Hanseníase avança silenciosamente no Rio, com mais de 1 mil casos

Rosayne Macedo

hanseniase

Antigamente a hanseníase – que atendia pelo quase impronunciável e pejorativo nome de lepra – era uma doença incurável. Hoje o tratamento pode sim levar à cura. O que não tem cura é o preconceito de muitas pessoas, que acaba escondendo uma grave problema: a falta de informação sobre a doença e seu consequente controle.  Atualmente, 1.049 casos estão sendo tratados no Estado do Rio de Janeiro, mas o número de pessoas com hanseníase pode ser ainda maior.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, a falta da busca ao tratamento contribui para o avanço silencioso da doença. Por isso, se você tem manchas esbranquiçadas e avermelhadas dormentes ou sem sensibilidade na pele é bom ficar em alerta e procurar o quanto antes uma unidade básica de saúde. Isso pode indicar hanseníase, uma das doenças mais antigas da história e que ainda é um grande desafio para a saúde pública, embora tenha cura. A transmissão se dá de pessoa a pessoa através, principalmente, de tosse e espirro, mas a doença tem cura através de tratamento com antibióticos e reabilitação física e psicossocial.

A doença crônica e infectocontagiosa é causada por um bacilo (chamado bacilo de Hansen) e afeta diretamente a pele e nervos periféricos, podendo levar a sérias incapacidades físicas, caso não diagnosticada e tratada precocemente. A associação de medicamentos, denominada poliquimioterapia, é a prática mais indicada e está disponível no Sistema Único de Saúde. O paciente que segue o tempo e doses necessários do tratamento possui as chances de cura significativamente mais altas.

De acordo com estudo publicado a respeito na internet, “a doença milenar foi motivo de exclusão compulsória dos entrevistados ao convívio social. Atualmente sua cura é possível, a falta de informação existe e o preconceito ainda é um problema grave”. Para tentar diminuir o estigma em torno da doença, em 1995 foi criada a Lei nº 9.010/95, que oficializou a mudança no uso do termo lepra para hanseníase.

 

Ação neste sábado, no Parque Madureira

Com o objetivo de sensibilizar sobre o tema, neste sábado, dia 5, a partir das 8h, o Parque Madureira recebe palestras, consultas e atividade teatral em atenção ao Dia Estadual de Conscientização, Mobilização e Combate à Hanseníase, celebrado no mesmo dia. Ao longo do mês de agosto, ainda acontecerão outras atividades, que incluem capacitações de gestores e seminário com a presença do Secretário de Estado de Saúde, Luiz Antônio Teixeira Jr., secretários de saúde e representantes municipais, a fim de debater o panorama da doença no estado e fomentar a importância da mobilização de combate à doença em cada cidade fluminense.

“A gente espera que as pessoas procurem o atendimento móvel, não só com a suspeição de algum sintoma, que é o primeiro passo para o diagnóstico, mas para que entendam mais sobre a hanseníase e possa, assim, propagar esse conhecimento entre os que estão à sua volta. Isso ajuda a quebrar os preconceitos enraizados e alertar para a importância do diagnóstico na fase inicial da doença que, aliado ao tratamento correto, é essencial para a cura”, explica o gerente de Dermatologia Sanitária da SES, André Luiz da Silva.

Na sexta-feira (4), quem passou pelo Centro do Rio pôde se consultar com profissionais da área e tirar dúvidas sobre a doença.  A ação promovida pela Secretaria de Estado de Saúde, em parceria com o Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (MORHAN) e a Sociedade Brasileira de Dermatologia, acontece na Cinelândia. Uma carreta de atendimento volante ofereceu consultas dermatológicas para análise e diagnóstico da doença, com distribuição de panfletos informativos e encaminhamento para unidades de saúde, em casos de detecção da micobactéria. O evento teve ainda a apresentação artística do Teatro Bacurau, que alertará de forma lúdica sobre os sinais e sintomas, visando estimular o diagnóstico precoce e o combate ao preconceito ainda existente sobre a doença.

“O alerta está sendo feito. A população precisa desconfiar, ao primeiro sinal ou sintoma, e procurar um profissional de saúde para um diagnóstico correto. A oferta do serviço e o esclarecimento sobre a doença são fundamentais para desmistificar a hanseníase. Estamos trabalhando em conjunto com os municípios, orientando os profissionais de saúde para uma busca ativa e a diminuição real dos casos”, ressalta o secretário de Estado de Saúde, Luiz Antônio Teixeira Jr.

Fiocruz é referência em atendimento

O Ambulatório Souza Araújo, unidade assistencial que presta atendimento a pacientes com hanseníase no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), e o Laboratório de Hanseníase do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) permanecem alinhados a padrões de excelência internacional. O reconhecimento foi avaliado pela Joint Commission International (JCI), tradicional comissão acreditadora dos Estados Unidos, após uma série de aferições na infraestrutura, atendimento e desempenho da equipe.

O procedimento revalida o Certificado de Acreditação Internacional conferido pela instituição em 2014, e destaca os avanços alcançados pelo Instituto nos últimos três anos. “A Fiocruz é uma grande colaboradora para o trabalho em hanseníase do Ministério da Saúde. O Ambulatório e o Laboratório são centros de referência de apoio em pesquisa, diagnóstico e capacitação. A acreditação é um resultado importante que fortalece as nossas ações no âmbito nacional”, comentou a pesquisadora Carmelita Ribeiro, coordenadora-geral de Hanseníase e Doenças em Eliminação do Ministério da Saúde.

Ao receber o título pela primeira vez em 2014, o ambulatório do IOC passou a ser reconhecido como o primeiro centro brasileiro do país especializado em hanseníase a atuar alinhado aos padrões de excelência internacional. Agora em 2017, o espaço manteve a certificação. O processo de acreditação deve ser revalidado sempre a cada três anos.

“A avaliação positiva mostra que o Ambulatório Souza Araújo e o Laboratório de Hanseníase do IOC seguem rigorosas exigências relacionadas ao cuidado com o paciente e seus familiares, bem como a utilização de dados para o desenvolvimento de pesquisa científica”, destacou Milton Ozório, chefe do Laboratório de Hanseníase. “Alcançamos um nível de desempenho dentro das conformidades para um atendimento de excelência, que zela pela segurança e bem-estar do paciente e garante a efetividade do tratamento e da conduta médica. Todas as melhorias implementadas contaram com o empenho de uma equipe coesa, e refletem um ganho de nível institucional”, complementou Euzenir Sarno, pesquisadora do Laboratório de Hanseníase, que esteve à frente do processo de acreditação desde o início, em 2008.

Em caso de dúvidas, ligue para o Telehansen 08000-26 2001 ou envie uma mensagem para o ZapHansen no número (21) 97912-0108.

Fonte: SES-RJ e Fiocruz

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