Férias: é tempo de abandonar o xixi na cama

Especialista ensina dicas práticas para que a família ajude a criança que sofre com enurese noturna após os 5 anos

Redação

Tudo vai bem até que o sono de toda a família é interrompido por causa de mais um episódio de xixi na cama. Levantam a mamãe e o papai para trocar as roupas de cama e dar banho na criança, que acordou toda molhada e, na maioria das vezes, frustrada.  Até os 5 anos de idade, é considerado normal que isso ocorra, afinal, a criança ainda não tem a capacidade de controlar a urina durante à noite. Porém, quando a situação continua a acontecer após esta idade, ou mais de uma vez ao mês, a melhor coisa a fazer é identificar as causas do problema.

“Podem haver diversos fatores. Na maioria das vezes, é um processo de desenvolvimento do controle da micção que, associado ao sono profundo, comum nesta fase da vida, acaba gerando vontade de urinar durante o sono. Mas também é preciso investigar se há alguma causa física, como incontinência urinária, problemas na bexiga, neurológicos ou outros”, afirma Renato Falci, urologista e membro do comitê científico do Instituto Lado a Lado pela Vida.

Em tempo de férias, quando a rotina da família muda totalmente e programação das crianças, viagens e os convites para dormirem na casa de parentes e amigos se tornam mais frequentes, o que fazer com as crianças que ainda convivem com o xixi na cama?

Enurese noturna afeta 15% das crianças com mais de 5 anos

Segundo ele explica, o nome técnico do “xixi na cama” é enurese noturna. Assim é denominada pelos médicos a perda involuntária de urina durante o sono, que ocorre entre o período do desfralde (momento em que se retira as fraldas das crianças) até o perfeito controle da urina (esfincteriano) que se completa com o crescimento. “Apesar de fazer parte do processo natural do crescimento da criança, ela pode causar estresse na vida familiar”, avalia Dr. Falci.

Esta é uma condição muito frequente que atinge cerca de 15% das crianças com mais de 5 anos de idade. Durante o primeiro ano de vida, a criança não tem controle algum sobre sua micção. Ela ocorre espontaneamente como um reflexo, ou seja, a bexiga enche e esvazia automaticamente. A partir de um ano de idade, o cérebro da criança já começa a perceber que a bexiga está cheia, mas ainda não há maturidade para controlar a micção.

O médico esclarece que a completa maturidade com controle voluntário da micção pela criança ocorre em idades variáveis. “Aos 5 anos de idade, 85% das crianças têm controle completo. Já o restante torna-se continente num ritmo de 15% ao ano”. Os casos de enurese durante a puberdade e na vida adulta são raros, mas podem acontecer. Ele alerta que, quando a enurese ocorrer mais de uma vez ao mês ou quando for acompanhada de outros sintomas urinários como perdas de urina, vontade urgente de urinar, jato intermitente ou infecções, os pais devem levar a criança a um urologista para uma avaliação especializada.

Outro ponto importante é que quanto mais cedo o desfralde, menor será o controle da criança sobre a vontade de urinar. “Muitos pais ficam preocupados e ansiosos para que a fase do xixi na cama passe logo. Mas para saber se há motivos para se preocupar, é preciso observar se a criança urina normalmente e tem controle da micção durante o dia, se urina com bom fluxo, sem gotejamento ou interrupções”, afirma Dr. Falci, reforçando que os casos de enurese noturna desaparecem naturalmente com o crescimento da criança, na imensa maioria dos casos.

“De qualquer forma, a avaliação do urologista tem como objetivo descartar doenças que podem estar por trás desse sintoma. A importância do diagnóstico correto está no fato de que outras doenças necessitam de tratamentos específicos”, diz. Para essa avaliação, os pais ou responsáveis precisam dar alguns dados importantes sobre a criança, como história familiar, quantidade e horário de ingestão de líquidos, hábitos e intervalos de micção, hábito intestinal, padrão do sono e histórico de doenças do trato urinário, entre outros.

