É gripe, resfriado, alergia ou Covid? Saiba diferenciar os sintomas

Pneumologista e otorrino destacam doenças predominantes no inverno e alertam para a definição dos sintomas e prevenção diante da Covid-19

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 3,5 milhões de pessoas fiquem gravemente gripadas por ano em todo o mundo. Crianças, idosos, portadores de doenças pulmonar ou cardíaca e imunocomprometidos – pacientes que receberam implantes ou transplantes, que estão em tratamento contra um câncer e pessoas com HIV – são os mais afetados.

No inverno e, consequentemente, com as baixas temperaturas, há um aumento na incidência de diversas doenças respiratórias, como gripes, resfriados e alergias. O tempo seco e a menor dispersão dos poluentes fazem com que a qualidade do ar fique precária, o que, por si só, já seria um fator causador de irritação nas mucosas respiratórias.

Isso se dá, porque, para se aquecerem, as pessoas tendem a permanecer mais tempo em ambientes fechados, sem ventilação adequada e com grandes aglomerados de pessoas, o que torna a combinação ideal para disseminação de patógenos causadores dessas infecções. Outro fator é que, com a falta de chuvas, o ar tende a concentrar mais poluentes, desencadeando irritações e quadros alérgicos. No entanto, os grandes responsáveis pelo agravo da saúde respiratória nas estações de baixa temperatura são os vírus, as bactérias e as manifestações alérgicas.

Não é o frio que faz mal e sim a umidade do ar

Para entender melhor o que ocasiona o aumento de doenças respiratórias no inverno, Leandro Vianna, pneumologista que atua como professor na Universidade Iguaçu (UNIG/RJ), explica que não é exatamente o frio que impacta os pulmões e as vias respiratórias e sim a queda na umidade do ar.

Com a redução na umidade relativa do ar e com as temperaturas mais baixas, ocorre um fenômeno natural denominado inversão térmica, em que uma camada de ar frio mais pesada acaba concentrando as partículas poluentes próximas à superfície terrestre, retendo e  aumentando os níveis de poluentes no ar. Isso acarreta uma maior irritabilidade nas vias respiratórias, aumentando a probabilidade de elas inflamarem”.

Além disso, segundo o professor, existem outros fatores que propiciam esse aumento na incidência de doenças respiratórias durante o inverno: os fatores internos em nosso organismo e os fatores externos. Os fatores internos ocorrem em dias muito frios e secos, onde há uma grande perda de água e calor durante a respiração, além de uma redução na produção de muco e no seu transporte das vias aéreas inferiores (brônquios e traqueia) para a via aérea superior (laringe), onde é eliminado.

Isso faz com que alguns microrganismos se proliferem com maior facilidade. Já nos fatores externos, dias frios fazem com que as pessoas tendam a procurar ambientes mais fechados, com pouca circulação de ar, favorecendo a disseminação de microrganismo, tais como vírus e bactérias, entre indivíduos”, explica.

As doenças respiratórias mais comuns

Entre as doenças mais predominantes nesse período estão a asma, a rinite alérgica, os resfriados, as gripes e as pneumonias. Destas, a mais perigosa é a asma, devido ao seu alto potencial de exacerbação, ou seja, de crise asmática, levando, em alguns casos, a necessidade de internação hospitalar.

Já a gripe, que é uma infecção respiratória de causa viral com maior potencial de gravidade quando comparada ao resfriado comum, pode, em alguns casos, necessitar de internação hospitalar, incidindo o risco de morte, tais como a gripe suína (vírus influenza H1N1) e a Covid-19 (vírus coronavírus SARS CoV-2). As pneumonias bacterianas também apresentam um potencial agressivo alto.

Com relação à Covid-19, como qualquer infecção viral de transmissão aérea (inalação de partículas contendo os vírus), ainda não há estudos suficientes que comprovem que pacientes que já possuem doenças respiratórias mais graves, ou em estágios mais avançados da doença, podem apresentar pior desfecho durante a infecção por Covid-19. No entanto, o pneumologista faz um alerta.

A Covid-19 é altamente contagiosa e pode acarretar um aumento de sua incidência no inverno por conta da maior proximidade entre as pessoas e o aumento da circulação de pessoas em ambientes fechados. Porém, as doenças alérgicas, ou mesmo a asma, normalmente não aumentam a chance de desfecho desfavorável na Covid-19″, ressalta.

O que pode ocorrer é que, como qualquer infecção viral das vias respiratórias, a Covid-19 instabiliza as doenças pré-existentes (ex.: asma, rinite, DPOC – enfisema pulmonar) podendo causar exacerbações dessas patologias. “Logo, o alerta para os indivíduos que são portadores de doenças respiratórias crônicas é que, neste período de pandemia, se mantenham atentos ao controle das suas doenças, sendo rigorosos no uso da medicação própria para isso e na prevenção de doenças infecciosas”.

