticas vaginais, a chamada ninfoplastia, de acordo com relatório da Sociedade Internacional de Cirurgias Plásticas Estéticas.  Dados levantados pela Sociedade Brasileira de Cirurgia plástica indicam que 25.031 mulheres já realizaram uma cirurgia plástica vaginal em 2016 – fazendo com que o Brasil seja o campeão mundial nesse setor.

Também conhecida como labioplastia, é uma cirurgia plástica que consiste na redução dos lábios vaginais das mulheres. Este procedimento vem crescendo cerca de 20% no Brasil, de acordo com o especialista Luiz Haroldo Pereira, e pode custar de R$ 5 mil a R$ 15 mil, dependendo se é feita em um consultório médico ou com internação em hospital.

Com 41 anos de experiência,  ele explica todo o processo e dá detalhes sobre o crescimento pela busca nesta cirurgia. “No Brasil, a cirurgia íntima vem aumentando porque as mulheres estão mais à vontade para discutir este procedimento, não é mais um tabu. É uma cirurgia que não apresenta nenhum risco quando feita por um cirurgião experiente”, conta o especialista.

A cirurgia pode resolver problemas estéticos e funcionais da intimidade feminina. A ninfoplastia, por exemplo, proporciona rejuvenescimento e melhora a aparência da genitália. Basicamente esse procedimento é realizado para diminuir o tamanho dos pequenos lábios”, comenta Victor Lima, cirurgião plástico membro especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e da American Society of Plastic Surgery.

Ainda de acordo com ele, as cirurgias da região íntima feminina costumam ser rápidas e pouco dolorosas. “A ninfoplastia tem duração média de uma a duas horas e internação de 24 horas”, completa Dr. Victor Lima. Além disso, a paciente retorna às atividades mais leves em até três dias.

Além da diminuição dos lábios, é possível também retirar a flacidez da área íntima, com enxerto de gordura. “Com o advento do enxerto de gordura para preencher a flacidez da região genital, feito por cirurgião plástico, as pacientes começaram a nos procurar, em vez de ginecologistas. O enxerto só pode ser feito por um cirurgião plástico”, ressalta Dr Luiz Haroldo.

O médico que atende em Copacabana, no Rio de Janeiro, explica que o preço varia se é feito em hospital ou consultório médico. “A cirurgia de corte, ou seja, retirada do excesso de pequenos lábios, é melhor que seja feita em hospital. Já o enxerto de gordura para aumentar o volume e corrigir a flacidez, pode ser feito também em consultórios.”

Como é feita a cirurgia

O cirurgião plástico Juliano Souto Ferreira (foto) explica que a ninfoplastia é uma cirurgia realizada na região íntima da mulher e que tem o objetivo de reduzir os pequenos lábios vaginais, as estruturas que protegem essa região. O procedimento pode ser feito com mulheres que se queixam de pequenos incômodos, que podem deixá-la insegura durante a relação sexual.

Entre os incômodos citados estão: falta de lubrificação (secura vaginal), sangramento e dor (dispareunia) após relação sexual, pequenas fissuras no introito vaginal, infecções urinárias de repetição, incontinência urinária (que não necessitam cirurgias), vaginismo (dor vaginal à penetração durante a atividade sexual) e puerpério (período pós-parto).

 

A ninfoplastia é indicada para finalidade estética, quando há incômodo psicológico durante as relações sexuais ou para casos em que o tamanho exagerado das estruturas causa dor no ato. Esse tipo de cirurgia plástica pode melhorar a autoestima da mulher que se sente desconfortável com sua região íntima e previne infecções, pois o grande volume pode levar ao acúmulo de secreções de urina.

Para o pré-operatório, Luiz Haroldo conta que não há nenhum cuidado específico. E, no pós, assepsia da área operada, ou seja, higiene. “É importante também não ter relações sexuais por três semanas e usar compressas geladas porque normalmente incha e fica muito sensível”, destaca.

