Impacto psicológico da psoríase é tão alto quanto o físico

Campanha da Sociedade Brasileira de Dermatologia alerta para doença de pele que não tem cura, mas pode ser tratada

Redação

Muitas doenças de pele são influenciadas pela saúde emocional. Uma delas é a psoríase, classificada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma doença inflamatória crônica, grave e não transmissível. Apesar de não ser contagiosa, a doença pode causar grande impacto na saúde mental do paciente, conforme demonstram várias pesquisas no Brasil e no mundo.

Estudo publicado em junho deste ano na revista médica JAMA Dermatology mostra que os sintomas aumentam em 32% o risco de doenças mentais, como depressão e ansiedade, podendo levar até mesmo ao suicídio. Outro estudo publicado em 2018 pelo Journal of Dermatological Treatment concluiu que, em decorrência das lesões causadas pela psoríase, 70% dos brasileiros que têm psoríase passam a desenvolver distúrbios emocionais como ansiedade e depressão.

A pesquisa Clear mostrou que 96% dos pacientes já foram humilhados ou discriminados por causa da doença e 64% apresentam alguma condição psicológica, como depressão e ansiedade. A doença afeta de 1% a 5% de pessoas no mundo, sendo aproximadamente 1,3% no Brasil – cerca de 2,5 milhões no Brasil.

A psoríase é uma doença relativamente comum, que provoca alterações na pele, nas unhas, no couro cabeludo e até nas articulações (artrite psoriásica). A doença é caracterizada por placas avermelhadas ou róseas, recobertas por escamas esbranquiçadas, que afetam a pele, as unhas e pode acometer as juntas. Além de manchas vermelhas e descamativas que persistem por semanas, no caso da artrite psoriásica são comuns as fortes dores nas articulações.

No mundo, cerca de 60 milhões de pessoas convivem com essa condição. No Brasil, a prevalência da doença é de 1,3%, variando entre 0,9 a 1,1% nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e 1,9% no Sul e Sudeste. Acomete qualquer faixa etária, com maior incidência entre 30 e 40 anos e 50 e 70 anos.

Ainda sem cura, a doença tem tratamento, apesar de ser recorrente, com sintomas que aparecem e desaparecem periodicamente. A doença pode surgir em qualquer fase da vida, tanto em homens quanto em mulheres, mas sua incidência é maior entre os 30 e 40 anos e entre 50 e 70 anos, e em pessoas de pele clara.

Uma das principais diretrizes da data é ressaltar as perspectivas de tratamento da psoríase para uma melhor qualidade de vida aos pacientes. A importância do diagnóstico correto e do acesso à informação – uma das principais armas para combater o preconceito – se tornam essenciais para que o paciente não sofra abalos psicológicos, aprenda a se cuidar e a gerenciar sua doença.

Para Paola Pomerantzeff, dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, é fundamental que o tratamento inclua a saúde mental do paciente. “Apesar de ser uma doença benigna e não contagiosa, a psoríase pode gerar um impacto significante na qualidade de vida e na autoestima do paciente, atrapalhando-o tanto fisicamente, quanto psicologicamente e socialmente”, destaca a médica.

O médico dermatologista Egon Daxbacher, do Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia (IEDE) e diretor da SBD, alerta sobre o preconceito que pacientes diagnosticados com a psoríase sofrem. “Toda doença que afeta a pele de forma intensa, e que leva a prejuízo na imagem, acaba sendo alvo de preconceito, infelizmente. Isso faz com que as pessoas diagnosticadas possam se sentir mal com a doença mais do que ela própria já cause problemas e, com isso, até dificultar a resposta ao tratamento”, opina o especialista.

Causas desconhecidas: estresse pode agravar sintomas

As causas da psoríase ainda são desconhecidas, mas sabe-se que envolvem questões autoimunes e genéticas – em 30% dos casos a origem é genética. Também já está confirmado que alguns fatores externos podem causar o surgimento ou a piora das lesões, como estresse, infecções, tempo frio, falta de exposição solar e outros agressores ambientais. O hábito de coçar ou de mexer nas lesões e os banhos quentes e prolongados pioram o quadro, provocando, muitas vezes, até ressecamento e coceiras da pele.

Para a dermatologista Ana Maria Bertelli, professora da Universidade Santo Amaro, é importante conscientizar a população de que apesar de uma doença crônica, a psoríase tem tratamento. “Como existem vários tipos de psoríase é recomendado que o paciente procure um profissional da saúde especializado para que possa identificar e indicar a melhor opção terapêutica para o seu caso. Como trata-se de uma doença cíclica, pode evoluir em semanas ou meses”, explica a médica.