Apesar de não ser possível se prevenir de algumas formas de infecção, existem muitas iniciativas que podem reduzir a possibilidade de contágio. Algumas atitudes podem evitar ou reduzir a proliferação de doenças infecciosas e a piora dos sintomas respiratórios nesta época do ano, tais como manter os ambientes arejados, ingerir bastante líquido, de preferência água, praticar atividades físicas, manter um rigoroso controle das doenças crônicas, principalmente das doenças respiratórias.

Além disso, atualmente já existem algumas vacinas que previnem as infecções respiratórias, como é o caso das vacinas para a gripe influenza, a Covid-19 e vacina antipneumococo, o principal causador da pneumonia. Por isso, é recomendado manter o calendário de vacinação em dia, pois a vacinação é uma das práticas mais eficazes de prevenção”, conclui o professor.

Como diferenciar Covid-19 das demais doenças respiratórias

Gripe e resfriado são doenças relativamente fáceis de serem tratadas. A gripe costuma deixar a pessoa mais prostrada, com dores de cabeça e pelo corpo. Pacientes com gripe também costumam ter febre, cansaço, mal-estar e tosse seca. Coriza e nariz entupido podem ocorrer, mas espirros são raros.

Já o resfriado é mais brando, embora tenha mais incidência de espirros e dores na garganta. Os pacientes apresentam coriza, nariz entupido e espirros, além de tosse leve. Cansaço pode acontecer, mas febre, dor de cabeça e diarreia são raros.

O problema é que esses são os mesmos sintomas da Covid-19. Com a pandemia ainda com altos índices de casos, não é fácil identificar com qual doença o paciente está apenas após o aparecimento dos primeiros sintomas. Por isso, mesmo com recomendação de isolamento social, um médico deve ser consultado antes que o quadro evolua.

A Covid-19 tem sintomas parecidos com a gripe e o resfriado. Pessoas com a doença geralmente apresentam febre, tosse seca e cansaço. Em seguida, podem surgir falta de ar, diarreia, perda de olfato e paladar. Outros sintomas relatados também envolvem dor de garganta e dor de cabeça, além da conjuntivite.

A diferença da Covid-19 para gripes e resfriados é a rápida evolução dos sintomas para um quadro grave. A falta de ar, com necessidade de internação, é o principal indício de que a doença está avançando, exigindo cuidados médicos imediatos.

A prevenção contra gripes e resfriados segue a mesma conduta para a Covid-19. Lavar as mãos com frequência, manter os ambientes mais ventilados e evitar contato próximo com pessoas que apresentem os sintomas são meios eficazes de evitar o contágio. Para a Covid-19, no entanto, é recomendado o uso de máscaras.

Sintomas da sinusite também podem confundir

A sinusite é a inflamação da mucosa que envolve os seios da face, região do crânio formada pelas cavidades ósseas ao redor do nariz, olhos e da maçã do rosto. Quando a sinusite ocorre, o paciente sente incômodos em toda a região do rosto, como dores de cabeça, dor de garganta, corrimento nasal, perda de apetite e até febre – sintomas que, à primeira vista, podem ser confundidos com gripe, resfriado e também Covid-19.

Por isso, é importante um diagnóstico rápido e correto para que o tratamento adequado seja utilizado. Em casos de suspeita de sinusite, o médico, além de analisar os sintomas e fazer exames clínicos, pode requisitar uma tomografia computadorizada da face como forma de complementar a análise.

Esse exame de imagem permite visualizar seções por vários ângulos e detalhes que só são acessíveis por meio de procedimento cirúrgico. A tomografia da face avalia, também, as estruturas do rosto ou face, como músculos, ossos e fossas nasais, e identifica não só a sinusite, como pólipos nasais e desvio de septo. Outros exames indicados para diagnóstico da sinusite são o raio-X e a endoscopia nasal.

Tipos de sinusite e tratamento

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a doença atinge todas as faixas etárias, sendo bastante frequente em crianças de até 7 anos, podendo ocorrer de seis a dez vezes ao ano. Crianças que já têm alergias são ainda mais propensas a desenvolverem o quadro.

Existem dois tipos de sinusite: a aguda e a crônica. O tipo agudo acontece quando os sintomas permanecem por um período inferior a 12 semanas, já a sinusite crônica é identificada quando as dores e a inflamação dos seios nasais dura mais do que esse período.

A sinusite pode ser de origem viral ou bacteriana. Identificada a causa da doença, é iniciado o tratamento. A sinusite por vírus é combatida com uso de medicamentos como analgésicos e descongestionantes. O soro fisiológico usado no nariz ajuda a eliminar a obstrução nasal. Quando o caso ocorre por meio de uma bactéria, o médico pode receitar antibióticos.

