Fumar aumenta de duas a três vezes o risco de ter formas graves da Covid-19

Entenda por que o novo coronavírus pode causar formas mais graves da Covid entre os fumantes

Fumar é uma porta aberta para o coronavírus, que aumenta de duas a três vezes o risco de se desenvolver formas graves da Covid-19. O tabagismo é a principal causa de morte evitável no mundo e tem relação com um número maior de infecções respiratórias e potencial risco para a doença causada pelo novo coronavírus. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabaco afeta os pulmões de maneira que pode aumentar o risco de desenvolvimento da forma grave da doença.

Diante do atual configurado por uma das maiores crises globais de saúde dos últimos tempos, o Inca – Instituto Nacional do Câncer também apresentou diretrizes relacionando o hábito de fumar com as complicações do novo coronavírus. A razão é óbvia: o tabagismo, que também é visto pela OMS como uma pandemia, tem um importante papel no agravamento dessa crise.

O tabaco causa diversos tipos de inflamação que prejudicam os mecanismos de defesa do organismo, o que leva os fumantes a serem mais suscetíveis a infecções por vírus, bactérias e fungos. Como consequência, são acometidos com mais frequência por doenças como sinusite, pneumonia e tuberculose. 

Estudo publicado no dia 29 de dezembro pelo periódico Thorax, com mais de 2,4 milhões de participantes no Reino Unido, indica que os fumantes eram 14% mais propensos a terem sintomas clássicos e evidentes da Covid-19 (tosse persistente, falta de ar e febre) do que os não fumantes.

Em relação ao novo coronavírus, o fumante acaba tendo mais chances de contrair a doença e, no caso de existência de outras doenças relacionadas ao tabagismo, tem também maior chance de desenvolver sintomas graves”, explica o médico pneumologista Rogério Souza, do Hospital Vila Nova Star, da Rede DOr.

Fumantes mais expostos à contaminação

Outro fator, que não pode ser ignorado em tempos de pandemia, é que os fumantes podem ficar ainda mais expostos ao contágio pelo coronavírus, já que o constante manuseio do cigarro com as mãos e o possível contato com a boca, além da necessidade de tirar a máscara para fumar, podem aumentar a possibilidade de contágio pelo vírus.

O próprio ato de fumar possibilita constante contato dos dedos com a boca e eleva o risco de manipular cigarros contaminados. O contato com os lábios e o possível compartilhamento de cigarros ou de narguilé aumentam a chance de transmitir o vírus para a boca”, advertem os especialistas.

Mas, infelizmente, apesar das constantes campanhas para reduzir o número de fumantes no Brasil nos últimos anos, os brasileiros passaram a consumir mais cigarros durante a pandemia, como vimos aqui. Por isso, órgãos responsáveis pela monitoração da saúde pública, como o Inca e a OMS, têm encorajado as pessoas a modificarem o estilo de vida.

Diante dos dados preocupantes, campanhas de conscientização sobre os riscos do cigarro e do tabagismo para a saúde, principalmente durante a pandemia, passaram a ganhar mais relevância e pautam a semana dedicada ao Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado nesta segunda-feira (31). Afinal, além de proteger a saúde de outros prejuízos, parar de fumar minimiza os riscos associados à infecção pela Covid-19.

Chegada do inverno também preocupa

Outra preocupação é a chegada do inverno, o que aumenta as chances de viroses respiratórias. “Sintomas de gripes e resfriados como febre, cansaço, tosse, congestão nasal e dor de cabeça podem facilmente ser confundidos com o de covid e isso leva as pessoas a procurarem os hospitais e, consequentemente, a lotação”, pondera Souza.

O pneumologista destaca ainda a importância da vacinação contra influenza neste momento de aumento de casos de Covid-19. “A prevenção contra a gripe não só diminui a transmissão e a incidência de casos da doença, como reduz o número de hospitalizações e facilita o diagnóstico para o coronavírus porque evita idas desnecessárias aos hospitais de pessoas com sintomas gripais”, afirma.

Além disso, os cuidados adotados para evitar transmissão do novo coronavírus, como distanciamento social, uso de máscara e higiene das mãos, foi um ganho que resultou na menor disseminação de viroses respiratórias.

Como o coronavírus age nos fumantes

Recentemente, descobriu-se que a relação entre a doença causada pelo vírus denominado SARS-CoV-2 e o hábito de fumar é muito próxima. Isso porque essa doença sistêmica é marcada por sintomas associados a um importante componente respiratório.

Pesquisas mostram que a nicotina aumenta a expressão de uma enzima que serve de receptor para o vírus entrar na célula, a chamada enzima conversora de angiotensina 2 (ECA2). Isso faz com que a carga viral seja maior. O tabagismo também aumenta o risco de infecções causadas por bactérias, vírus e fungo respiratórios, porque reduz a capacidade de resposta do sistema imunológico.

Somado a esses fatores, os fumantes ainda apresentam baixa oxigenação dos tecidos, alterações dos vasos sanguíneos e um estado de hipercoagulação que os predispõem à trombose, uma das possíveis complicações da Covid.

Nas fases mais avançadas, o aparelho respiratório fica debilitado devido à ação desse vírus nos pulmões. Assim, o SARS-CoV-2 pode provocar desde uma síndrome respiratória aguda, em grau leve, até quadros incompatíveis com a vida. Porém, em pacientes fumantes, o risco de evolução é muito maior devido às condições funcionais dos pulmões.

Quando comparados, os casos simples de Covid-19, em pacientes não-fumantes, são considerados de média complexidade nos fumantes. Isso acontece porque a dinâmica respiratória de quem fuma é muito prejudicada pelos componentes do cigarro. Logo, nesses indivíduos, há baixa resistência às infecções respiratórias e risco aumentado para complicações.

Com Assessorias

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