Recentemente, o Ministério da Saúde anunciou a inclusão de novo medicamento para o tratamento da psoríase ao Sistema Único de Saúde (SUS), que terá até 180 dias para disponibilizar a medicação aos pacientes adultos que sofrem da doença em placas moderada a grave.

Sintomas

A psoríase apresenta um conjunto de sintomas confundíveis com outras doenças de pele. Os mais comuns são:

·         Lesões róseas ou avermelhadas, recobertas por escamas esbranquiçadas, que afetam a pele, especialmente em cotovelos, joelhos, couro cabeludo, unhas, palmas das mãos e plantas dos pés;

·         Manchas, coceira, queimação e dor, unhas grossas, sulcadas ou com caroços;

·         Em casos mais graves e avançados, a doença pode causar danos às articulações, com dor e inflamação articular.

Campanha esclarece sobre a doença desde 2016

Mesmo não sendo contagiosa, os pacientes com a doença sofrem muito preconceito por causa das lesões aparentes na pele. O impacto da doença não fica restrito ao corpo e também pode causar depressão, ansiedade e ganho de peso. “Um acompanhamento multidisciplinar é importante para a melhora da qualidade de vida do paciente”, reforça Ricardo Romiti, dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologista.

Para aumentar o conhecimento sobre a doença e tratamentos disponíveis, o dia 29 de outubro foi instituído como o Dia Mundial da Psoríase. No Brasil, desde 2016, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) promove uma campanha nacional durante todo o mês de outubro com objetivo de reduzir a falta de informações sobre a doença e, em especial, extinguir o preconceito vivido por pacientes que receberam este diagnóstico.

A data nasceu em 2004 a partir da união de várias organizações mundiais para tratar do tema. “A iniciativa tem como objetivo orientar e esclarecer as dúvidas da população. Este ano, a campanha foi pensada para dar dicas, as #TopTipsemPsoríase, para pacientes com a doença”, afirma Sérgio Palma, presidente da SBD. 

Levantar discussões sobre a psoríase é de extrema importância, pois estamos falando de uma doença que afeta muito mais do que a pele. Há um impacto social e emocional relevante na vida dos pacientes em decorrência das lesões aparentes”, explica Romiti, que é o coordenador da Campanha Nacional de Psoríase da SBD.

Romiti afirma que a falta de informação sobre a doença faz com que pessoas ao redor do paciente com psoríase não entendam suas características. “A psoríase é uma doença inflamatória que faz com que as células da pele se multipliquem aceleradamente. O processo que demoraria cerca de um mês para acontecer, em pacientes psoriásicos, leva poucos dias. O que as pessoas muitas vezes não sabem é que como esse é um processo do sistema imunológico do paciente, as lesões não são contagiosas”, esclarece.

Como a pandemia pode agravar o quadro

Depois da gravidade indiscutível da pandemia de coronavírus no mundo todo, o isolamento social com certeza foi o fator mais assustador e difícil de ser enfrentado nos últimos meses. Não é novidade que ele aumentou as angústias e agravou problemas psicológicos e psiquiátricos ao longo de todo o globo, mas além disso, ele reverberou também em doenças crônicas como a psoríase.

Ainda com causa desconhecida, acredita-se que a psoríase está ligada a uma mutação da célula T (presente no sistema imunológico e responsável pelo combate a vírus e bactérias), na qual ela erroneamente ataca células saudáveis da pele. “As crises, caracterizadas na sua forma cutânea em sua maioria por lesões vermelhas, espessas e com escamas brancas, podem ser desencadeadas por diversos fatores, como infecções, tabagismo, medicações, fatores endócrinos e imunológicos, e, muitas vezes, fatores emocionais”, explica o médico Luiz Alberto Bomjardim Pôrto, dermatologista membro da plataforma Doctoralia.

Segundo o especialista, a relação entre agravamento do quadro da doença e os reflexos da Covid-19, como a solidão, a ansiedade e até mesmo a perda, é real. “Há relatos de pessoas que abriram o quadro de psoríase após o impacto psicológico da morte de um parente por Covid-19, por exemplo”.

Segundo ele, ainda não se sabe se pessoas com psoríase têm alguma desvantagem em relação à Covid-19, mas é algo que vem sendo estudado. “É de suma importância que pacientes informem seus dermatologistas em caso de infecção por coronavírus para que haja uma reavaliação do quadro clínico. Assim, conseguimos mais informações sobre a convergência dessas duas doenças e aperfeiçoamos o tratamento de maneira cada vez mais eficaz”, afirma o dermatologista.