Os sintomas da sinusite melhoram em alguns dias, mas em pacientes que não respondem bem aos tratamentos e têm crises mais severas, com fortes dores e obstruções nasais, a solução pode ser uma cirurgia. Sinusites não tratadas podem evoluir e há o risco de complicações que comprometerem outras funções do corpo, como o globo ocular e o sistema nervoso central.

Doenças respiratórias atingem 30% da população

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), as doenças respiratórias atingem, em média, 30% da população mundial. Porém, durante o inverno a atenção deve ser ainda maior, inclusive neste ano que estamos vivenciando uma pandemia.  “É bastante comum no inverno, com as sucessivas frentes frias, muitas pessoas sofrerem com alergias respiratórias, resfriados e gripes, que aumentam em 40% a incidência, por conta das oscilações climáticas. O grande vilão não é só o vírus, mas o ar frio e a poluição do ar”, ressalta o otorrinolaringologista Alexandre Colombini.

Segundo o especialista, cerca de 10% dos brasileiros apresentam quadros variados de asma, enquanto 30% sofrem com rinite alérgica. “Tomar a vacina é fundamental, por que diminui o risco de gripes e suas complicações, mas a frente fria, o tempo seco e a baixa umidade relativa do ar contribuem para o aumento das doenças respiratórias devido à alta concentração de poluentes na atmosfera e maior concentração das pessoas em lugares fechados. Isso leva à redução dos mecanismos de defesa do organismo, propiciando o aparecimento de doenças respiratórias como rinite, sinusite, asma e bronquite”, destaca.

A faixa etária que mais sofre nessa época do ano são as crianças, com idade abaixo dos 5 anos e os idosos acima dos 60 anos. Isso porque o sistema imunológico nestas faixas é menos funcional. Com isso as chances de as gripes e resfriados voltarem a cada semana é maior, o que também acaba levando a um gasto maior dos anticorpos, abaixando ainda mais a resistência para que peguem mais e mais doenças respiratórias”, explica o médico.

Aqueles que são alérgicos ou que têm rinite alérgica, bronquite ou asma são mais sensíveis nessa época do ano e sofrem mais. Devem previamente consultar o médico para poderem se fortalecer, evitando quadros mais graves. Busque um profissional de sua confiança e se possível consultas online.

A ida ao pronto-socorro pode prejudicar ainda mais qualquer quadro, pois ali com certeza é um ambiente fechado onde há acúmulo de doenças respiratórias de todo tipo e agora temos mais um alarmante que é o Covid-19. Portanto, só vá em casos de febre, acima de 37.8 graus, mal-estar, catarro escuro, falta de ar ou cansaço nas atividades diárias, segundo as recomendações do Dr. Alexandre.

12 dicas para fortalecer o sistema imunológico da família

Dá para amenizar doenças respiratórias neste inverno e durante a pandemia? A resposta é SIM. Confira 12 dicas para fortalecer o sistema imunológico de toda família com sugestões práticas para evitar certas patologias alérgicas nesta época do ano!


1.    – Beba bastante água: o ideal é ingerir dois litros por dia para manter o organismo hidratado. Isso vai ajudar muito a hidratar as vias respiratórias também.
2.    – Faça limpeza nasal com solução fisiológica ao menos duas vezes ao dia. Caso trabalhe em ambiente com ar condicionado, redobre o uso por que ele resseca ainda mais as vias respiratórias.
3.    – Umidifique o ar, seja com aparelhos próprios para isso ou mesmo com toalhas úmidas e/ou grandes bacias para que haja uma grande superfície a ser evaporada para tornar o ar mais úmido.
4.    – Guarde brinquedos de pelúcia em embalagens à vácuo depois de higienizados.
5.    – Procure manter os ambientes arejados.
6.    – Evite usar vassouras para limpar a casa, pois elas podem espalhar a poeira. Prefira utilizar panos úmidos.
7.    – Troque a roupa de cama a cada semana.
8.    – Procure ter uma boa alimentação. A alimentação deve ser balanceada com sopas e caldos ricos em verduras e legumes. As frutas são essenciais, principalmente aquelas que contêm vitamina C, como a laranja. Elas ajudam a prevenir gripes e resfriados.
9.    – Lave as mãos com álcool gel e evite o contato com a boca, nariz ou olhos por que é a porta de entrada dos vírus e bactérias.
10.    – Tenha um bom sono e um bom descanso.
11.    – Evite o contato com pessoas gripadas ou com resfriados, pois essas doenças são adquiridas pelo ar. Ao espirrar, coloque um lenço ou a mão só se puder lavá-la em seguida, ou vai transmitir a doença assim que tocar qualquer superfície.
12.    – Mantenha a respiração sempre pelo nariz e não pela boca, pois as narinas têm a função de filtrar o ar e aquecê-lo;

Com Assessorias

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