Esclerose múltipla e os desafios para diagnosticar e tratar no Estado do Rio

Dia Mundial da Esclerose Múltipla ressalta a importância de uma ampla divulgação da EM para o público leigo e o médico não-especialista

Ainda pouco conhecida de grande parte da população, a esclerose múltipla (EM) é doença autoimune em que o sistema imunológico ataca o sistema nervoso central (cérebro e medula espinhal). Os sintomas mais comuns são a fadiga, problemas de visão (diplopia, neurite óptica, embaçamento), motores (perda de força ou função; perda de equilíbrio) e alterações sensoriais (formigamentos, sensação de queimação).

Devido à grande diversidade de sintomas da condição, não é incomum o diagnóstico tardio. Por isso, ações e campanhas que elevam a conscientização da população em geral podem resultar em um diagnóstico mais precoce e uma melhor resposta aos diversos tratamentos modificadores atualmente disponíveis. O mês que marca o Dia Mundial da Esclerose Múltipla (30 de maio) ressalta a importância de uma ampla divulgação da EM, tanto para o público leigo quanto para o médico não-especialista.

Diagnosticar a condição é um processo lento e complexo. Não existe um único teste ou exame que diz se você tem a doença. É preciso se basear na combinação de seus sintomas e nos resultados de diversas avaliações médicas. Além disso, é requisitado a disposição de recursos tecnológicos para o diagnóstico preciso, estrutura hospitalar para o tratamento parenteral da doença e suporte de internação para possíveis complicações”, avalia o médico neurologista Marcus Tulius.

Chefe de Neurologia do Complexo Hospitalar de Niterói (CHN) e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz, ele explica que, a partir da constatação clínica inicial, esses pacientes precisam ser acompanhados de forma integral e linear, sendo recomendada uma abordagem multidisciplinar que contempla a reabilitação motora, fonoterápica e psicológica.

Falta de serviços apropriados no RJ

Não é de hoje que pacientes com esclerose múltipla (EM) sofrem com a carência de serviços médicos e hospitalares na rede de saúde pública no Brasil. Ainda são raros os centros médicos no país que conseguem dispor de todo o capital humano e aparato tecnológico necessário no atendimento aos pacientes de EM. Segundo especialistas, familiares e pacientes, é notória a carência de especialistas e de exames na rede de saúde pública – um dos fatores que subestimam a prevalência da enfermidade no país.

Segundo Tulius, no Estado do Rio de Janeiro, depois da capital, Niterói é a cidade com a maior disponibilidade de leitos hospitalares e com a maior estrutura médico-hospitalar da região, tanto pública quanto privada, para atender à doença, que demanda um acompanhamento multidisciplinar. O sistema de saúde da cidade também atende habitantes de municípios vizinhos como São Gonçalo, Itaboraí, Maricá e a Região dos Lagos.

O neurologista explica que, como os municípios vizinhos não contam com um serviço especializado, o CHN também acaba absorvendo pacientes do entorno. A unidade oferece um ambulatório especializado, com centro de terapia infusional, equipe de neurologia 24 horas, suporte tecnológico para o diagnóstico com dois aparelhos de ressonância magnética e mais de 300 leitos de internação.

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A esclerose múltipla é uma doença que compromete o sistema nervoso central. É um processo de inflamação crônica de natureza autoimune que pode causar desde problemas momentâneos de visão, falta de equilíbrio até sintomas mais graves, como cegueira e paralisia completa dos membros. A doença está relacionada à destruição da mielina – membrana que envolve as fibras nervosas responsáveis pela condução dos impulsos elétricos no cérebro, medula espinhal e nervos ópticos.

A perda da mielina pode dificultar e até mesmo interromper a transmissão de impulsos. A inflamação pode atingir diferentes partes do sistema nervoso, provocando sintomas distintos, que podem ser leves ou severos, sem hora certa para aparecer. A doença geralmente surge sob a forma de surtos recorrentes, sintomas neurológicos que duram ao menos um dia. A maioria dos pacientes diagnosticados são jovens, entre 20 e 40 anos, o que resulta em um impacto pessoal, social e econômico considerável por ser uma fase extremamente ativa do ser humano.

A progressão, a gravidade e a especificidade dos sintomas são imprevisíveis e variam de uma pessoa para outra. Algumas são minimamente afetadas, enquanto outras sofrem rápida progressão até a incapacidade total. É uma doença degenerativa, que progride quando não tratada. É senso comum entre a classe médica que para controlar os sintomas e reduzir a progressão da doença, o diagnóstico e o tratamento precoce são essenciais.

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