Dr. Luiz Pôrto informa que um fator importante para controlar essas crises e diminuir os danos em um momento já tão difícil para todos é a constância do tratamento. “Ainda não há cura para a psoríase, mas com o tratamento adequado e levado a sério, é possível viver com poucos sintomas ou até sem qualquer sinal da doença por muito tempo”, destaca.

Diagnóstico precoce reduz lesões na pele

Quando diagnosticada de forma precoce, paciente pode se beneficiar com uma pele sem lesão. O diagnóstico da psoríase é clínico, ou seja, o médico irá examinar o paciente no consultório, checar o seu histórico, olhar os sintomas na pele. Em alguns casos poderá pedir uma biopsia para eliminar a suspeita de outras doenças similares. A psoríase em placas é a forma mais comum, atingindo cerca de 85-90% dos pacientes.

Como os sinais da psoríase na pele se parecem com os de outras doenças, como alergias e micoses, a SBD orienta a busca por um médico dermatologista para uma avaliação correta. Além disso, formas mais extensas e graves de psoríase podem estar associadas a outras alterações sistêmicas do organismo, como pressão alta e obesidade.

Ao notar os primeiros sintomas, a recomendação é procurar um médico dermatologista para diagnóstico preciso e prescrição dos tratamentos mais adequados. É importante evitar a automedicação ou receitas caseiras com a intenção de eliminar lesões”, explica o presidente da SBD, Sérgio Palma. 

Não existe hoje uma forma de prevenir o surgimento da doença em quem tem predisposição. Apesar disso, existem tratamentos que podem manter a doença controlada ou mesmo ausente da pele, parecendo que a pessoa não a possui. Daxbacher também associa as doenças crônicas (hipertensão arterial, diabetes e obesidade) e os problemas emocionais, e até psicológicos, como uma forma de desencadear ou agravar a psoríase.

O médico ressalta a complexidade de casos mais graves. “Casos muito extensos de psoríase, que afetem quase ou totalmente a pele do corpo, podem facilitar infecções e desidratação. Em casos que as articulações sejam afetadas, podem ocorrer deformidades de mãos e pés”, explica.

Apesar de não ter cura, atualmente dispomos de medidas bastante eficazes para o controle dessa dermatose. Lembramos de que mesmo durante a pandemia de Covid-19, os tratamentos da psoríase não devem ser adiados ou interrompidos, a não ser que o paciente desenvolva sinais da infecção”, afirma Ricardo Romiti.  

Sintomas físicos: doença não é contagiosa

Muitas pessoas pensam que a psoríase é contagiosa – e elas não querem apertar a mão de alguém com a doença, por exemplo. “Se uma em cada três pessoas que você encontra na rua vai ter essa visão de sua pele, isso é realmente difícil de enfrentar. A psoríase pode isolar o paciente socialmente e fazer com que as pessoas se sintam ansiosas e deprimidas”, diz a médica. Mas é necessário deixar claro: a psoríase não é contagiosa.

“É uma doença autoimune comum da pele, na qual seu corpo reconhece uma proteína normal da pele como anormal e tenta se livrar dela fazendo a pele descamar. Isso resulta em placas grandes, espessas e escamosas que racham e sangram, e podem ser dolorosas e apresentar coceira”, diz a dermatologista. As áreas de impacto podem variar, mas algumas das mais sensíveis são o couro cabeludo, rosto, genitais e unhas.

“Muitos pacientes não usam shorts ou mangas curtas porque seus joelhos ou cotovelos estão afetados. O início típico é na idade adulta jovem, mas há relatos de bebês e até uma paciente na casa dos 80 anos, que experimentou pela primeira vez depois que sua irmã morreu. Estudos têm mostrado que as pessoas que enfrentam eventos importantes na vida têm maior risco de desenvolver psoríase e que os pacientes com psoríase relatam níveis mais elevados de estresse. Existe uma relação cíclica”, diz a médica.

Efeitos mentais também devem ser controlados

Um dos desafios da saúde mental com doenças de pele é que são doenças observáveis. “As pessoas podem ficar olhando e isso pode fazer o paciente se sentir estigmatizado. Alguns pacientes podem esperar que as pessoas reajam negativamente, então podem decidir que não vão sair ou não podem ir à praia, piscina ou ter uma vida social”, diz a médica.

A intensidade da angústia está frequentemente (mas nem sempre) ligada ao grau de gravidade da psoríase. “Uma área relativamente nova de pesquisa em dermatologia levanta a hipótese de que se você teve psoríase realmente ruim em uma idade jovem e foi socialmente isolado, isso pode afetar sua vida social mais tarde, mesmo que sua pele melhore”, diz a médica.