De acordo com o Dr Juliano, no pós-operatório é comum sentir inchaço, vermelhidão e diminuição da sensibilidade por cerca de 15 dias. A mulher pode retomar suas atividades rotineiras, desde que sejam leves, após três dias de repouso. A recuperação total varia de acordo com a paciente, mas, normalmente, a cicatrização é completa depois de 30 dias. As relações sexuais podem ser retomadas após 30 ou 45 dias após a cirurgia.

A ninfoplastia não é indicada para pessoas com doenças crônicas como diabetes, hipertensão e insuficiência cardíaca ou com infecção ativa no local. Para quem fuma, a recomendação é abstinência por dois ou três meses antes da cirurgia”, afirma o Dr Juliano.

Estética íntima feminina: benefícios para a saúde física e psicológica

A estética para região íntima ainda é uma questão polêmica perante a sociedade, mas o que devemos saber é que essa pode impactar negativamente a saúde física e psicológica da mulher. O conceito de beleza é relativo, porém é importante destacar que muitas mulheres podem se incomodar com as características da região íntima, causando constrangimentos e até mesmo comparações com outras mulheres.

Devido esta realidade, muitas mulheres apresentam problemas de autoestima que refletem no desempenho sexual, fazendo com que busquem cada vez mais por tratamentos estéticos para que se sintam melhor com a aparência e saúde sexual. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a saúde sexual pode influenciar diretamente na qualidade de vida das pessoas.

“Acredito que não devemos impor um padrão de beleza. A primeira coisa a levar em consideração é se aquilo incomoda ou não a mulher. Temos que ter noção que, como qualquer parte do corpo, somos diferentes uns dos outros. Assim, se a queixa da mulher for relevante ou ainda se tiver um aspecto funcional, a estética íntima é válida” afirma Dr. Patrick Bellelis, conceituado ginecologista.

A vagina pode sofrer alterações com o passar do tempo e tende a ficar mais flácida, perdendo volume, além disso, existem fatores externos que também causam modificações, como a obesidade, tabagismo, alcoolismo, maus hábitos alimentares, alterações hormonais, uso de medicações específicas, vestimentas inadequadas e até mesmo a gestação. Alterações genéticas também podem ser motivo de incômodo para as mulheres.

“As queixas mais frequentes em meu consultório estão relacionadas a atrofia genital, que muitas vezes é derivada da menopausa e hipertrofia de ninfas, quando os pequenos lábios são muito grandes. Em ambas as situações, a mulher pode ter complicações funcionais, como infecções urinárias de repetição e dificuldade nas relações sexuais”

Além dessas queixas, é possível destacar outras muito frequentes, como a hipercromia, que envolve o escurecimento da região íntima, a flacidez e perda de volume da região íntima, decorrente do envelhecimento, o ressecamento vaginal, que podem surgir a partir da menopausa, o alargamento vaginal, que ocorre principalmente devido à partos via vaginal, sudorese excessiva e a incontinência urinária.

Tratamentos como peelings, radiofrequência, laser vaginal, ninfoplastia, vaginoplastia e preenchimentos com ácido hialurônico e toxina botulínica, podem promover a diminuição e correção destes incômodos. De acordo com o profissional, a plástica de pequenos lábios, a ninfoplastia, é disparada a mais procurada. Embora, hoje em dia, muitas mulheres têm procurados tratamentos como laser e radiofrequência vaginal para melhora do tropismo e turgor.

“O ginecologista conhece não só a estética, mas também como o órgão funciona, por isso é o profissional mais indicado para a realização destes tratamentos” afirma o ginecologista. Os tratamentos são muito particulares, variam de mulher para mulher, dependendo dos sintomas e das queixas. É primordial que a mulher coloque sempre em primeiro lugar o seu bem-estar e sua qualidade de vida, que resulta consequentemente em uma boa saúde sexual. Consulte um profissional de confiança para o esclarecimento de possíveis dúvidas.

Outras recomendações importantes

· Higienizar a região íntima com água morna e sabonete neutro durante o banho;

· Limpar a região com água e sabonete após urinas;

· Fazer a cirurgia logo após o final da última menstruação, pois, caso o ciclo comece depois do procedimento, pode dificultar o pós-operatório;

· Usar calcinhas frouxas de algodão e roupas confortáveis que deixem a região arejada.

Da Redação, com Assessorias

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