Governador do Rio anuncia que está com coronavírus

Wilson Witzel está sendo medicado. Dois prefeitos da Baixada também testam positivo. O de Caxias está internado após dizer que ‘cura’ viria de igrejas

Redação

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, anunciou que testou positivo para o novo coronavírus. A informação foi divulgada na rede social do governador na tarde desta terça-feira (14). Em um vídeo postado no Twitter, Witzel explica que começou a sentir os sintomas na última sexta-feira e decidiu fazer o teste.

Quero comunicar a todos que desde sexta-feira não venho me sentindo bem e pedi para que fosse feito o teste para o covid. Hoje veio o resultado positivo. Tive febre, dor de garganta, perda de olfato. Graças a Deus estou me sentindo bem e continuarei trabalhando aqui do Palácio Laranjeiras, mantendo as restrições e as recomendações médicas. Tenho certeza de que vou superar mais esta dificuldade”, disse.

Ao final da gravação, o governador ainda fez um apelo para a população do Rio de Janeiro continuar em isolamento: “Pode contar comigo, todo o povo fluminense. Vou continuar trabalhando. E eu peço, mais uma vez, para que fiquem em casa. Porque a doença não escolhe ninguém e o contágio é rápido”.

O governador do Pará, Hélder Barbalho, também anunciou nesta terça-feira que testou positivo para o novo coronavírus. Em pronunciamento na TV, usando máscara, ele fez também um apelo à população para que mantenha o isolamento social. “Esta doença é muito contagiosa e não escolhe classe social”, reforçou.

Dois prefeitos da Baixada também testam positivo

O prefeito de Belford Roxo, Wagner dos Santos Carneiro, e seu filho de 15 anos também foram diagnosticados. Waguinho é o segundo prefeito da Baixada Fluminense que foi infectado pelo vírus. Washington Reis, de Duque de Caxias, está internado no Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, desde sábado. Ele é um dos 94 pacientes confirmados na cidade, que tem 100% dos leitos de UTI ocupados e aumentou de 16 para 20 o número de mortes pela doença.
Reis está na unidade de tratamento semi-intensiva da unidade particular, onde é monitorado por um cardiologista e por um pneumologista, e seu quadro apresenta “evolução satisfatória”, de acordo com sua assessoria.  O prefeito começou a sentir alguns dos sintomas associados ao novo coronavírus na terça-feira, após uma viagem a São Paulo, estado mais atingido pelo novo vírus no Brasil. Reis fez uma tomografia e na quinta-feira, voltou a ser examinado, apresentando um quadro diferente. No dia seguinte, ele foi internado pela manhã. Até então, mantinha o isolamento de maneira domiciliar. Os outros dois resultados tinham dado negativo.

‘Cura virá das igrejas’, disse prefeito, internado com covid-19

Caxias foi o penúltimo município da região a restringir o funcionamento do comércio por conta da pandemia. Reis causou polêmica recentemente ao afirmar em vídeo que as igrejas da cidade permaneceriam abertas, dizendo que “a cura viria delas”.  “Foi orientação, desde a primeira hora, manter as igrejas abertas porque a cura virá de lá, dos pés do senhor”, disse o prefeito no vídeo, divulgado no mesmo dia em que a cidade confirmou o primeiro caso de coronavírus. Nas imagens, Washington Reis aparece ao lado da vereadora Leide (PRB), atual secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Agricultura, Abastecimento e Pesca.
O juiz federal substituto Márcio Santoro Rocha, da 1ª Vara de Duque de Caxias/RJ, deferiu liminar para determinar que a União e o município de Duque de Caxias se abstenham de aplicar os decretos 10.282/20 e 10.929/20 nos trechos em que incluem no rol das atividades essenciais as religiosas e as lotéricas. O magistrado destacou que “o acesso a igrejas, templos religiosos e lotéricas estimula a aglomeração e circulação de pessoas”, e que é fundamental seguir a orientação da OMS de isolamento social para que o sistema de saúde – público e privado – não entre em colapso.

Caxias é o segundo município em número de casos no estado

Com 94 casos confirmados e 20 mortes, Duque de Caxias é o segundo município do Estado do Rio em número de casos da doença, atrás da capital, que tem 2.393 confirmações e 140 óbitos. Também na Baixada Fluminense, houve mortes em Nova Iguaçu (2), Queimados e São João de Meriti. Na Região Metropolitana, Niterói (2), Itaboraí e São Gonçalo tiveram novos óbitos.
No Sul Fluminense, foram confirmadas mortes em Resende e Barra Mansa.  Em novo recorde de óbitos em 24 horas, subiu de 182 para 224 o número de mortes causadas pelo novo coronavírus no Estado do Rio, um crescimento de 23%. O número de casos confirmados saltou de 3.221 para 3.410, aumento de 5,8%. Há 121 óbitos em investigação. 

Recorde de mortes no Brasil em um só dia

O Brasil também bateu o recorte de mortes em 24 horas: 204. Na segunda, haviam sido contabilizados 105 óbitos e, no domingo, 99.  O número de mortes decorrentes da covid-19 subiu para 1.532 no país. O resultado marca um aumento de 15% em relação a ontem (13), quando foram registrados 1.328 óbitos. São Paulo concentra o maior número de mortes (695), com mais da metade do total contabilizado na atualização. O estado é seguido por Rio de Janeiro (224), Pernambuco (115), Ceará (107) e Amazonas (90).
Também foram registradas mortes no Paraná (36), Maranhão (32), Minas Gerais (27), Santa Catarina (26), Bahia (22), Pará (19), Rio Grande do Norte (18), Rio Grande do Sul (18), Distrito Federal (17), Espírito Santo (17), Paraíba (16), Goiás (15), Piauí (oito), Amapá (seis), Sergipe (quatro), Mato Grosso do Sul (quatri), Alagoas (quatro), Mato Grosso (quatro), Acre (três), Roraima (três) e Rondônia (dois). Tocantins é o único estado onde ainda não houve morte.

Já o número de casos teve um crescimento de 8% em relação a segunda-feira, quando o balanço do Ministério da Saúde registrou 23.430 casos. No comparativo com domingo (12), quando foram identificadas 22.169 pessoas infectadas, o aumento significou 14%. Os casos confirmados nas últimas 24 horas totalizaram 1.832, mais do que o contabilizado ontem (1.261). O resultado não foi o maior, pois, na última semana, houve um acréscimo de 2.210 novos casos às estatísticas na quarta-feira (8). A taxa de letalidade do país está em 6,1%, maior do que a registrada ontem, quando o índice foi de 5,7%.

Hospitalizações

No perfil das vítimas, 59,9% eram homens e 40,1%, mulheres. Do total, 73% tinham acima de 60 anos e 73% apresentavam algum fator de risco, como cardiopatia, pneumopatia, diabetes e doenças neurológicas.  As hospitalizações por covid-19 totalizaram 4.926. No entanto, há 31.605 pessoas internadas com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em investigação, dependendo de testes para averiguar se são casos de infecção por novo coronavírus ou não.

As regiões com maior incidência de casos do novo coronavírus foram identificadas em Fortaleza (608,2), São Paulo (523), Manaus e Entorno (436,7), área central, no Amapá, (369) e Rio Negro e Solimões (325,6). No coeficiente de incidência (número de casos por 1 milhão de habitantes), Amazonas lidera (303), seguido por Amapá (281), Distrito Federal (209), Ceará (196), São Paulo (192) e Rio de Janeiro (186). Todas essas unidades da Federação estão mais de 50% acima da média nacional (111), e entram na categoria de “emergência”, de acordo com a escala do ministério.

Com Assessoria e Agências