O ideal é que a ajuda psicológica ajude o paciente a controlar o estresse e interpretar corretamente as interações sociais com as quais está lidando por causa de sua pele, o que hipoteticamente poderia fazê-lo ter mais energia mental para seguir seu plano de tratamento – que muitas vezes pode ser muito complicado e difícil. “É necessário ter empatia e dar espaço ao paciente, em um acompanhamento psicológico adequado, para falar sobre sua condição de pele e como isso afetou sua vida, o que pode ajudar a melhorar a resposta do tratamento”, diz a médica.

Bons hábitos de vida também ajudam. “É importante ter uma alimentação saudável e balanceada, aumentar a ingestão de líquidos, dormir bem e com qualidade e praticar exercícios físicos regularmente mesmo dentro de casa. Tudo isso com o intuito de trazer relaxamento, bem-estar e o controle do estresse”, finaliza a dermatologista.

Formas de tratamento

Segundo a Dra. Paola, por mais difícil que seja a doença da psoríase, há várias maneiras de tratá-la. Mais recentemente, a fototerapia UV e os probióticos foram adicionados com sucesso na lista de tratamentos.

Bons aliados no tratamento diário da psoríase são os cremes hidratantes sem perfume, shampoos neutros, banhos curtos e mornos, alimentação saudável e banhos de sol por tempo limitado e sob a orientação do dermatologista. Evitar o uso de sabonetes abrasivos ou esfoliantes que ressecam a pele é um cuidado importante no dia a dia. 

Pode levar semanas ou meses para ver os resultados. Quando a doença é localizada, as pessoas gostam de medicamentos tópicos, que diminuem o crescimento do excesso de células da pele [que constituem as placas da psoríase]. Mas podem não funcionar para alguns pacientes e são inconvenientes, especialmente se várias áreas forem afetadas”, ressalta.

Para casos leves, com pouco comprometimento da qualidade de vida, o uso de medicamentos tópicos com produtos anti-inflamatórios e hidratantes, como pomadas, loções, xampus ou gel, pode ser suficiente. Já em casos moderados a graves, que podem comprometer articulações e apresentar feridas mais severas, é necessário o tratamento sistêmico, por meio de fototerapia, por ultravioleta, com ou sem remédio, medicamentos de uso oral ou injetável (imunossupressores, retinóides orais e imunobiológicos).

Segundo ela, os comprimidos podem reduzir a resposta imunológica hiperativa, mas alguns podem provocar sintomas gastrointestinais. “Os medicamentos injetáveis, chamados de biológicos, são altamente eficazes, mas caros, e podem tornar as pessoas um pouco mais suscetíveis a infecções, pois diminuem a atividade imunológica no corpo”, diz a médica.

Exposição solar é importante

É interessante também procurar se expor ao sol com segurança. “A exposição segura ao sol é capaz de prevenir a psoríase e aliviar os sintomas da doença, pois a radiação solar possui efeitos imunomoduladores no controle da psoríase e é fundamental para a manutenção de um sistema imunológico saudável”, explica a Dra. Paola.

A exposição solar, inclusive, é grande aliada dos pacientes em crise, mas por conta do isolamento pode ter sido negligenciada. “Muitas pessoas deixaram de tomar suas doses diárias de sol por medo de saírem de casa, principalmente no início. O ideal é que busquem alguns minutinhos de radiação solar por dia, nem que seja pela janela”, orienta Pôrto.

Os dermatologistas são, habitualmente, os médicos que realizam os diagnósticos e iniciam o tratamento da psoríase. Não há exames de sangue que comprovem a enfermidade, e por esta razão, o diagnóstico é realizado por exame clínico por meio de uma avaliação profissional dos sinais e sintomas do paciente ou, eventualmente, por biópsia.

Atendimento psicológico é importante

Mas o médico também deve orientar o paciente a buscar ajuda psicológica e cuidar de alguns hábitos de vida. “Quando um paciente tem psoríase significativa, sei que há mais coisas acontecendo do que posso ver. Eles são mais propensos a diabetes e doenças cardiovasculares e têm maior risco de mortalidade, então fazemos um plano para tratar de todos os aspectos da doença”, enfatiza.

Também devemos pensar em seu bem-estar emocional. Quando alguns pacientes estão estressados, a psoríase piora, por isso trabalhamos no controle do estresse. “Há até pesquisas que mostram que as técnicas de atenção plena, como a meditação, podem tornar as pessoas mais responsivas às terapias para psoríase”, diz a médica.