 

Dicas para evitar o xixi na cama o ano inteiro

O médico listou algumas dicas para minimizar os episódios envolvendo o xixi na cama:

1 – Leve a criança para esvaziar a bexiga antes de dormir

Faça com que a criança se habitue a fazer xixi sempre, antes de ir para cama.

2 – Adeque a ingestão de líquidos antes de dormir

Evite ingestão de líquidos após o jantar.

3 – Estabeleça padrões miccionais para a criança

Leve a criança para urinar periodicamente, para que ela esvazie a bexiga.

4 – Lance mão da tecnologia

Há hoje no mercado alarmes urinários, que acordam a criança assim que começa a urinar na cama. Assim ela pode levantar e ir ao banheiro. A adaptação a esse dispositivo deve ter orientação médica.

5 – Medicamentos podem ajudar

Há medicamentos que inibem a produção de urina à noite, mas que somente devem ser usados sob orientação médica.

6 – Esteja atento aos sinais emocionais

Algumas situações, como a chegada de um novo irmão ou mudança de escola, podem sinalizar que ela se sente amedrontada, triste ou até rejeitada, ocasionando a enurese. Fique atento aos sinais emocionais que seu filho possa dar. São situações naturais de uma família que uma educação balanceada entre controle e carinho resolvem com facilidade.

7 – Nunca castigue a criança que urinou na cama

A criança não faz xixi na cama porque quer, por isso as críticas e castigos só agravam a situação. Em vez disso, reconheça e elogie quando a roupa de cama amanhecer seca.

Dicas para o sono não se transformar em pesadelo

Mas, para não deixar o período se tornar um pesadelo, com ansiedade e estresse, confira abaixo dicas para encarar de vez o transtorno e ajudar os pequenos a superarem os efeitos negativos do xixi na cama.

1. Marque uma consulta médica

Não adianta querer lidar com a Enurese sem consultar um especialista, por isso, o primeiro compromisso das férias é agendar uma visita ao pediatra. Caso você já tenha mencionado o problema com ele, mas não sentiu segurança ou atenção ao caso, procure uma segunda opinião. Para ajudar o especialista, leve anotações prévias da rotina da criança: comportamentos, frequência na ingestão de líquidos, idas ao banheiro durante o dia, posturas de contenção e as situações geradoras de estresse durante o dia.

2. Converse com a criança

A criança precisa ser incluída em todo o processo, a começar pelo entendimento do transtorno. Pode ter certeza de que isso a fará colaborar de maneira muito mais ativa e simples durante o tratamento. Cuidado com abordagens que possam fazê-la sentir-se culpada. A ideia é mostrar que o xixi na cama não é uma doença, mas sim uma fase que vocês enfrentarão juntos.

3. Inaugure o diário miccional

O registro das noites secas é um documento de apoio ao tratamento da Enurese, o que faz com que você nem precise, necessariamente, esperar a consulta com o médico para começar a usar. Caso prefira montar o seu próprio calendário, não esqueça de convidar a criança para participar. Preencha junto com ela, sempre valorizando as noites secas e tirando o peso das molhadas.

4. Prepare o ambiente

Uma coisa muito importante durante o tratamento da Enurese é a adoção de itens e comportamentos que tornem o xixi na cama o menos desagradável possível. Coisas como capas protetoras de colchão, roupas íntimas impermeáveis e baixa ingestão de líquidos durante a noite, podem ajudar na empreitada. Mas claro, nada melhor para os pequenos do que o afeto e apoio dos pais. Procure deixar a criança sempre tranquila na hora de dormir e, caso exista a necessidade de ingerir remédios prescritos pelo médico, siga os horários com disciplina.

5. Oriente familiares, amigos e cuidadores

O xixi na cama não é motivo para impedir a criança de acampar ou de pernoitar na casa de outras pessoas. Converse com seu filho e, caso ele se sinta confortável para experimentar uma ou mais noites fora de casa, explique como ele pode agir para que a experiência seja agradável. Reforce as orientações para os responsáveis por ela durante essas noites, como parentes próximos, amigos da família ou até mesmo cuidadores.

Fonte: Instituto Lado a Lado e Xixi na Cama

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