Fumantes têm mais risco de sofrer efeitos graves da covid-19

Inca alerta que tabagismo é fator de risco para doença causada pelo novo coronavírus. Uso de cigarro eletrônico e maconha também

Redação

Todo mundo corre o risco de contrair a Covid-19. A doença é particularmente perigosa para pessoas com condições subjacentes, como uma doença cardíaca ou pulmonar. Diante do conjunto de sintomas de Covid-19 e a sobrecarga da rede de saúde no país, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) alerta os fumantes sobre a importância de largar o hábito no atual contexto. Em nota, a entidade pontuou que o tabagismo provoca inflamações e prejudica o sistema imunológico, aumentando o risco de infecções por vírus, bactérias e fungos.

O Inca também observou que os fumantes têm mais tendência a desenvolver sintomas graves de covid-19, devido à suscetibilidade ocasionada pelas substâncias nocivas do cigarro. Conforme menciona o instituto, os fumantes convivem, geralmente, com a capacidade pulmonar já reduzida. Por isso, são acometidos mais frequentemente por infecções como sinusite, traqueobronquite, pneumonia e tuberculose. “Podemos dizer que o tabagismo, por sua vez, é fator de risco para a covid-19”, acrescenta o comunicado.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, em média, um em cada seis infectados por covid-19 apresenta o quadro grave da doença e tem dificuldade para respirar. No Brasil, dos 800 óbitos informados pelo Ministério da Saúde até a tarde de quarta-feira (8), 655 tinham como causa a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). A SRAG é capaz de desencadear a disfunção de órgãos, exigindo internação do paciente, inclusive em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ainda segundo o boletim do ministério, 59,1% dos pacientes que faleceram por SRAG eram homens.

Pneumologista da Mayo Clinic alerta para cigarro eletrônico

Neal Patel, pneumologista e especialista em medicina intensiva da Mayo Clinic, diz que pessoas que fumam produtos de tabaco, cigarros eletrônicos ou maconha podem também ter risco aumentado de ficar muito doentes se contraírem o vírus. Um blog recentemente publicado pelos Institutos Nacionais dos Estados Unidos explica que análises iniciais dos casos da Covid-19 na China mostram que fumantes podem ter desenvolvido a doença mais gravemente do que não fumantes.

Fumar torna você mais suscetível à Covid-19, porque destrói alguns mecanismos de defesa naturais do seu pulmão. Usar cigarros eletrônicos pode fazer o mesmo. Fumantes ativos têm risco aumentado de terem maiores problemas com e a Covid-19. Então, novamente, não há melhor momento de parar de fumar do que hoje”, afirma o Dr Neal Patel.

Pesquisas indicam que usar cigarros eletrônicos também pode destruir os cílios nos pulmões. Os cílios são folículos pequenos, parecidos com cabelos, que ajudam a pegar vírus e resíduos e movê-los para fora dos seus pulmões para que eles não fiquem lá e causem problemas. Os cílios agem como um dos principais sistemas de defesa contra infecções. Sem os cílios, fumantes, infelizmente, ficam um pouco indefesos. E isso explica o porquê de alguns fumantes que pegam resfriados comuns poderem desenvolver tosses prolongadas por semanas e até meses.

É necessário mais investigação para determinar o efeito do cigarro e dos cigarros eletrônicos nas pessoas com Covid-19, mas o Dr. Patel diz que as pessoas deveriam fazer o que puderem para parar agora. “Quem tem pulmões saudáveis pode se recuperar mais rapidamente”, explica o especialista, ao recomendar que as pessoas parem de usar cigarros eletrônicos para manter o pulmão saudável e reduzir o risco de desenvolver doença grave se contraírem a Covid-19. “Fale com o médico para obter informações sobre estratégias que podem ajudar você a parar de fumar”, recomenda.

Taxa de tabagismo vem caindo no Brasil

taxa de tabagismo caiu 40% no país, entre 2006 e 2018. Apesar disso, enquanto 6,9% das mulheres declararam ainda manter o hábito em 2018, o índice entre homens chegava a 12,1%, conforme demonstrou relatório do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel).

O documento do Vigitel ressalta outras informações que são relevantes, se cruzadas com os do perfil dos infectados por covid-19. No grupo de fumantes idosos com 65 anos de idade ou mais, a proporção era de 6,1%, naquele ano. Já entre pessoas na faixa etária de 55 a 64 anos, o índice dobrava, passando a ser 12,3%.

Outro aspecto a ser lembrado são os danos do fumo passivo. Anualmente, o tabagismo passivo causa cerca de 880 mil mortes em todo o mundo, das quais 58 mil, aproximadamente, são de crianças de 0 a 14 anos.

A fumaça do cigarro contém mais de 7 mil compostos e substâncias químicas. Desse total, 69, no mínimo, são cancerígenos. Embora talvez se possa pensar que não haja nada tão danoso, o Inca aponta que a fumaça que sai da ponta do cigarro e se espalha pelos ambientes carrega até 50 vezes mais substâncias cancerígenas do que a fumaça que o fumante inala.

Dicas para abandonar o cigarro

Na nota, o Inca pondera, ainda, que os fumantes podem estar colocando a saúde em risco pelo simples gesto de levar a mão à boca sem higienizá-la adequadamente, o que facilita a infecção por covid-19. Comentando que os pulmões já funcionam melhor em um intervalo de 12 a 24 horas após o corte no hábito, o instituto listou orientações que podem ser seguidas:

1. Marque uma data ainda esta semana para deixar de fumar.
2. Enquanto não chega o dia que você marcou, reduza o número de cigarros diariamente, começando pelo adiamento do primeiro cigarro do dia. Não fume logo depois do café da manhã, do almoço, do lanche e do jantar. Essas medidas ajudam a diminuir o número de cigarros e vão preparando seu corpo para o dia da parada.
3. Um dia antes da data que marcou para deixar de fumar, quando for dormir, molhe com água todos os cigarros que sobraram no maço e jogue-os no lixo.
4. Não deixe nenhum cigarro para o dia seguinte porque, se tiver vontade de fumar e não tiver cigarros em casa, você terá mais sucesso, pois dificilmente você sairá devido ao risco da contaminação pelo coronavírus.
5. Se der vontade de fumar, lembre-se de que a vontade de fumar só dura cinco minutos. Para se distrair nesses cinco minutos: ligue a televisão, tome um banho, coma uma fruta, faça um exercício respiratório… Enfim, faça alguma atividade para esse tempo passar.
6. Lembre-se que essa vontade de fumar irá diminuir à medida que os dias forem passando. Tenha paciência.

Veja o site do CDC e o site da Organização Mundial da Saúde para atualizações adicionais sobre a Covid-19. Para mais informações,  mayoclinic.org.

Da Agência Brasil e Mayo Clinic

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