Gases de geladeiras são mais prejudiciais ao efeito estufa que o dióxido de carbono

Para reduzir efeito estufa, é preciso que o Brasil ratifique a Emenda de Kigali, que estabelece metas para a redução do uso de gases HFCs

Redação

Você sabia que geladeiras, freezers e outros aparelhos de refrigeração emitem gases até 2 mil vezes mais prejudiciais ao efeito estufa do que o dióxido de carbono? Para mudar essa realidade, é preciso que o Brasil ratifique a chamada Emenda de Kigali, que estabelece metas para a redução do uso de gases HFCs em aparelhos de refrigeração. A Emenda de Kigali é uma das pautas discutidas pelas grandes potências nesta quinta-feira, 22, Dia Mundial da Terra, na cúpula de 40 lideranças mundiais convocadas pelo presidente americano Joe Biden.

Estados Unidos e China darão um passo histórico na Cúpula de Líderes Sobre o Clima anunciando uma união inédita por medidas para reduzir o aquecimento global. Hoje, 100% do mercado japonês e a maior parte dos países europeus já adotam fluidos refrigerantes de baixo potencial de aquecimento global. Enquanto isso, no Brasil, o projeto que prevê a adesão do Brasil ao protocolo já assinado por 119 países descansa há um ano e meio na gaveta da Presidência da Câmara dos Deputados.

Adesão a protocolo representa economia em contas de luz

A aprovação da emenda evitará que o Brasil se torne um dos últimos destinos de aparelhos obsoletos, que aquecem o planeta e têm baixa eficiência energética, elevando os gastos das famílias, do governo e das empresas com a conta de luz. O uso de aparelhos eficientes resultaria em economia de R$ 57 bilhões no país até 2035.

O cálculo é de um estudo do Instituto Clima e Sociedade (iCS) em cooperação técnica com o Lawrence Berkeley National Laboratory (LBNL). Do total, R$ 30 bilhões deixariam de ser gastos na geração de energia elétrica, e outros R$ 27 bilhões seriam economizados pelos consumidores na conta de luz.

Emenda de Kigali foi aprovada em 2016, durante conferência do Protocolo de Montreal – do qual o Brasil faz parte – e ganhou este nome em homenagem à capital de Ruanda, que sediou a reunião. O protocolo trata principalmente da proteção à camada de ozônio, mas, com a Emenda de Kigali, passou também a refletir as preocupações com as mudanças climáticas.

Manifesto em favor da Emenda de Kigali

emenda de kigali
Campanha pela aprovação da Emenda de Kigali no Congresso Nacional (Reprodução)

O projeto para ratificação da Emenda de Kigali, que já passou por todas as comissões da Câmara, mas ainda não foi enviada ao plenário. Para acelerar esse processo, o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira, deve receber neste Dia da Terra (22 de abril) o manifesto “Pela Aprovação de Kigali Já!”, assinado por representantes da indústria e de entidades de defesa do meio ambiente e dos direitos do consumidor.  “Essa modernização permitiria que a indústria brasileira ficasse alinhada às inovações já presentes em mercados como o norte-americano, europeu, chinês e indiano”, diz o manifesto.

De acordo com representantes do movimento, a adesão ao protocolo trará também mais investimentos para o país. Quando o Brasil ratificar a emenda, a indústria nacional de ar condicionado e geladeiras terá acesso a cerca de 100 milhões de dólares do Fundo Multilateral para a Implementação do Protocolo, a fundo perdido.

O dinheiro é para que as fábricas brasileiras produzam equipamentos mais eficientes e menos poluentes. Sem esses investimentos, o Brasil perde competitividade, e nosso mercado consumidor se consolida como destino de produtos obsoletos e de alto consumo de energia. 

O manifesto “Pela aprovação de Kigali já” é assinado por mais de 1.200 pessoas e entidades e pode ser visto na página do Idec, clicando aqui. As hashtags que estão sendo usadas na campanha pela ratificação da Emenda de Kigali são as seguintes: #DiaMundialdaTerra #EmendaKigali #VotaKigali #MudancaClimatica.

Carta aberta ‘Dê uma chance à Terra’ une Daniel Alves e Shakira

Para marcar o Dia da Terra, celebrado nesta quinta-feira (22), o Prêmio Earthshot – lançado no ano passado pelo Príncipe William e pela The Royal Foundation – publicou uma carta aberta, assinada por membros do Conselho do Prêmio Earthshot, incluindo Daniel Alves, Shakira, Príncipe William, Indra Nooyi, Christiana Figueres e Cate Blanchett.

Com o título, ‘Dê uma chance à Terra’, a carta refere-se à ameaça que a Terra enfrenta como “o desafio mais urgente da história humana”. A carta é um chamado à ação para que o mundo responda à crise climática com a mesma urgência, espírito coletivo e bondade que foram demonstradas em relação à emergência global da Covid-19 – antes que seja tarde demais.

O Prémio Earthshot, um novo e prestigiado prêmio global para o meio ambiente, foi criado para incentivar a mudança e ajudar a reparar o nosso planeta nos próximos dez anos. Os membros do Conselho do Prêmio Earthshot escolherão cinco vencedores para conceder o Prêmio Earthshot todos os anos, de 2021 a 2030. Veja aqui um vídeo sobre a campanha, com participação do jogador Daniel Alves.

Com Assessorias

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