Medicamentos biológicos funcionam para 80% dos pacientes

Com o diagnóstico em mãos é possível iniciar um tratamento adequado à gravidade da doença. Um dos desafios é ter acesso a tecnologias avançadas que ajudam no controle da doença. Hoje, existem diferentes tipos de medicamentos que podem ser prescritos, dependendo do paciente. Os tratamentos disponíveis para controle da psoríase são prescritos levando em consideração o grau e o tipo da lesão.

Temos os de uso tópico (pomada e cremes), orais (sintéticos), a fototerapia ou os injetáveis (imuniobiológicos). Com o uso dos medicamentos biológicos, cerca de 80% dos pacientes com psoríase moderada a grave muitas vezes consegue atingir uma pele sem ou quase sem lesão”, finaliza Romiti.

Para a psoríase leve o tratamento engloba cremes hidratantes sem perfume, loções e shampoos neutros. Evitar o uso de sabonetes abrasivos ou esfoliantes que ressecam a pele é um cuidado importante no dia a dia. Bons aliados no tratamento diário são ainda banhos curtos e mornos, alimentação saudável e banhos de sol por tempo limitado e sob a orientação do dermatologista.

Já para lesões moderadas a graves são indicados tratamentos sistêmicos que envolvem a fototerapia (exposição a radiação ultravioleta UVA E UVB), medicamentos orais e, em casos mais graves, as medicações injetáveis, os biológicos (ou imunobiológicos), que foram incorporados recentemente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Nova medicação pelo SUS chega até março de 2021

Pacientes adultos portadores de psoríase passam a contar com uma nova opção de medicamento no SUS, o risanquizumabe. A medicação é indicada para o tratamento de pacientes adultos com psoríase em placas moderada a grave, conforme Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da doença. A incorporação do medicamento no SUS foi publicada em 21 de setembro no Diário Oficial da União (DOU). A partir da data, o Ministério da Saúde tem até 180 dias para ofertar o medicamento para o tratamento da doença no SUS após a data da publicação – ou seja, até março de 2021.

Atualmente o tratamento da psoríase no SUS tem como objetivo ajudar os pacientes a alcançarem períodos prolongados de remissão da doença. São ofertados tratamentos com fototerapia e fototerapia com fotossensibilização, além de medicamentos como ciclosporina (cápsulas ou solução oral), metotrexato (comprimido ou injetável), acitretina (cápsulas), calcipotriol (pomada), clobetasol (creme) e dexametasona (creme).

Estes medicamentos, somados aos tratamentos médicos e sessões de fototerapia, melhoram as lesões, mas não curam a doença. A melhor forma de tratamento e administração de remédios é feita com base em avaliação clínica, caso a caso, entre o médico e o paciente.

O relatório de recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) sobre essa tecnologia estará disponível no endereço eletrônico: http://conitec.gov.br/. 

Consulta pública sobre novo remédio na rede privada

No caso dos pacientes que possuem planos de saúde, para que eles tenham o tratamento coberto por seu plano, esse medicamento ou procedimento precisa ser incorporado ao Rol de Procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

A boa notícia é que, para a atualização do rol em 2021, a ANS está avaliando a incorporação de secuquinumabe, medicamento biológico já incorporado no sistema público via SUS, para acesso privado com cobertura dos planos de saúde. Uma das etapas do processo é uma consulta pública para que a ANS escute a opinião da sociedade sobre essas inclusões.

A consulta é pública, ou seja, aberta a todas as pessoas da sociedade que queiram dar o seu parecer sobre o tratamento. Caso tenha interesse em participar, acesse o site da ANS pelo link até 21 de novembro.

Como buscar ajuda

A SBD orienta a procurar um médico dermatologista para diagnóstico e tratamento no site www.sbd.org.br ou nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS). Mais informações em www.psoriasetemtratamento.com.br. A campanha da SBD deste ano é divulgada no site e redes sociais da SBD Nacional, com o apoio e patrocínio da AbbVie, Janssen e Novartis.

A SBD transmitirá uma live direto do Cristo Redentor sobre psoríase nesta quinta-feira, dia 29, às 19 horas. Pacientes com psoríase e interessados no assunto poderão assistir a transmissão da Live no canal do YouTube da SBD (SBDONLINE). Além disso, durante o evento on-line, serão projetadas lesões de psoríase no monumento para chamar a atenção e alertar a população sobre essa doença crônica e inflamatória da pele que tem tratamento.

Com Assessorias

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