Dobra o número de gestantes e puérperas mortas por Covid-19

Taxa saltou de 7,3% para 14,4%, aponta Observatório Obstétrico. Desde o início da pandemia são 1.923 gestantes e puérperas mortas no Brasil

Desde o início da pandemia, o Brasil registrou 1.923 gestantes e puérperas mortas pela Covid-19 e 1.462 óbitos maternos em 2021, ou seja, 217% a mais do que 2020. Os dados são do Observatório Obstétrico Brasileiro (OOBr), com base em números atualizados de Síndrome Respiratória Aguda Grave por Covid-19 para a população de gestantes e puérperas (OOBr Covid-19) e para a população infantil até 2 anos (OOBr Covid-19 1000 dias).

Um destaque é a letalidade da doença em casos graves (casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave – SRAG): era de 7,3% em 2020 e saltando para 14,4% em 2021. Desde o início da pandemia, uma a cada cinco gestantes e puérperas mortas por Covid-19 não teve acesso a unidades de terapia intensiva (UTI) e 32,5% não foram intubadas.

Assim, entre março de 2020 até a última atualização, são 18.463 casos de SRAG confirmados por Covid-19 e, repetimos, 1.923 óbitos (11,7% dos casos finalizados). Isso sem contar outros 13.832 de registros com 367 mortes entre gestantes e puérperas com SRAG não especificada, que podem ser também episódios de SARS-Covid-19.

O OOBr Covid-19 visa a dar visibilidade aos dados desse público específico e oferecer ferramentas para análise e fundamentação de políticas para atenção à saúde de gestantes e puérperas durante a pandemia atual. Clique no link para acessar o OOBr COVID-19.

Covid e os primeiros 1.000 dias da criança

Os primeiros 1000 dias de vida da criança é o período compreendido entre a concepção até os dois primeiros anos de vida (270 dias de gestação e 730 dias de vida da criança). Este é o intervalo de ouro que determina todo o futuro da criança no âmbito biológico (crescimento e desenvolvimento), intelectual e social. Este termo decorre de uma série de estudos publicados na revista de medicina inglesa Lancet, entre 2008 e 2013, que analisou os primeiros mil dias do ciclo de vida, demonstrando que o cuidado se inicia com a mãe durante a gravidez.

A falta de políticas públicas de saúde comprometidas com a saúde integral da gestante e da criança desencadeia consequências irreparáveis que impactam diretamente na mortalidade infantil nesta faixa etária. Desde o início da pandemia, são 11.975 casos de SRAG confirmados por COVID em crianças até dois anos e 970 mortes. Um destaque é a alta concentração de mortes nos primeiros meses de vida do bebê: 56% delas está concentrada até no terceiro mês (545 óbitos).

Dos bebês que morreram por Covid nessa faixa etária, 30,8% não foram para UTI e 38,2% não passaram por intubação, recursos importantes nessas situações.

Se considerarmos todos os casos de SRAG nesse público infantil, foram 33.462 registros e 1.725 mortes em 2020. Neste ano, são 54.753 casos e 1.406 óbitos. Em 2019 (ano anterior à pandemia) foram 19.142 casos de SRAG e 576 mortes nessa faixa etária.

Em 2020, a porcentagem de desconhecimento do agente causador da SRAG é de 77,8% e essa porcentagem é de 72,7% em 2021. O problema não é novo mas se agravou na pandemia de Covid-19. Em 2019, por exemplo, 58% tinham agente etiológico desconhecido.

Dentre os casos com agente etiológico conhecido, o coronavírus responde a 73,1% dos registros em 2020 e 43,8% em 2021. O restante fica por conta dos vírus que tradicionalmente afetam as crianças pequenas, como o adenovírus.

Clique no link para acessar o OOBr COVID-19 1000 dias.

O Observatório Obstétrico Brasileiro (OOBr) é uma plataforma interativa de monitoramento, análise de dados públicos (da saúde, socioeconômicos e ambientais) cientificamente embasadas e disseminação de informações relevantes na área da saúde materno-infantil, com recortes estaduais e municipais. O OOBr visa ser uma referência de informações acessíveis e confiáveis sobre saúde materno-infantil e ser um suporte importante para a tomada de decisões na área.

Números de vacinação contra a Covid-19

Ao considerar os dados de vacinação da Campanha Nacional de Vacinação contra Covid-19, divulgados pelo Data SUS e atualizados em 27 de outubro, são 1.684.894 doses aplicadas em gestantes e puérperas, com 711.956 gestantes e puérperas completamente imunizadas (com segunda dose ou dose única).

Para outras informações sobre a vacinação COVID-19 para a população de gestantes e puérperas, clique no link e acesse os menus “Vacinação COVID-19”, para informação das doses aplicadas diariamente e acumuladas, e “Vacinação estado e município”, para recortes por estados e municípios brasileiros.

Para as análises consideradas nesses dois menus, foram filtrados casos únicos identificados como ‘gestante’ ou ‘puérpera’, ano de vacinação em 2021, do sexo feminino e entre 10 e 55 anos.

Os dados inconsistentes (casos de sexo masculino, com ano de vacinação diferente de 2021 e com idade menor que 10 anos e maior que 55 anos) não foram considerados nos números e análises descritos anteriormente e podem ser vistos no menu “Inconsistências vacinação”.

A última atualização do SIVEP-Gripe disponível pelo Ministério da Saúde no site é do dia 27/10/2021.

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