Fura-filas da vacinação: ‘a situação é constrangedora e reprovável’, diz AMB

Associação Médica Brasileira critica profissionais vacinados sem estar na linha de frente da Covid-19. Saiba quais são os grupos prioritários

Redação
Vacinação contra a Covid no Hospital São João Batista (Foto Bruno Campos / Prefeitura de Macaé)

Em nota distribuída à imprensa nesta segunda-feira (25/1), a Associação Médica Brasileira (AMB) criticou a atitude de médicos e profissionais de saúde que, mesmo sem atuar na linha de frente de combate ao novo coronavírus, se aproveitam da função para “furar a fila” de vacinação contra a Covid-19 em todo o país.

A situação é constrangedora e reprovável sob todos os aspectos. O país atravessa crise sanitária sem precedentes, sendo que o número de vacinas disponíveis entre nós é, hoje, insuficiente para todos os agentes de saúde e demais grupos prioritários”, diz a entidade.

De acordo com a AMB, “é imperioso o senso de cidadania”. “Em sua maioria, os profissionais de saúde têm plena consciência e compreensão solidária sobre a prioridade em se vacinar, indistintamente, apenas os trabalhadores que atuam na linha de frente”, completa a nota.

Quais são os grupos prioritários

No Rio de Janeiro, a Subsecretaria de Vigilância em Saúde recebeu, no último domingo, informe técnico do Ministério da Saúde e encaminhou as recomendações para aplicação da vacina aos municípios, por meio de uma nota informativa. Segundo a nota, os grupos prioritários permanecem os mesmos e incluem:

– pessoas com 60 anos ou mais que vivem em instituições;
– pessoas maiores de 18 anos com deficiência vivendo em instituições;
– povos indígenas em terras indígenas;
– trabalhadores da saúde:
       – profissionais de saúde envolvidos na vacinação dos grupos elencados;
       – trabalhadores das instituições de longa permanência de idosos e de residências inclusivas (Serviço de Acolhimento Institucional em Residência Inclusiva para jovens e adultos com deficiência);
       – trabalhadores dos serviços de saúde públicos e privados envolvidos diretamente no atendimento de casos suspeitos e confirmados de Covid-19.

Veja abaixo o posicionamento da AMB na íntegra:

A Associação Médica Brasileira (AMB) vem a público se posicionar oficialmente sobre recentes notícias veiculadas pela imprensa acerca da obediência à estratificação pré-estabelecida para a vacinação de grupos prioritários contra a Covid-19.

Conforme estas reportagens, entre os transgressores estariam pessoas fora da área de saúde e também profissionais de saúde, incluindo médicos, que não atuam diretamente na linha de frente do atendimento de pacientes suspeitos ou com Covid-19.

A situação é constrangedora e reprovável sob todos os aspectos. O país atravessa crise sanitária sem precedentes, sendo que o número de vacinas disponíveis entre nós é, hoje, insuficiente para todos os agentes de saúde e demais grupos prioritários.

Mais do que nunca, é imperioso o senso de cidadania. Em sua maioria, os profissionais de saúde têm plena consciência e compreensão solidária sobre a prioridade em se vacinar, indistintamente, apenas os trabalhadores que atuam na linha de frente.

Vacinar é um ato de cidadania. Interesses individuais e a busca por vantagens indevidas não podem se sobrepor, em instante algum, ao bem comum. Portanto, cabe às autoridades e aos órgãos responsáveis a fiscalização e a responsabilização destas irregularidades.

A AMB expressa a convicção de que os médicos do Brasil cultivam sólidos princípios éticos e compromisso com a saúde da população. Nos solidarizamos com a sociedade brasileira pelos enormes sofrimentos impostos pela pandemia e com os comprometidos médicos e demais profissionais de saúde que têm, mais do que nunca, nesse momento, demonstrado o quanto prezam pela saúde e a vida de seus pacientes.

Não podemos permitir que exceções empanem o nobre, exaustivo e incansável trabalho até agora realizado pela classe de profissionais de saúde. Nosso respeito e gratidão a cada um deles.

Reponsabilidade, cidadania e vacinação: pilares ao combate à Covid-19.

Associação Médica Brasileira

Com Assessorias

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