Gripe no Rio: falta vigilância na região mais fria do estado

Na capital, mais de 150 mil já vacinaram contra vírus influenza. Postos de saúde fecham meio dia nesta segunda e não abrem terça-feira, feriado do Trabalho

Na semana passada, o Ministério da Saúde reforçou que mantém vigilância sobre as variantes de Influenza presentes no país, a partir de uma rede de unidades sentinelas.  Porém, só existem sistemas de sentinela para a influenza em municípios com mais 300 mil habitantes, o que faz com que a Região Serrana do Rio, por exemplo, que tem temperaturas mais baixas, não conte com uma unidade dessas. O alerta foi da coordenadora de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro, Gabrielle Damasceno, durante debate sobre a influenza realizado na semana passada, na Fiocruz (veja mais aqui).

Em 2017, foram confirmados 2.691 casos de influenza no Estado do Rio de Janeiro. Este ano, até o dia 21 de abril, foram registrados 331 casos de influenza, de acordo com a Secretaria de Estado de Saúde. Em todo o país, até 7 de abril, foram registrados 286 casos, com 48 óbitos, de acordo com o Ministério da Saúde. Do total, 71 casos e 12 óbitos foram por Influenza A/H3N2 e 116 casos e 16 óbitos por Influenza A/H1N1pdm09. Foram registrados também 52 casos e 6 óbitos por influenza B e outros 46 casos e 7 óbitos por influenza A não subtipados. Veja o Boletim Epidemiológico de Influenza do MS.

Vacina protege contra todas as variações do vírus

De acordo com o Ministério, a vacina anualmente oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) protege contra as variações mais comuns em circulação dos vírus Influenza H1N1, H3N2 e Influenza B.  E esclareceu que não existe circulação de vírus Influenza H2N3 no Brasil. A campanha de vacinação de 2018 teve início na última segunda-feira (23).  Na cidade do Rio, a Secretaria Municipal de Saúde vacinou, só na primeira semana, mais de 150 mil pessoas na Campanha de Vacinação contra a Influenza

A vacinação, que tem como público alvo idosos, crianças de seis meses a 4 anos, gestantes, puérperas, trabalhadores de saúde, portadores de doenças crônicas, professores das redes pública e privada em atividade, tem por objetivo reduzir as internações, complicações e mortes em decorrência das infecções pelo vírus da gripe. A meta é vacinar 90% dos grupos alvo recomendados da campanha, o que representa cerca de 1,4 milhão de pessoas.

Virologista da Fiocruz esclarece dúvidas sobre os tipos de vírus que circulam no Brasil.

Postos ficam fechados durante o feriado

Nesta segunda-feira, dia 30, durante o ponto facultativo, as 232 unidades da rede pública municipal de saúde do Rio de Janeiro que oferecem a vacina contra a influenza funcionam até 12h. Não há atendimento durante o feriado de 1º de maio. Já no sábado 12 de maio será o dia D de mobilização, quando postos extras serão montados em toda a cidade para facilitar o acesso da população e as unidades da prefeitura terão seu horário de funcionamento ampliado e totalmente dedicado à vacinação. A campanha vai até o dia 1º de junho.

A vacina contra a gripe está disponível em 232 unidades de Atenção Primária (clínicas da família e centros municipais de saúde), de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas. Aos sábados, 137 unidades funcionam até 12h, mas nem todas oferecem a vacinação, uma vez que, por questões técnicas ou de segurança, têm autonomia para definirem sem funcionam em horário estendido, até as 20h, ou nos sábados até o meio-dia, e se neste período extra farão ou não a vacinação.

Vacina reduz risco de hospitalização por gripe

Estudos demonstram que a vacinação contra a gripe pode reduzir de 32% a 45% o número de hospitalizações por pneumonias e de 39% a 75% da mortalidade global e em, aproximadamente, 50% as doenças relacionadas à influenza.

Seguindo a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), para a temporada 2018 a vacina influenza trivalente é composta por cepas dos três tipos de vírus da gripe mais circulantes no Hemisfério Sul e com mais possibilidades de causar quadros graves da doença.

O esquema é recomendado conforme a idade do paciente: duas doses para crianças de seis meses a 8 anos de idade que nunca tenham sido vacinadas contra a gripe; e dose única para pacientes a partir de 9 anos. Para quem faz parte dos grupos alvo, é preciso atualização da dose anualmente, em virtude das mudanças de cepas dos vírus influenza.

Para pessoas que tenham apresentado febre recente, recomenda-se adiar a vacinação até que o estado de saúde melhore. Portadores de doenças neurológicas e síndrome Guillain-Barré devem consultar um médico antes de tomar a vacina e seguir suas orientações. Já pessoas com história de alergia grave e prévia a ovo ou a algum outro componente da vacina não devem se vacinar.

Também serão vacinados durante a campanha a população privada de liberdade e funcionários de instituição prisional, adolescentes e jovens de 12 a 21 anos sob medidas sócio-educativas.

Como saber se é resfriado ou gripe

A queda na média de temperatura no país que se observa no Outono e Inverno, aumenta a incidência e risco de mortes por doenças respiratórias, como a gripe. Nesse período, costuma haver maior aglomeração de pessoas e tempo de permanência em locais fechados e pouco ventilados, fatores que facilitam a contaminação e disseminação do vírus.

gripe se manifesta com sintomas parecidos com o resfriado comum, como dores pelo corpo, especialmente nos músculos e nas articulações, tremores e frio intenso, cansaço, febre acima de 37,5ºC, tosse seca e coriza. A grande diferença entre gripe e resfriado, esclarece Alberto Chebabo, está na intensidade dos sintomas e na evolução, que no caso da infecção pelo Influenza, pode ser mais rápida e de maior gravidade. “A diferenciação definitiva da infecção pelo Influenza ou pelo vírus do resfriado (rinovírus) só é possível com a realização de um exame laboratorial”, explica.

Como se prevenir

Além de estar com a vacinação em dia, outras medidas ajudam a prevenir a gripe. Cuidados com a higiene das mãos é essencial. “Recomendamos a higienização das mãos com água e sabão ou álcool gel, várias vezes ao dia, principalmente antes de comer ou tocar os olhos, nariz ou boca e depois de tossir, espirrar e de usar o banheiro”, explica Chebabo. A especialista lista os demais cuidados:

– Evitar contato direto com pessoas gripadas (abraço, beijo, apertos de mão etc.), e não compartilhar objetos de uso pessoal.

– Cobrir a boca e o nariz com um lenço de papel ao tossir ou espirrar.

– Evitar permanecer em locais fechados com grande aglomeração de pessoas.

Fonte: SMS-RJ, Fiocruz e Grupo Dasa, com Redação

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