Problema no coração pode começar pela boca

O comprometimento da saúde bucal pode estar diretamente associado à endocardite infecciosa, doença que afeta o coração e as funções vitais

saúde bucal e coração

 

Um caso que chocou os brasileiros foi a morte prematura do ex-vocalista da banda Dominó, Ricardo Bueno, 40 anos, que faleceu após uma septicemia (infecção generalizada), causada por um problema odontológico. Especialistas alertam que infecções dentárias podem gerar complicações em outros órgãos do corpo humano que levam até a morte.

Marcelo Kyrillos, cirurgião-dentista e diretor do Grupo Ateliê Oral, explica que complicações graves como a do cantor são raras em pacientes saudáveis, que mantém uma escovação correta e consultam o dentista a cada seis meses para limpezas profissionais. O especialista faz um alerta especial para pessoas que têm problemas cardíacos, pacientes com prolapso de válvula mitral ou com doenças cardiovasculares crônicas.

“Este grupo está mais propenso a contrair a endocardite: uma infecção no tecido interno do coração, o endocárdio. Para essas pessoas, que têm predisposição à endocardite bacteriana, é fundamental uma higiene bucal impecável. Caso contrário, as bactérias da boca podem se aproveitar de pequenos ferimentos na gengiva para ir para a corrente sanguínea e se instalar no coração. Causando, assim, problemas cardíacos que vão se agravando e podem gerar complicações que levam até a morte”, explica.

Kyrillos completa dizendo que as bactérias encontram no coração, que já tenha essas condições, um ambiente mais propício para fazer suas colônias e desenvolver a infecção. “Não quer dizer que quem não tenha nada disso esteja livre, mas são casos muito raros”, diz.

O risco existe também para aqueles que não possuem dentes naturais. “Os implantes podem sofrer peri-implantite, que é semelhante à gengivite. E pacientes totalmente sem dentes podem também ter endocardite se houver fungos na prótese e eles entrarem na corrente sanguínea”, revela o cirurgião-dentista.

De acordo com Kyrilloshá vários motivos possíveis para um abscesso odontogênico ou infecção dentária, tais como cáries não tratadas, problemas gengivais, entre outros. Os sintomas de um abscesso são: inchaço, dor e incômodo no dente. Em uma fase mais adiantada da doença, e sem o tratamento adequado, pode ocorrer febre.

Um cirurgião-dentista pode identificar a dimensão da infecção com exames e planejar um tratamento, que geralmente é feito com drenagem do pus e uma limpeza. O paciente também terá que tomar uma medicação para evitar que a infecção volte.

m 2018, a campanha da Sociedade Brasileira de Cardiologia ressalta: alimentação saudável é fator protetor para o coração, desde sempre.  Fazer o check-up da saúde anualmente também. Este check-up inclui a conservação dos dentes, que se for negligenciada, é uma das causas da Endocardite Infecciosa (EI) –  uma infecção da parede interna do coração ou das válvulas do coração – que é comum e causa alto índice de mortalidade.

5 hábitos simples que reduzem riscos ao coração

Setembro Vermelho é o mês em que as campanhas de conscientização alertam ainda mais a população sobre às doenças cardiológicas. “A prevenção é a melhor maneira para manter o coração fora de riscos e alguns hábitos simples inseridos no dia a dia podem evitar problemas futuros”, afirma Dr. Diego Gaia, coordenador de cardiologia do Hospital Santa Catarina.

Atualmente, cerca de 300 mil pessoas morrem no Brasil todos os anos vítimas de arritmias cardíacas, segundo pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com a Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac).

O especialista elenca cinco hábitos simples que podem reduzir consideravelmente as doenças cardiológicas:

Priorize alimentos saudáveis

A alimentação saudável é um dos principais fatores para evitar doenças cardiovasculares. O ideal é investir em frutas e verduras e é primordial evitar o excesso de sal e açúcar. Frituras e alimentos processados devem ser consumidos com moderação. Esses alimentos são verdadeiros vilões, já que podem elevar o colesterol ruim (LDL), um dos responsáveis por depositar gordura na parede das artérias.

Faça exames preventivos

Principalmente depois dos 40 anos, é importante realizar exames de rotina para o coração. Um possível problema pode ser evitado ou minimizado, se descoberto com antecedência. Antes dessa idade, a pessoa deve procurar um cardiologista se perceber algum sinal atípico.

Pratique exercícios com regularidade e mantenha o peso sob controle

Fazer atividades físicas regularmente é benéfico para a saúde no geral. Mas, se tratando do coração, é ainda mais: hormônios como a endorfina liberados pelo organismo após o exercício relaxam a parede das artérias. Com a queda da pressão arterial, a taxa de glicose diminui e o índice do colesterol bom aumenta. A recomendação é praticar 30 minutos de qualquer atividade física (ex: corrida, musculação, esportes com bola etc.), no mínimo três vezes por semana.

Controle os fatores de risco

A maioria das mortes por doenças cardíacas poderiam ser evitadas se a pessoa controlasse o colesterol ruim (LDL) do corpo. Portadores ou pessoas com histórico familiar de diabetes e hipertensão devem redobrar a atenção.

Não fume

O tabagismo é um dos maiores potencializadores de doenças no coração. Entre as mais comuns causadas pelo fumo estão pressão alta, infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC).

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